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Organizado para Abraspo, a competição de 2013 foi a última na Foz do Rio Araguari | Fotos: Arquivo DA
Turismo

A última aparição – registrada – da pororoca do Rio Araguari

Cleber Barbosa, da Redação

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Foi no ano de 2013, em pleno inverno amazônico, portanto quando se registra o maior aumento do volume de água nos rios da região, que formava-se o cenário para se explorar um dos maiores fenômenos naturais com ocorrência no Amapá, a pororoca. Na verdade ondas de pororoca – encontro das marés de águas de rios com os oceanos – ocorrem pelo mundo afora. Mas a fama das pororocas amapaenses se espalhou, como a do Rio Araguari, que era tida como a maior de todo o planeta. Já não é mais.
Tanto que naquele ano se deslocaram para o município de Cutias do Araguari surfistas de vários países, entre eles gente que veio de muito longe, para ser mais exato do outro lado do mundo. No período de uma semana, o surfe nas ondas da pororoca foi transmitido ao vivo pela estatal chinesa de televisão, a CCTV, que também era a realizadora do evento. Mal sabiam que estavam fazendo o último registro delas.
Os telespectadores do continente asiático conheceram o encontro das águas do rio Amazonas com as águas do oceano Atlântico, um dos maiores espetáculos da natureza, conhecido popularmente como pororoca. A pororoca amazônica é a mais importante do mundo e no Estado do Amapá, o fenômeno ainda acontece em vários municípios, em outros rios amapaenses.

Mídia

Para realizar aquela megaprodução de apresentação como esporte radical do surfe na pororoca, a Tv Chinesa CCTV, contratou a Associação Brasileira de Surfe na Pororoca (Abraspo), que ficou responsável por toda logística. O evento contou ainda com apoio do Governo do Estado. Além de todo enfoque turístico dado ao Amapá, com transmissão internacional para a China, foi o salto significativo da economia amapaense naquela temporada. O comércio, a rede hoteleira, bares e restaurantes estavam faturando desde o início do mês de abril.
Segundo o presidente da Abraspo, Noélio Sobrinho, mais de R$ 1 milhão foram aplicados na cobertura que contou com jornalistas de diversos países. As ondas de pororoca do Amapá já levaram o estado a figurar no Guinnes Book, o Livro dos Recordes Mundiais. O surfista paranaense Serginho Laus é o atual detentor do registro de maior tempo de permanência em uma única onda de pororoca, tempo superior a meia hora surfando uma única onda, com grande visibilidade para o atleta.

Movimentação gerava aquecimento econômico aos municípios

A vinda de tanta gente para o Amapá, boa parte formadores de opinião, impulsiona o que os turismólogos chamam de promoção e marketing do lugar como destino turístico, com respostas imediatas no que se refere ao aquecimento econômico. “Estávamos com uma equipe formada por 130 pessoas, alugamos três hotéis, que fecharam em quase R$ 352 mil reais em diárias. Tinha o nosso transporte também, alugamos 3 carros de passeio, 3 helicópteros, 4 Jet Ski, 24 lanchas, 4 barcos. Nossa alimentação estava orçada em R$ 190 mil. Ainda um consumo de R$ 100 mil em combustível e nosso investimento total, na transmissão daquela apresentação do Surf na Pororoca, ou seja, mais de um milhão de reais. Nosso objetivo, como associação contratada é realmente poder mostrar este fenômeno lindo, através do surfe e ainda gerar renda ao Estado do Amapá”, diz Noélio.

Dessa forma, diversos serviços foram acionados para garantir a realização do evento. Um total de 70 trabalhadores foram contratados em empregos indiretos para trabalhar como ajudantes de cozinha, garçons, motoristas, caseiros, dentre outros.

Maior freqüência faz com que a rede hoteleira fique toda ocupada

Além de todas as vantagens e da mobilização de técnicos, a rede hoteleira local também é bastante impactada. Gestores e recepcionistas de três hotéis comemoram a demanda na procura de reservas nas últimas semanas. Na rede de serviços de hotelaria, o Boletim de Ocupação Hoteleira (BOH), apontava que a ocupação anual da rede hoteleira nos últimos anos teve uma média de 56%, porém, desde o segundo semestre de 2012, houve um salto crescente da média de ocupação anual para 86% nos maiores hotéis de Macapá.
O município de Cutias do Araguari também sentia o ritmo crescente da economia durante o período do evento, pois foram alugadas fazendas e consumo na região no diz respeito ao comércio, hospedagem, bares, também tende a aumentar.

Depoimentos

Operadores do turismo e agentes públicos foram unânimes em afirmar que o valor do investimento nesses grandes eventos é pequeno, comparado ao retorno que eles proporcionam. Com a realização desses eventos, todos os setores são privilegiados. Os hotéis esgotam suas estadias. Restaurantes, os bares e o comércio recebem gente de todos os estados do Brasil, registrando um volume relevante de aumento das vendas. Ganha o Amapá, os empresários e a população. Todos ganham.

Alternativa

Desde o fim das ondas gigantes de pororoca na Foz do Araguari, os surfistas, empreendedores e entusiastas da realização de eventos estão buscando outras locações para reeditar o sucesso. Nos municípios de Tartarugalzinho e Amapá vem ocorrendo eventos-testes que podem formatar algo ainda maior.

Colaboraram: Lilian Monteiro/Dorislene Muniz

Curiosidades

– A Pororoca é uma onda forte e persistente que invade grandes rios, como os da Amazônia, vinda do mar após uma súbita elevação da maré.
– O surfista Sérgio Laus surfou 10,1 quilômetros, por mais de 30 minutos na pororoca no rio Araguari, Amapá.
– O feito entrou para o Guinness Book – o livro dos recordes.

33m15s
Esse foi o recorde estabelecido por Serginho Laus em uma única onda de pororoca, no dia 24 de julho de 2005, no município de Cutias do Araguari.

SURFANDO

 

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