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Terapia com cães é uma parceria entre o centro de reabilitação do Amapá e o Bope | Fotos: André Rodrigues
Amapá

Cães do Bope ajudam na reabilitação de crianças atendidas no Creap

Nathacha Dantas, jornalista.

Estácio mobile

Os olhos da dona de casa Isaura Costa, 56 anos, encheram de lágrimas ao ver o sorriso do neto Isaque Moraes da Silva, 10 ano, na primeira sessão de cinoterapia, no Centro de Reabilitação do Amapá (Creap), nesta segunda-feira, 30.

O método, que consiste na utilização de cães ou outros animais como recurso terapêutico para as crianças, por meio do projeto “Melhor Amigo”, uma parceria do Creap com o Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar. O momento proporcionou às crianças do centro uma experiência única de docilidade e interação com “Lon” (um golden retriever) e com a “Canela” (uma pitbull), que ganharam muito carinho e arrancaram gargalhadas da garotada.

O Isaque comemorou a presença dos cães, adestrados para esse tipo de situação. Ele é atendido há um ano e sete meses no centro, quando foi diagnosticado com distrofia muscular, e necessitou de uma cadeira de rodas para se locomover. O garoto, órfão, é criado pelos avós maternos e sempre teve uma rotina saudável e agitada, como de toda criança.

“Ele se sente triste, pois, quer andar e brincar com as crianças, e não pode. Mas este está sendo um dos poucos momentos que estou vendo ele feliz e sorrindo de novo”, comemorou a avó, emocionada.

Glenda Letícia, 8 anos, não economizou carinho aos animais. Portadora da síndrome de Treacher Collins – que faz com que a pessoa tenha um rosto sem alguns músculos -, ela teve a audição e a fala comprometidas. A pequena faz reabilitação há um ano.

“Glenda é bem introvertida, mas, se relaciona bem com os animais e possui alguns, inclusive”, declarou a avó, Iracema Balieiro dos santos. A servidora pública acredita que toda terapia é válida. Ela está confiante na evolução da neta.

A fonoaudióloga Thaís Bastos explicou que a ação partiu da busca por uma nova alternativa para reabilitar os pacientes no dia a dia, e que a cinoterapia se mostrou uma ferramenta muito importante, onde o animal é instrumento de trabalho, socialização e interação.

Segundo a profissional, a técnica é muito eficaz, pois, a criança cria um laço afetivo, carregado de amor e companheirismo, e se sente motivada, e tem evoluções.

“Já nessa primeira ação, identificamos muitas evoluções de nossos pacientes, a exemplo do Izaque, que, por conta da distrofia, é limitado há alguns movimentos. Mas, foi tão estimulado com a presença dos cães, que se esforçou e conseguiu fazer carinho com um movimento que até então era extremamente difícil para ele. Foi uma feliz surpresa também para nós, enquanto profissionais, esse momento”, declarou Thaís.

A próxima ação com crianças do Creap que possuem paralisia cerebral, autismo, entre outras patologias, está agendada para o dia 21 de outubro, ocasião em que elas vão visitar o canil do Bope.

Projeto Melhor Amigo

Desenvolvido há pouco mais de um mês, pelo Bope, o projeto iniciou com ações na Associação de Pais e Amigos Autistas do Amapá (AMA), e, a tendência é expandir ainda mais. De acordo com o tenente Lino Medeiros, comandante do canil do Bope, os cães são adestrados com alto nível de socialização e interatividade com pessoas de diferentes faixas etárias.

“A cinoterapia vem contribuir com o trabalho que já é desenvolvido pela equipe de profissionais, como psicólogos, fonoaudiólogos e fisioterapeutas. São eles que avaliam como a ferramenta pode ser aplicada para gerar benefícios aos pacientes”, afirmou o comandante.

Atualmente, o canil do Bope possui seis cães, que exercem funções de farejadores até auxiliares em tratamento terapêutico.

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