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Maria das Dores Gomes Correia, a Professora Dorica, e o Grupo Escolar Veiga Cabral | Arte: Bruno Gabriel/CB
Educação

No Dia do Professor, a última lição (de vida) da professora Dorica

Cleber Barbosa, da Redação

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A revelação de uma carta de despedida da professora amapaense Maria das Dores Gomes Correia, que era carinhosamente chamada de Professora Dorica, vem provocando uma grande comoção – e reflexões – entre seus familiares, amigos, ex alunos e a comunidade em geral. Ela faleceu em Belém aos 88 anos de idade, na última segunda-feira, dia 14, exatamente Dia do Professor. A carta foi escrita por ela no ano 2000 e foi entregue à época para uma de suas amigas, Maria Auxiliadora, que trabalhava na Escola do Sesi em Macapá, com um pedido para só ser lida após sua morte. O conteúdo é simplesmente emocionante!

Mensagem

Carta Original

Quando quiserem me ver, falar-me ou ouvir-me, não retornem ao meu túmulo, pois lá não me encontro.
Quando desejarem sentir minha presença, saibam que não habito aquela casa.
Antes, busquem-me nas águas que correm nos rios e mares, no canto dos pássaros, nas árvores que florescem e frutificam, nas flores que desabrocham, nas plantas que crescem, nos animais que caminham, nas crianças que sorriem, na natureza que se transforma. Aí é que eu me encontro, nas coisas e nas pessoas que amo.
Encontro-me no espetáculo maravilhoso do nascer do sol e na beleza do pôr-do-sol.
Brinco por entre as florestas a sorrir com as crianças. Estou presente em tudo que exala vida, pois não morri, apenas me libertei da matéria para ir buscar a plenitude do espírito. E tudo porque amo a Deus, e a vida.
O sol que se põe, não morre, apenas nasce em outras planícies, iluminando outros mundos, para renascer amanhã no mesmo lugar, num outro tempo!
Assim somos nós: não morremos. Nascemos e renascemos em todo lugar, em todo tempo… sempre!
Lembre-se: É morrendo que nascemos para a vida eterna. E eu nasci!

Dorica

Biografia

Maria das Dores nasceu na Fazenda Bela Vista, no município de Calçoene, terceira de oito filhos do casal Arlindo Eduardo Correia (Coronel Arlindo) e Romilda Gomes Correia.
Fez seus primeiros estudos no lar, com sua mãe, depois com professores que seu pai trazia de Belém do Pará, para ensinar não somente os filhos, mas todas as crianças que viviam na fazenda Bela Vista.
Concluiu o curso primário no Colégio Santa Rosa, em Belém do Pará e o 2º grau no Colégio Gentil Bittencourt, também em Belém, recebendo o diploma de professora primária em 1951.
Inicia sua carreira profissional em 1952, no Grupo Escolar Veiga Cabral, na cidade de Amapá, onde exerceu as funções de professora e diretora desse educandário por um período de 5 anos. Transferida para Macapá em 1957, trabalhou nas escolas, Barão do Rio Branco, IETA – Instituto de Educação do Território do Amapá e Escola Paroquial São José, atuando como professora e depois, diretora.
Graduou-se em Pedagogia na UFPA – Universidade Federal do Pará, na primeira turma, para ensino do 1º grau, com especialidade em Administração escolar.
Estudou no Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, em Belo Horizonte no estado de Minas Gerais, onde fez o curso de Supervisão Escolar, com especialização em Didática de Estudos Sociais.
Exerceu ainda o cargo de Procuradora-gerente da Rádio Educadora São José e responsável pelo programa de educação de base.
De 1966 a 1967, trabalhou na Secretaria de Educação, à época, Divisão de Educação, exercendo a função de Chefe do ensino primário e pré-primário, onde foi por diversas vezes diretora interina, em substituição a professora Heliete Covas Pereira.
Exerceu no SESI – Serviço Social da Indústria, o cargo de Chefe do Serviço de Educação e diretora da Escola Visconde de Mauá, por longos 26 anos, participando do serviço técnico pedagógico dessa instituição.
Retirou-se da vida profissional pública em 2002 com relevantes serviços prestados à educação do Amapá.

Biografia por Wank do Carmo
Historiador e colaborador do Instituto Memorial Amapá

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