Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura, política e empreendedorismo.


domingo, 18 de fevereiro de 2018

AGRO | De vocação agropecuária, município de Calçoene é o mais chuvoso do Brasil

Entrada do município de Calçoene, na região da Costa do Amapá | Foto: Skyscraper City
Portal do Agro

Após analisar séries históricas de chuvas em mais de 400 estações localizadas na região amazônica, o município de Calçoene, no Amapá, com uma precipitação média anual de 4.165 mm, foi identificado como o local mais chuvoso do Brasil. O município, de apenas 7.000 habitantes, localiza-se no extremo norte do Brasil, na micro-região do Oiapoque, e abrange uma área de aproximadamente 14.000 km2. As principais atividades produtivas são a agropecuária, a silvicultura e o garimpo de ouro. A descoberta do ouro no rio Calçoene culminou com o surgimento de vários conflitos entre brasileiros e franceses de Caiena pela posse da terra, a qual foi, em 1900, anexada ao território brasileiro.
Anteriormente, a literatura citava a região da Serra do Mar, entre Paranapiacaba e Itapanhaú, em São Paulo, com uma precipitação média anual de 3.600 mm, como o local mais chuvoso do país. Segundo Daniel Pereira Guimarães, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo, situada em Sete Lagoas, MG, a falta de dados de registros históricos consistentes e de longa duração limitava esses estudos. A partir da criação da ANA (Agência Nacional das Águas), foram organizados bancos de dados contendo milhares de séries históricas em todos os estados da federação.
Era natural de se supor que, na Amazônia, estariam os locais de maior pluviosidade. Segundo o pesquisador, a caracterização climática de uma região deve-se basear em dados consistentes e coletados por, pelo menos, 30 anos, fato ocorrido recentemente com a estação de Calçoene.

Medições
O Atlas Climatológico para a Amazônia Legal, elaborado pelo Inmet, em 2001, baseou-se em apenas 100 estações e registros de séries históricas de dez anos. Com essa nova abordagem, informações mais detalhadas puderam ser obtidas para a região. A precipitação em Calçoene é cerca de três vezes maior que a registrada na cidade de São Paulo.
Entre janeiro e junho, praticamente todos os meses registram mais de 25 dias de chuva, ou seja, chove quase todos os dias. No ano de 2000, foram registrados quase 7.000 milímetros de chuva. A pesquisa permitiu a elaboração de um novo mapa da precipitação na região amazônica e mostra que existe uma enorme variação nos padrões de distribuição das chuvas.
Roraima apresenta áreas no nordeste do estado onde a precipitação é muito inferior à média regional e a distribuição das chuvas mostra maior concentração nos meses de maio a julho, enquanto, nos demais estados, essa concentração se dá entre janeiro e abril. Áreas de baixa pluviosidade são também observadas no sul dos estados de Tocantins e Rondônia. Conforme o pesquisador, no Pantanal Matogrossense, as precipitações são tão baixas quanto as registradas no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, região do Polígono das Secas.
As áreas de maiores precipitações ocorrem no litoral do Amapá e na região do estado do Amazonas conhecida como “Cabeça de Cachorro”. Em ambas, existem zonas onde as precipitações médias superam os 4.000 milímetros mensais.
 A identificação de Calçoene como o local mais chuvoso do Brasil coloca mais lenha na fogueira sobre a recente descoberta de um sítio arqueológico nesse local. O “Stonehenge Amazônico” é formado por 127 granitos megalíticos alinhados de forma circular, o que lembra um observatório astronômico, foi construído no período pré-colombiano e, curiosamente, no local de maior incidência de chuvas. Seria coincidência?”


SAÚDE | Flagrantes de descaso e desumanidade em posto de saúde de Macapá

Funcionário da limpeza manuseia lixo hospitalar sem nenhuma proteção no posto de saúde | Arte: Bruno Gabriel
Cleber Barbosa
Da Redação

Pacientes e seus familiares denunciam verdadeiros absurdos ocorridos em um posto de saúde na periferia de Macapá, durante a noite do último sábado (17), na zona norte da capital. Foi na UBS Marcelo Cândia, que curiosamente é uma das que foi reformada na atual gestão municipal. Leitos sem cobertores, cadeiras rasgadas, além de outros equipamentos em mau estado de conservação e até enferrujados eram usados pela até esforçada equipe de enfermagem.
Em fotos enviadas à nossa Redação, essas pessoas demonstraram indignação. Mas o maior absurdo foi ver em que condições o único funcionário da limpeza trabalhava. Sem nenhum EPI (equipamento de proteção individual) ou mesmo uniforme, ele percorria de sandálias de dedo o local, fazendo faxina nas instalações da unidade de saúde com uma roupa pessoal, sem luvas, botas, avental e ainda manuseava o lixo hospitalar sem nenhuma proteção – uma afronta a regras de segurança do trabalho.
Também havia reclamação em relação a moscas, mas os familiares de pacientes disseram que nem adiantava pedir apoio, pois as equipes de limpeza dizem simplesmente não haver material de higienização, uniformes e até os salários estão atrasados. A nossa equipe foi pessoalmente à UPA administrada pela Prefeitura de Macapá, para checar a veracidade das imagens. Era tudo verdade, infelizmente.
Segundo algumas pessoas que aguardavam atendimento, as equipes de enfermagem e a maiorias dos médicos até presta um atendimento aceitável, mesmo com todas as limitações. “Com raras exceções, de médicos que atendem a gente com a porta aberta, muito rápido e em alguns casos sem sequer olhar na cara da gente, imagina nos examinar”, disse uma senhora.

Flagrantes
A cadeira de rodas tem o encosto amparado por ataduras; suporte de soro totalmente enferrujado
A cadeira para aplicação de injeções tem o apoio de braço todo rasgado; servidor da limpeza de sandálias e sem luvas
Na sala de espera, o estado das cadeiras para pacientes e familiares dispensa comentários | Fotos: Cleber Barbosa
Outro lado
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Macapá, por meio de telefonema ao coordenador de comunicação, Diniz Sena. Ele se disse surpreso com as informações, pediu o envio das imagens para comprova-las e disse que acionará a Secretaria de Saúde da PMM para pedir providências. Ele também disse que a unidade Marcelo Cândia realmente passou por reforma na atual gestão, mas que não foi uma intervenção completa. “Como a gente vem fazendo agora em outras duas unidades da capital”, completou o assessor.

TURISMO | Família faz uma viagem e tanto de carro de Macapá até São Luís (MA)

Cleber Barbosa
Da Redação

Essa é uma daquelas histórias que rendem horas e horas sendo contata em família ou para os amigos. Trata-se da Viagem Inesquecível do Bóris Germano, 38, sua esposa Lucidalva Silva, 34, e dos filhos Guilherme, 4, Luciano 11 e Leonardo, 17, que moram no bairro do Marabaixo, em Macapá. Eles tinham o sonho de fazer uma viagem até o Nordeste Brasileiro. Fizeram duas, uma de carro e outra de avião. Cada uma com suas características e vantagens para um lado e para o outro. Confira os “causos”.
Em 2010 veio a primeira jornada, quando embarcaram o carro numa balsa para seguir viagem a partir de Belém. Como um amigo se comprometeu a ir junto com sua família, em mais dois carros, não tiveram a preocupação com mapas ou GPS, pois ele dizia conhecer bem o percurso. Mas o encontro não rolou como o combinado, em Castanhal (PA) e eles tiveram que seguir viagem sozinhos, mesmo sem seu guia.
O resultado, claro, foi terem se perdido no caminho, pois tomaram uma bifurcação rodoviária errada e ao invés de São Luís (MA) foram parar no sul do Estado, quase em direção a Brasília. Em Açailândia (MA) perceberam o erro e com informações de um caminhoneiro pegaram o rumo certo, para recuperar os 500 quilômetros percorridos em vão. “Também a estrada é muito mal sinalizada naquele perímetro, diz Bóris.

No carro
Mas chegando a São Luís eles finalmente puderam fazer turismo, tirando o trabalho que deu para achar vagas em hotéis – pois não fizeram reserva antes – deu tudo certo. Na capital do Maranhão, ficaram encantados com as praias muito limpas e o centro histórico muito bem restaurado. De lá seguiram viagem até Fortaleza (CE), mas antes fizeram uma revisão no carro, um Polo Sedan 1.6, que se mostrou econômico, afinal as despesas com combustível somaram R$ 800 em toda a jornada.
Na capital cearense foi só diversão e muito lazer, com direito a passar o dia com as crianças no Beach Park. Seguiram-se passeios para as tradicionais praias do Cumbuco, Canoa Quebrada e Iracema. Aliás, isso foi em janeiro de 2010, quando chove muito em toda a região e eles contaram com a sorte de escapar de um desabamento de barreira e de um temporal que alagou Fortaleza no dia seguinte a sua partida. “De carro é mais aventura e possibilita conhecer tudo, mas também tivemos esse atropelo de se perder. Valeu a pena”, diz Lucidalva.

Na segunda visita ao Nordeste, opção foi um pacote aéreo
Depois da inesquecível experiência com a viagem de carro, a família do Bóris Germano decidiu seguir os conselhos de um amigo e comprou um pacote turístico muito em conta e com quase tudo incluído, de reservas em hotéis até ingressos para um show de humor, passando, claro, pelos trechos de avião, tudo parcelado e bem em conta. Mas ainda andaram de carro nessa aventura, pois antes de deixarem Belém pediram para que a agência de viagem locasse um carro para eles. Foram conhecer o Hotel Fazenda Cachoeira, em Capitão Poço (PA). “Ele é lindo, um espetáculo. As crianças não queriam mais sair de lá”, recorda Lucidalva. Com diárias e refeições muito baratas, o hotel fazenda os prendeu lá por três dias.
Depois seguiram viagem para Fortaleza (CE), onde desta vez chegaram de avião. Dizem que na ocasião foi diferente, sem o carro, em uma metrópole de mais de 3 milhões de habitantes. Seguiram-se estadas de três dias em uma pousada aconchegante em Iracema, pagando R$ 130 a diária. Com os filhos já maiores, puderam se divertir muito mais, até com programações noturnas.

Moral da história: viajar é bom, mas com planejamento e organização
Nossos personagens da promoção “Minha Viagem Inesquecível” deste domingo dizem não se arrepender das duas viagens feitas ao Nordeste. Nem mesmo a de carro, pois o contratempo de se perder poderia ser evitado com o uso de um GPS ou mesmo de um simples mapa, acessórios, aliás, que agora não saem do porta-luvas do Polo da família, que faz planos para uma nova aventura pelas estradas do país. A outra opção de viajar de avião é mais rápida e confortável, claro, e quando der vontade de dirigir é só alugar um carro, lembrando que para isso é preciso ter um cartão de crédito, habilitação em dia e uma sobra de dinheiro para as despesas com abastecimento.
Mas mesmo que você vá sem carro, no Nordeste tem sempre um meio de transporte alternativo. Para o caso da família do Bóris Germano foram vários, como tirolesa, buggy e até o ski-bunda… “Recomendo que as famílias façam turismo juntas, isso aproxima e reforça o amor de pais e filhos”, ensina o arquiteto Bóris, que é funcionário da Eletronorte, em Macapá.
Ele também fez as contas para o Blog, para mostrar as vantagens de se viajar de carro. Ele diz que uma viagem ao Nordeste feita de avião sai na média de R$ 4 mil, pois foram em janeiro, época da chamada alta temporada de férias. “Nós rodamos 4,5 mil quilômetros de carro e as despesas com gasolina foram de R$ 800”, recorda o urbanitário. O filho mais velho de Bóris, Leonardo, tinha 15 anos na primeira viagem e hoje mora com a mãe em Portugal.
A agência de viagem escolhida pela família foi a Poroc Turismo, localizada na Avenida Hildemar Maia, 913, no bairro de Santa Rita, em Macapá. Para maiores informações e reservas o telefone de lá é (96) 3224-1666.

NÚMEROS
– A distância entre Belém (PA) e São Luís (MA) é de aproximadamente 600 quilômetros;
– De São Luís (MA) até Fortaleza (CEA) são mais 900 quilômetros de estrada.
– Para ajudar na hora de viajar de carro é bom investir em informações do Guia Quatro Rodas (R$ 60) ou num aparelho de GPS (R$ 300).
4.500Km
Esta foi a distância percorrida de carro pela família

HOTEL FAZENDA


OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, domingo, dia 18 de fevereiro de 2018.


Caiena

Uma guianense, filha de pais brasileiros, roubou a cena ontem em uma contundente participação em nosso programa Conexão Brasília. Ela virou youtuber e mantém em seu canal valiosas informações a respeito da vida dos brasileiros na condição de imigrantes.

Lucidez

Vaneza Ferreira, de 23 anos, demonstra grande maturidade e visão crítica a respeito dos dissabores de tentar ganhar a vida por lá, com o preconceito de alguns em relação à mulher brasileira, infelizmente.

Desabafo

A íntegra da manifestação da brasileira, que faz um desabafo sobre essa e outras situações, você poderá conferir visitando nosso Blog, onde está o vídeo produzido por ela. Acesse www.cleberbarbosa.net.

Greve

Os bancários estão anunciando para a próxima segunda-feira uma paralisação em todo o país. A classe dos rodoviários também promete engrossar o coro dos descontentes com relação à reforma da previdência.

Web

As redes sociais repercutem insatisfação de muitos militares em relação a essa intervenção na segurança pública no Rio de Janeiro. Expor a tropa, que deveria atuar contra o verdadeiro inimigo, não conpatrioras.

No rádio
O coordenador do Pronatec no Amapá, Agnaldo Figueira Silva, nos estúdios da Diário FM ontem, quando fazia um balanço do lançamento dos cursos técnicos e profissionalizantes para o calendário deste ano. Foram mais de 12 mil jovens e adolescentes inscritos, todos ávidos por qualificação e colocação no mercado de trabalho.

Politec

Ontem foi dia de trampo para 120 funcionários da Rede Super Fácil, que atuam nos boxes da Polícia Técnico-Científica. Eles estão sendo treinados para operar o novo Sistema de Identificação Civil (SIC) que deve ser implantado ainda este mês, nas unidades da capital e também nas seccionais.

Capacitação

Na verdade o sábado era o último dia do treinamento,que reúne técnicos do Super Fácil de Santana, Laranjal do Jari, Tartarugalzinho e Oiapoque. O treinamento teve duração de três dias no auditório da Universidade Estadual do Amapá (Ueap) e pela movimentação surtiu os efeitos desejados pela Politec.

Nomes

Com a nova plataforma o cidadão que deseja obter o registro do nome social poderá procurar as unidades do Siac que possuem box de atendimento da Politec e fazer a solicitação. Os requerentes terão seus dados cadastrados e posteriormente serão informados da data de entrega.

EDUCAÇÃO | Unifap divulga na segunda-feira o resultado do Processo Seletivo 2018

A Universidade Federal do Amapá (Unifap) divulgará na próxima segunda-feira, 19, às 15h, o resultado do Processo Seletivo (PS 2018) da Instituição, que selecionou candidatos para as vagas nos cursos de graduação presenciais do campus Marco Zero do Equador, em Macapá (AP). O resultado final estará disponível no site do Departamento de Processos Seletivos e Concursos (Depsec) e também será transmitido pela Rádio Universitária (96,9 FM).
Foram ofertadas 711 vagas neste PS 2018, distribuídas em 30 cursos de graduação do campus Marco Zero do Equador, de um total de 1.400 disponibilizadas pela Universidade. As 689 vagas restantes foram preenchidas via Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Para atender ao que estabelece a Lei nº 12.711/12, a Unifap destinou 50% das vagas no PS 2018 a candidatos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas ou que tenham obtido certificado de conclusão com base no resultado do Enem, de exame nacional para certificação de competências de jovens e adultos ou de exames de certificação de competência ou de avaliação de jovens e adultos realizados pelos sistemas estaduais de ensino.
Para participarem do certame, os candidatos tinham que ter participado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2017 ou 2016 e ter concluído o ensino médio até o período de matrícula, caso aprovados no PS 2018. A seleção dos candidatos foi feita na ordem decrescente da pontuação obtida na soma das cinco notas do Enem 2017 ou 2016, em cada curso e de acordo com cada categoria estabelecida no Anexo I do edital de seleção.

ENTREVISTA | “Um centro de convenções ajuda a captar eventos e fortalecer o turismo”

PAULO GURGEL: O professor na Diário FM explica desafios para o setor de turismo do estado do Amapá em 201.
Um dos mais respeitados profissionais do chamado Trade Turístico do Amapá, o professor Paulo de Tarso Gurgel foi ao rádio ontem falar a respeito das suas observações e projeções para o setor no estado. Em entrevista ao programa Conexão Brasília, na Diário FM, o especialista comentou também sobre as equivocadas estratégias de promoção do país no exterior, com um excesso de sensualidade até nos impressos e folheteria, o que até hoje contribui para o chamado turismo sexual, tanto aqui como em lugares próximos, na Guiana Francesa. A definição de um calendário de receptivos a navios de cruzeiro e a possibilidade do projeto de um centro de convenções em Macapá sair do papel renovam as esperanças para profissionais como ele, que atua na formação de mão de obra para as futuras demandas do setor.

Cleber Barbosa 
Da Redação

Blog do Cleber – Professor, esta semana uma brasileira deu o que falar ao postar um vídeo em tom de desabafo a respeito de como as mulheres do Brasil são tratadas no exterior, preconceito e exploração sexual no debate. O que o senhor acha disso?
Paulo Gurgel – Eu creio que tudo passa por essa questão macro, um olhar global, pois assistimos todos os dias na televisão, nos rádios e nos jornais a questão da migração, as pessoas saindo de seus locais de origem ou de nascimento por várias situações, guerras, fratricidas, dentre outras, mas principalmente a questão econômica. E sempre vai ocorrer por parte daqueles que os recebem uma animosidade. O Brasil hoje passa por isso, com a questão dos venezuelanos em Pacaraima, em Roraima. O Brasil está regularizando aqueles irmãos, vamos dizer assim, é uma questão crucial inclusive, saber que tipo de habilitação, formação ou qualificação possuem para inserir esses cidadãos no mercado de trabalho. É difícil, pois já estamos numa crise que não atende às nossas próprias peculiaridades, condições, imagine os estrangeiros.
Blog – E sobre esse recorte especificamente, das mulheres brasileiras professor?
Paulo – Sim, outro grave problema, sobre como a mulher é vista ao sair do seu próprio lar, do seu próprio país para buscar o emprego, a própria valorização profissional, enfim, então entendo também ser uma questão global.
Blog – Um estudo recente de um pesquisador da Unifap, o professor Manoel Pinto, diz que em relação à Guiana Francesa as brasileiras na verdade não estariam mais naquela estratégia de conseguir um casamento por lá para conseguir se legalizar.
Paulo – Sim, endossamos o que ele concluiu, que inclusive está trabalhando com o curso de guias de turismo, com a história regional no município de Mazagão, e com certeza essa visão que ele tem sobre essa questão trabalhista, da questão das migrações, dentro de uma contextualização na história e também sobre o que nós podemos trabalhar o turismo. Não estou dizendo que essa questão do deslocamento tem a ver com turismo, mas é que o turismo é essa atividade multidisciplinar, então nós estamos engajados com a geografia, com a sociologia, a história, entre outras disciplinas.
Blog – Outra questão abordada pela brasileira no vídeo tem a ver com a imagem sensual e de libido exacerbada da mulher, inclusive por muito tempo a folheteria, os impressos de divulgação do Brasil no exterior usou imagens de mulatas no carnaval ou de moças de biquíni nas praias do Rio não é mesmo?
Paulo – Sim, contribuiu negativamente para a própria imagem do Brasil lá fora, usando a mulher neste sentido, num estereótipo mesmo.
Blog – E esse estudo do pesquisador da Unifap mostrou ainda que as mulheres brasileiras hoje querem mesmo é dominar o idioma e buscar uma colocação no mercado de trabalho lá na Guiana Francesa. 
Paulo – O que é muito bom, afinal aquela história de arrumar casamente ficou para trás, afinal elas concluíram que o choque cultural é muito grande, não compensa. Mas devo dizer ainda que em relação ao mercado de trabalho do turismo as mulheres aqui no Amapá são maioria, eu creio que temos mais mulheres atuando em gerenciamento do que o próprio homem. Isso nós temos dados, levantamentos das agências de viagem, gerenciamento de hotéis, entre outros setores onde a mulher está muito presente.
Blog  – O ano começou com esperanças renovadas para o setor do turismo por aqui, com dinheiro alocado para a construção de um centro de convenções e com a abertura do calendário de cruzeiros passando por aqui. O senhor também está otimista?
Paulo – Sim, realmente, essa questão do centro de convenções é uma luta antiga, desde a criação da própria Secretaria Estadual do Turismo, com a hoje ministra de políticas para a mulher, Fátima Pelaes como titular, tendo iniciado essas tratativas ainda com o Jurandil Juarez [parlamentar à época] com a primeira proposta para o lançamento da obra de um centro de convenções. É, portanto, uma luta quase que dantesca sobre isso, que nós precisamos muito para a captação de eventos e de espaços condizentes para a realização desses eventos. Macapá é uma das últimas cidades em que as pessoas querem fazer os seus eventos profissionais, de engenharia, de medicina, pois nós não temos essa infraestrutura no que concerne à capacidade com pelo menos mil a mil e quinhentas pessoas. O que nós trabalhamos hoje são pequenos eventos com 400 a 600 participantes até mesmo em decorrência da própria capacidade hoteleira que a cidade apresenta – hoje em torno de 1 mil a 1,2 mil leitos.
Blog – E em relação à formação de mão de obra para a indústria hoteleira, professor, já que é uma praia digamos assim, lá nos cursos de turismo do CEPA?
Paulo – Isso, nós trabalhamos principalmente com o programa federal Pronatec, hoje com a especificação de Mediotec, na formação de técnicos em hotelaria, onde o Cepa JOB já formou em torno de 60 pessoas. Mas dentro dessa concepção dos programas federais do Pronatec, nós já tivemos outros cursos para a segmentação hoteleira, como recepcionistas, governantas, arrumadeiras, entre outros, como agora estamos concluindo o curso para técnicos em guias de turismo lá em Oiapoque e em Mazagão Novo.
Blog – Recentemente foi notícia o fato de muitos candidatos a concursos públicos no Amapá que vieram de outros estados terem encontrado muitas dificuldades na rede hoteleira local, inclusive para fazer reservas pela internet. Com o incremento do turismo toda essa cadeira produtiva tende a melhorar professor?
Paulo – Sim, com certeza, daí a importância da qualificação de mão de obra, ou seja, preparar o seu empreendimento como agência de viagem, hotel, pousada, restaurante, para essas futuras demandas, que vem com planejamento. Eu creio que nós temos um plano estadual de turismo e que agora é preciso pontuar cada etapa, ver o que está precisando ser feito e modificado, atualizado, pois lembro que foi lançado à época da secretária Syntia Lamarão na Setur. Falta a aplicabilidade correta, adequações, investimentos.
Blog – Obrigado por sua entrevista professor e bom trabalhado na formação dessas novas gerações do profissionais do turismo.
Paulo – Obrigado e mais uma vez deixo um abraço aos nossos alunos, nossos colegas na área do turismo que nos acompanham e aos nossos leitores. Para terminar, posso dizer que o turismo é aquilo que a gente costuma dizer bem no popular, “uma cachaça” que a gente tem dificuldade de sair... [risos] Um abraço a todos!

Perfil

Entrevistado. O professor Paulo de Tarso Gurgel tem 65 anos, nasceu em Caraúbas/RN, mas mudou-se aos três anos para o Amapá. É bacharel em Turismo, pós-graduado em Elaboração e Avaliação de Projetos e ainda possui licenciatura plena em História, sempre pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Foi diretor do DETUR (Departamento Estadual do Turismo) e depois com a criação da SETUR (Secretaria Estadual do Turismo) atuou como diretor de Desenvolvimento do Turismo. Desde 2000 é professor e coordenador dos cursos de turismo e hotelaria do CEPA JOB (Centro Profissionalizante do Amapá).

sábado, 17 de fevereiro de 2018

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, sábado, dia 17 de fevereiro de 2018.


Unifap

A Universidade Federal do Amapá divulgará na próxima segunda-feira, às 15 horas, o resultado do Processo Seletivo 2018, que selecionou candidatos para as vagas nos cursos de graduação presenciais do campus Marco Zero do Equador, em Macapá.

Resultado

O resultado final estará disponível no site do Departamento de Processos Seletivos e Concursos (Depsec) e também será transmitido pela Rádio Universitária e, claro, por toda a imprensa local. Bota música!

Números

Foram ofertadas 711 vagas distribuídas em 30 cursos de graduação de um total de 1.400 disponibilizadas pela Universidade. As 689 vagas restantes foram preenchidas via Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Folia

O Carnaval ainda não acabou, sabia? Ainda rola muita folia nas zonas sul e norte da capital desde ontem e vai até este sábado, apoio Governo do Estado, com trio elétrico, palco, som, iluminação e banheiros químicos.

Segurança

Os brincantes também contarão com aparato de segurança da PM. Na zona sul, durante o desfile do Bloco Congozada, policiais, viaturas e motocicletas, nos dois dias. Já na zona norte, tm o Bloco Fura Olho.

TAF
Candidatos habilitados ao Teste de Aptidão Física do concurso púbico para soldado da Polícia Militar tiveram a oportunidade de conhecer o local onde a próxima fase será aplicada. O espaço do Comando Geral da PM/AP foi disponibilizado pelo Governo do Estado, durante os dias 14 e 15 de fevereiro. 
Na foto, uma futura PM manda ver!

Chuvas

Após analisar séries históricas de chuvas em mais de 400 estações localizadas na região amazônica, o município de Calçoene, no Amapá, com uma precipitação média anual de 4.165 mm, foi identificado como o local mais chuvoso do Brasil. Havia quem dissesse que era a vizinha Belém a mais chuvosa.

Favorável

As principais atividades produtivas de Calçoene são a agropecuária, a silvicultura e o garimpo de ouro. A descoberta do ouro no rio Calçoene culminou com o surgimento de vários conflitos entre brasileiros e franceses de Caiena pela posse da terra, a qual foi, em 1900, anexada ao território brasileiro.

Tabu

Anteriormente, a literatura citava a região da Serra do Mar, entre Paranapiacaba e Itapanhaú, em São Paulo, com uma precipitação média anual de 3.600 mm, como o local mais chuvoso do país. Segundo Daniel Pereira Guimarães, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

MUNDO | O desabafo de uma brasileira que mora em Caiena, na Guiana Francesa

Em um canal no YouTube, Vaneza Ferreira mantém uma espécie de central de produção de conteúdos a respeito da vida dos imigrantes brasileiros na capital da Guiana Francesa. Entre as principais queixas da moça, de 23 anos, preconceito, discriminação e xenofobia. Mas também explica o que ainda atrai compatriotas do Brasil e tentarem a sorte no departamento francês da moeda forte e da qualidade de vida muito melhor. E também diz que não são todos os guianenses/franceses que agem assim com a mulher brasileira.

ECONOMIA | Bancários entrarão em greve em todo o país na próxima segunda-feira

Os bancários de todo o País decidiram aderir à paralisação da próxima segunda-feira, dia 19, em protesto contra as reformas da Previdência e Trabalhistas propostas pelo governo federal. De acordo com o sindicato, 88% dos bancários votaram pela paralisação das atividades e serviços em todo o Brasil. A votação foi feita durante assembleias realizadas nos dias 8, 9, 14 e 15 em agências e centros administrativos dos bancos.
Em Macapá, a previsão é que as categorias façam atos específicos pela manhã em frente ao INSS do bairro do Laguinho, para um Ato Público unificado. Uma das categorias que garantiu presença na manifestação é a dos rodoviários, segundo declarações dadas neste sábado pelo presidente do Sindicato da classe, Genival Cruz.

Protestos
A mobilização está sendo chamada por várias Centrais Sindicais, entre elas a CSP Conlutas, CUT, Força Sindical, CSB, CTB, Nova Central, UGT e Intersindical que reafirmam iniciativas que já vinham sendo executadas desde dezembro passado. O Sindicato dos Bancários entende que o Dia Nacional de Luta é mais uma mobilização para a construção de uma nova Greve Geral no país, como “forma de derrotar de vez os ataques do Governo”.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, sexta-feira, dia 16 de fevereiro de 2018.

Construção

A ABRAMAT (Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção) divulgou neste início de semana a edição de seu índice de janeiro, que apresenta queda de 0,7% no faturamento deflacionado das indústrias do setor, comparado com janeiro de 2017.

Empregos

Com relação aos empregos na indústria de materiais, janeiro teve queda de 3,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Na comparação com o mês dezembro, a queda foi de 0,6%.

Violência

Enquanto neste Carnaval houve grande mobilização contra o assédio sexual contra as mulheres, eis que uma pesquisa levanta dados igualmente preocupantes a respeito de abusos contra as crianças.

Números

Aproximadamente 500.000 crianças e adolescentes são vítimas da exploração sexual no Brasil e a maioria delas tem entre 7 e 14 anos. Isso significa que a cada 24 horas 320 crianças são explorados sexualmente.

Punição

Exploração sexual de crianças e adolescentes é crime e apenas 7 em cada 100 casos são denunciados. Segundo o Disque 100, apenas 7,5% dos casos são denunciados. Dados são da Senasp/MJ.

Niver
 A coluna não é social, mas registra nesta sexta-feira uma jovem liderança que vem se destacando na Câmara de Macapá, o vereador Rayfran Beirão (PR-AP), que completou aniversário ontem. A coluna o felicita não só pela data, mas pelo início de sua atividade parlamentar, com desenvoltura e um ritmo bastante diligente em seu mandato.

Campo

A Embrapa, Instituto Chico Mendes, Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), Conservação Internacional (CI), Sebrae e Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), abrem o Projeto Bom Sucesso, em solenidade ocorrida na Câmara de de Porto Grande.

Verticalizar

Foco nas cadeias produtivas do açaí e da andiroba gerando trabalho e renda na Floresta Nacional do Amapá. Objetivo é avançar os trabalhos de desenvolvimento agroextrativista desenvolvidos junto à Associação Agroextrativistas Ribeirinhos do Rio Araguari (Bom Sucesso), de Porto Grande, região centro-oeste do AP.

Embrapa

Nagib Melém, chefe da Embrapa, ressaltou a difusão de boas práticas de manejo de açaizais e manejo sustentável de andirobeiras para extração de óleo na região. Novos produtos da sociobiodiversidade agregam valor, aumenta a renda e qualidade de vida das comunidades, claro.


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

MINERAÇÃO | Operação ‘Garimpeiros da Propina’ deflagrada após escutas telefônicas

A Operação Garimpeiros da Propina, deflagrada na manhã desta quinta-feira (15), em Macapá, Santana e Calçoene (AP), é resultado de atuação conjunta entre o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. A Justiça Federal, a pedido do MPF, decretou a prisão preventiva de oito pessoas e o afastamento do cargo de três servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM), antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). A fase atual é desdobramento das Operações Minamata e Estrada Real, que apuram esquemas criminosos em atividades minerárias no Amapá.
O trabalho que dá origem à Operação Garimpeiros da Propina deriva da análise de conversas telefônicas interceptadas, de depoimentos e de dados obtidos nos telefones celulares apreendidos no curso das duas operações deflagradas em 2017. Segundo a investigação conduzida pelo MPF, há pelo menos uma década, a ANM é utilizada reiteradamente para a prática de crimes graves como corrupção passiva, organização criminosa (Orcrim) e usurpação de bens da União. Servidores da autarquia se utilizavam dos cargos para a perpetração das infrações penais sob a coordenação de agentes políticos.
Na prática, de acordo com o MPF, o esquema, articulado por um ex-superintendente do antigo DNPM, chefe da Orcrim, consiste em obter vantagens ilícitas a partir das autorizações, licenças e concessões no Estado. Devido à influência exercida por dois ex-deputados federais, a organização criminosa permanece ativa independentemente de quem esteja na direção da ANM no Amapá. Os envolvidos nas condutas criminosas também fazem “vista grossa” às irregularidades encontradas no âmbito da mineração no Amapá.
Com o aprofundamento das investigações, o MPF concluiu que é dos ex-parlamentares o poder de decisão sobre quem ocupará e permanecerá no cargo de superintendente da autarquia no Amapá. A permanência no posto, conforme apuração do MPF, está relacionada ao cumprimento de metas de arrecadação de propina. A saída do ex-superintendente da ANM, preso na Operação Minamata, no fim do ano passado, tornou mais intensa a atuação da Orcrim. Ele teria sido substituído por um familiar do chefe do esquema, segundo a denúncia, por não ter tido a capacidade de arrecadar quantias vultosas de propina.
Conversas obtidas com autorização judicial revelam que, em apenas um dos casos analisados, houve pedido de propina no valor de R$ 100 mil para liberação de negócios envolvendo a mineração no Amapá junto à superintendência da ANM.
Além da prisão preventiva de seis integrantes da organização criminosa e de dois dirigentes da Cooperativa de Garimpeiros do Lourenço, a Justiça determinou busca e apreensão em imóveis e na ANM, o afastamento dos servidores envolvidos no esquema e o bloqueio de bens e direitos dos investigados. Os nomes dos envolvidos ainda estão sob sigilo.

Fonte: Portal Diário do Amapá

POLÍCIA | PM prende em ilha do Pará assassino do velejador neozelandês Peter Blake

A equipe de policiais com o bandido amapaense José Irandir | Foto: Ascom PM-PA
Foi preso em Breves, no Marajó, um dos assassinos do velejador neozelandês Peter Blake, crime que ganhou repercussão internacional no ano de 2001. Na época do crime, Blake era considerado o melhor atleta do mundo naquele esporte.
De acordo com informações da Polícia Militar de Breves, um dos assassinos de Peter Blake, identificado como José Irandir Colares Cardoso, estava foragido do Sistema Penitenciário do Amapá e foi abordado por policiais de Breves por estar em atitude suspeita na avenida Rio Branco.
José Irandir portava um documento no nome do irmão dele, Sérgio Roberto Colares. Mas, após uma pesquisa, os policiais descobriram que ele era um dos assassinos do velejador. Ele foi condenado a 35 anos de prisão em 2002, junto com outras seis pessoas envolvidas no latrocínio.

Caso de repercussão mundial
Peter Blake, de 53 anos, estava em uma expedição pela Amazônia quando seu barco, que estava ancorado no balneário da Fazendinha, em Macapá, foi assaltado no dia 05 de dezembro de 2001.
Os criminosos, que integravam um bando de “ratos d´água”, levaram apenas um relógio e um motor de popa, mas mataram o velejador, que reagiu ao assalto.
Peter Blake nasceu na Nova Zelândia e era considerado um dos homens mais rápidos do mundo nos mares.
Peter ficou conhecido, dentre outros feitos, por dar a volta ao mundo em 74 dias, 22 horas, 17 minutos e 22 segundos.

(DOL com informações de Marcos Onias/RBATV)

Relembre o caso 
http://g1.globo.com/ap/amapa/bom-dia-amazonia/videos/v/assassinato-do-velejador-neozelandes-peter-blake-na-fazendinha-completa-15-anos/5494769/


OPINIÃO | Ex comunista convicto, jornalista Olavo de Carvalho escreve sobre patriotismo

PATRIOTISMO, SIM SENHOR !

Como todos os meninos da escola na minha época, eu não podia cantar o Hino Nacional ou prestar um juramento à bandeira sem sentir que estava participando de uma pantomima. A gente ria às escondidas, fazia piadas, compunha paródias escabrosas.
Os símbolos do patriotismo, para nós, eram o supra-sumo da babaquice, só igualado, de longe, pelos ritos da Igreja Católica, também abundantemente ridicularizados e parodiados entre a molecada, não raro com a cumplicidade dos pais. Os professores nos repreendiam em público, mas, em segredo, participavam da gozação geral.
Cresci, entrei no jornalismo e no Partido Comunista, frequentei rodas de intelectuais.
Fui parar longe da atmosfera da minha infância, mas, nesse ponto, o ambiente não mudou em nada: o desprezo, a chacota dos símbolos nacionais eram idênticos entre a gente letrada e a turminha do bairro.
Na verdade, eram até piores, porque vinham reforçados pelo prestígio de atitudes cultas e esclarecidas. Graciliano Ramos, o grande Graciliano Ramos, glória do Partidão, não escrevera que o Hino era "uma estupidez"?
Mais tarde, quando conheci os EUA, levei um choque. Tudo aquilo que para nós era uma palhaçada hipócrita os americanos levavam infinitamente a sério.
Eles eram sinceramente patriotas, tinham um autêntico sentimento de pertinência, de uma raiz histórica que se prolongava nos frutos do presente, e viam os símbolos nacionais não como um convencionalismo oficial, mas como uma expressão materializada desse sentimento.
E não imaginem que isso tivesse algo a ver com riqueza e bem-estar social. Mesmo pobres e discriminados se sentiam profundamente americanos, orgulhosamente americanos, e, em vez de ter raiva da pátria porque ela os tratava mal, consideravam que os seus problemas eram causados apenas por maus políticos que traíam os ideais americanos.
Correspondi-me durante anos com uma moça negra de Birmingham, Alabama. Ali não era bem o lugar para uma moça negra se sentir muito à vontade, não é mesmo?
Mas se vocês vissem com que afeição, com que entusiasmo ela falava do seu país! E não só do seu país: também da sua igreja, da sua Bíblia, do seu Jesus. Em nenhum momento a lembrança do racismo parecia macular em nada a imagem que ela tinha da sua pátria.
A América não tinha culpa de nada. A América era grande, bela, generosa. A maldade de uns quantos não podia afetar isso em nada. Ouvi-la falar me matava de vergonha.
Se alguém no Brasil dissesse essas coisas, seria exposto imediatamente ao ridículo, expelido do ambiente como um idiota-mor ou condenado como reacionário um integralista, um fascista.
Só dois grupos, neste país, falavam do Brasil no tom afetuoso e confiante com que os americanos falavam da América.
O primeiro era os imigrantes: russos, húngaros, poloneses, judeus, alemães, romenos. Tinham escapado ao terror e à miséria de uma das grandes tiranias do século (alguns, das duas), e proclamavam, sem sombra de fingimento: "Este é um país abençoado!" Ouvindo-nos falar mal da nossa terra, protestavam: "Vocês são doidos.
Não sabem o que têm nas mãos". Eles tinham visto coisas que nós não imaginávamos, mediam a vida humana numa outra escala, para nós aparentemente inacessível. Falávamos de miséria, eles respondiam: "Vocês não sabem o que é miséria".Falávamos de ditadura, eles riam: "Vocês não sabem o que é ditadura".

No começo isso me ofendia. "Eles acham que sabem tudo", dizia com meus botões.Foi preciso que eu estudasse muito, vivesse muito, viajasse muito, para entender que tinha razão, mais razão do que então eu poderia imaginar.
A partir do momento em que entendi isso, tornei-me tão esquisito, para meus conterrâneos como um estoniano ou húngaro, com sua fala embrulhada e seu inexplicável entusiasmo pelo Brasil, eram então esquisitos para mim.
Digo, por exemplo, que um país onde um mendigo pode comer diariamente um frango assado por dois dólares é um país abençoado, e as pessoas querem me bater.
Não imaginam o que possa ter sido sonhar com um frango na Rússia, na Alemanha, na Polônia, e alimentar-se de frangos oníricos.
Elas acreditam que em Cuba os frangos dão em árvores e são propriedade pública. Aqueles velhos imigrantes tinham razão: o brasileiro está fora do mundo, tem uma medida errada da realidade.
O outro grupo onde encontrei um patriotismo autêntico foi aquele que, sem conhecê-lo, sem saber nada sobre ele exceto o que ouvia de seus inimigos, mais temi e abominei durante duas décadas: os militares.
Caí no meio deles por mero acaso, por ocasião de um serviço editorial que prestava para a Odebrecht que me pôs temporariamente de editor de texto de um volumoso tratado O Exército na História do Brasil.
A primeira coisa que me impressionou entre os militares foi sua preocupação sincera, quase obsessiva, com os destinos do Brasil.
Eles discutiam os problemas brasileiros como quem tivesse em mãos a responsabilidade pessoal de resolvê-los. Quem os ouvisse sem saber que eram militares teriam a impressão de estar diante de candidatos em plena campanha eleitoral, lutando por seus programas de governo e esperando subir nas pesquisas junto com a aprovação pública de suas propostas.
Quando me ocorreu que nenhum daqueles homens tinha outra expectativa ou possibilidade de ascensão social senão as promoções que automaticamente lhes viriam no quadro de carreira, no cume das quais nada mais os esperava senão a metade de um salário de jornalista médio percebi que seu interesse pelas questões nacionais era totalmente independente da busca de qualquer vantagem pessoal.
Eles simplesmente eram patriotas, tinham o amor ao território, ao passado histórico, à identidade cultural, ao patrimônio do país, e consideravam que era do seu dever lutar por essas coisas, mesmo seguros de que nada ganhariam com isso senão antipatias e gozações.
Do mesmo modo, viam os símbolos nacionais - o hino, a bandeira, as armas da República - como condensações materiais dos valores que defendiam e do sentido de vida que tinham escolhido. Eles eram, enfim, "americanos" na sua maneira de amar a pátria sem inibições.
Procurando explicar as razões desse fenômeno, o próprio texto no qual vinha trabalhando me forneceu uma pista.
O Brasil nascera como entendida histórica na Batalha dos Guararapes, expandira-se e consolidara sua unidade territorial ao sabor de campanhas militares e alcançara pela primeira vez, um sentimento de unidade autoconsciente por ocasião da Guerra do Paraguai, uma onda de entusiasmo patriótico hoje dificilmente imaginável.
Ora, que é o amor à pátria, quando autêntico e não convencional, senão a recordação de uma epopeia vivida em comum?
Na sociedade civil, a memória dos feitos históricos perdera-se, dissolvida sob o impacto de revoluções e golpes de Estado, das modernizações desaculturantes, das modas avassaladoras, da imigração, das revoluções psicológicas introduzidas pela mídia.
Só os militares, por força da continuidade imutável das suas instituições e do seu modo de existência, haviam conservado a memória viva da construção nacional.
O que para os outros eram datas e nomes em livros didáticos de uma chatice sem par, para eles era a sua própria história, a herança de lutas, sofrimentos e vitórias compartilhadas, o terreno de onde brotava o sentido de suas vidas.
O sentimento de "Brasil", que para os outros era uma excitação epidérmica somente renovada por ocasião do carnaval ou de jogos de futebol (e já houve até quem pretendesse construir sobre essa base lúdica um grotesco simulacro de identidade nacional), era para eles o alimento diário, a consciência permanentemente renovada dos elos entre passado, presente e futuro.
Só os militares eram patriotas porque só os militares tinham consciência da história da pátria como sua história pessoal.
Daí também outra diferença. A sociedade civil, desconjuntada e atomizada, é anormalmente vulnerável a mutações psicológicas que induzidas do Exterior ou forçadas por grupos de ambiciosos intelectuais ativistas apagam do dia para a noite a memória dos acontecimentos históricos e falseiam por completo a sua imagem do passado.
De uma geração para outra, os registros desaparecem, o rosto dos personagens é alterado, o sentido todo do conjunto se perde para ser substituído, do dia para a noite, pela fantasia inventada que se adapte melhor aos novos padrões de verossimilhança impostos pela repetição de slogans e frases-feitas.
Toda a diferença entre o que se lê hoje na mídia sobre o regime militar e os fatos revelados no site de Ternuma vem disso. Até o começo da década de 80, nenhum brasileiro, por mais esquerdista que fosse, ignorava que havia uma revolução comunista em curso, que essa revolução sempre tivera respaldo estratégico e financeiro de Cuba e da URSS, que ele havia atravessado maus bocados em 1964 e tentara se rearticular mediante as guerrilhas, sendo novamente derrotada.
Mesmo o mais hipócrita dos comunistas, discursando em favor da "democracia", sabia perfeitamente a nuance discretamente subentendida nessa palavra, isto é, sabia que não lutava por democracia nenhuma, mas pelo comunismo cubano e soviético, segundo as diretrizes da Conferência Tricontinental de Havana.
Passada uma geração tudo isso se apagou. A juventude, hoje, acredita piamente que não havia revolução comunista nenhuma, que o governo João Goulart era apenas um governo normal eleito constitucionalmente, que os terroristas da década de 70 eram patriotas brasileiros lutando pela liberdade e pela democracia.
No Brasil, a multidão não tem memória própria. Sua vida é muito descontínua, cortada por súbitas mutações modernizadoras, não compensadas por nenhum daqueles fatores de continuidade que preservava a identidade histórica do meio militar.
Não há cultura doméstica, tradições nacionais, símbolos de continuidade familiar. A memória coletiva está inteiramente a mercê de duas forças estranhas: a mídia e o sistema nacional de ensino.
Quem dominar esses dois canais mudará o passado, falseará o presente e colocará o povo no rumo de um futuro fictício. Por isso o site de Ternuma é algo mais que a reconstituição de detalhes omitidos pela mídia.
É uma contribuição preciosa à reconquista da verdadeira perspectiva histórica de conjunto, roubada da memória brasileira por manipuladores maquiavélicos, oportunistas levianos e tagarelas sem consciência.
Perguntam-me se essa contribuição vem dos militares? Bem, de quem mais poderia vir?

Olavo de Carvalho – Jornalista, Filósofo e Cientista Político.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

TURISMO | Fugindo das altas tarifas aéreas, turistas retomam viagens de navio a Belém

Uma das dicas para quem vai encarar muitas horas a bordo de um navio na rota entre Santana e Belém é ir para o deck panorâmico, pois a vista do rio-mar ajuda a passar o tempo, além das outras atrações a bordo.
Cleber Barbosa
Da Redação

A alta dos preços das passagens aéreas tem feito muita gente procurar a agenda e buscar os contatos de algumas empresas que (ainda) operam viagens de navio na rota entre Macapá e Belém. Na verdade as viagens partem mesmo é de Santana, principal entreposto portuário do estado. O fato é que quem optou por resgatar uma antiga tradição dos períodos de férias escolares – julho e dezembro – diz não ter se arrependido, pois ainda tem um certo charme passar quase 24 horas singrando o ‘rio-mar’ a bordo de navios munidos de camarotes, deck panorâmico, música ao vivo e até um bom e velho chuveiro para matar o calor.
O presidente do Sindicato dos Guias de Turismo do Amapá (Singtur-AP), Claudomir Facundes, diz que por algum tempo essas viagens foram deixadas de lado, devido às facilidades que a aviação proporcionou, com maior oferta de voos e, por consequência, da diminuição do custo. “É claro que o avião é mais prático, afinal são apenas 35 minutos de voo até Belém, mas para quem está de férias ainda é uma boa opção de lazer viajar de navio sim”, diz o especialista.
Ele diz que especialmente turistas de outros estados e também estrangeiros ficam fascinados com a possibilidade de navegar pelo maior rio do mundo. “Sim, o Rio Amazonas ainda é a maior referência para os turistas, a fama dele corre o mundo e poder navegar nele é algo marcante para essa gente que vem de longe para ao menos molhar o pé no rio”, diz, descontraído, o guia de turismo.

Descontração
Se a principal desvantagem do navio em relação ao avião é o tempo maior para vencer o trajeto entre Santana e Belém, as empresas de navegação investem em entretenimento para seus passageiros, uma forma de ajudar a nem perceber as muitas horas. Boa comida, bar, camarote, deck com vista para a natureza, música ao vivo e muita área para atar uma rede são algumas dessas alternativas.

Nostalgia
Durante a semana, um grupo de amigos e familiares decidiu que essas férias iriam resgatar aquela velha tradição de viajar entre Belém e Santana de navio. “É que como não tínhamos faculdade aqui os jovens tinham que ir para outros estados estudar e na época de julho e dezembro todo mundo se encontrava nas viagens de navio”, recorda a professora Regina Nunes. Ela cita dois navios que pertenciam ao Governo do Território do Amapá, o Comandante Solon e o Comandante Idalino, como as grandes atrações das viagens de férias ou de volta pra casa.

Possibilidades para se modernizar a frota

Há quem acredite no resgate do setor de navegação, especialmente na rota para Belém. Gente como o empresário Caetano Soares Pinto, da Master Marine, uma das maiores fabricantes de iates de alto luxo em operação no país. Ele diz que o capital sempre corre atrás do mercado, então se o setor realmente passar por mudanças, logo virão também novas tecnologias. Ele lembra que houve iniciativas de colocar em operação embarcações mais modernas, chamadas de catamarã, na rota para Belém. “Essas embarcações são velozes, possuem sistema de segurança de navegação composto por equipamentos como radar, GPS, rádio VHF, AIS, que é um sistema de monitoramento similar ao de aviões, entre outros itens”, diz o especialista.
Mas os catamarãs acabaram não vingando por aqui, nos anos 90, pois o Rio Amazonas possui muitos obstáculos (naturais e artificiais), como lixo e restos de árvores, o que chegou a provocar alguns incidentes com as embarcações mais rápidas. Uma viagem nelas reduzia drasticamente o tempo para se chegar a Belém, de 24 para apenas 8 horas. Em outros lugares deu certo, como no Rio de Janeiro, em substituição às velhas barcas da travessia Rio-Niterói.

De rede, ouvindo música, dançando, ou simplesmente olhando o rio

O empresário Claudio Cavalcante, que possui uma fábrica de palmitos orgânicos de açaí em Santana, diz que a primeira vez que viajou de barco no Amapá foi no final da década de 80, numa viagem até o arquipélago do Bailique. Diz que colocou um estoque de fitas K-7 na bolsa e carregamento extra de pilhas para seu walkman. Foram inúmeras idas e vindas ao camarote, ao passadiço, ao banheiro, ao deck, enfim, verdadeira romaria para ver passar o tempo. “Enquanto isso os outros passageiros contavam piadas e outras histórias, conversavam a viagem toda e quando desembarcamos no destino estavam do mesmo jeito, enquanto eu estava morto”, diz, rindo e resignado Cláudio.
A partir de então, conta, passou a entender o espírito da coisa, conseguindo aproveitar muito mais a paisagem, a comida e a companhia a bordo. “Hoje sou absolutamente apaixonado por viajar de navio, de barco ou lancha, pois isso proporciona um contato único com a natureza intocada do Amapá”, diz o empresário, que costuma oferecer passeios do tipo ‘river tour’ para amigos, clientes e investidores.

Custos
Já o empresário Olavo Almeida, que por muitos anos atuou na rota Santana/Belém com os navios da Souzamar, diz que embora o setor de aviação ande muito caro, consequência do cancelamento de voos para Macapá, não é possível se afirmar que isso possa ressuscitar o mercado da navegação. “Os custos das embarcações são altos demais, especialmente com o combustível e a tabela marítima de salários. Como o comércio não está encomendando mercadorias como antes, não existe o frete de Belém para Santana”, diz o empresário, que complementa afirmando que “só passageiros não pagam os custos de uma viagem de navio”.

Curiosidades

- O custo médio de uma passagem de navio para um passageiro que viaja de rede é de R$ 130;
- Já um camarote para quatro pessoas sai em torno de R$ 600 segundo o Singtur-AP.
- Atualmente as empresas que operam na rota entre Santana (AP) e Belém (PA) oferecem quatro viagens semanais na rota, ou seja, partidas e chegadas dia sim, dia não.
24horas
Tempo de viagem de navio entre Santana e Belém.

Comandante Solon

domingo, 11 de fevereiro de 2018

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, domingo, dia 11 de fevereiro de 2018.


Unidade

O presidente da Fecomércio, Eliezir Viterbino, foi ontem ao rádio, para avaliar a mobilização de empresários e lideranças políticas locais à Brasília, durante a semana. Foi para forçar a derrubada do veto de Temer à Lei do Refis das Micro e Pequenas Empresas.

Força

Viterbino diz que a Frente Parlamentar em Defesa das Micro e Pequenas Empresas reúne 308 parlamentares no Congresso Nacional. De todas as empresas do país, 98% são classificadas como micros ou pequenas.

Empregos

Essa pressão não é à toa, pois o setor gera 54% dos empregos do Brasil. “Esses números, por si só, já mostram a relevância do tema”, argumenta Viter, que também dirige a Agência Amapá de Desenvolvimento.

Berlinda

Em uma semana de turbulência no Parlamento Estadual, tendo como protagonista o novel deputado Haroldo Abdon, eis que desaba sobre sua cabeça a possibilidade de voltar à suplência da deputada Mira Rocha.

Choque

É que um ministro do STJ concedeu liminar com efeito suspensivo a recurso especial interposto pela defesa de Mira Rocha. Abdon vem em rota de colisão com os mais antigos – e poderosos – da Casa.

Petrolina
O presidente da Cooperativa Garimpeira Estadual, Chico Nogueira, na foto com o ministro das minas e energia, Fernando Coelho Filho, em Pernambuco. Na pauta, o pleito dos trabalhadores que aspiram reabrir a atividade por aqui, depois de uma crise gerada desde as últimas operações da União no estado do Amapá.

Agro

A primeira estimativa de 2018 para a safra amapaense de cereais, leguminosas e oleaginosas totalizou 62.905 toneladas, resultado 7,3% superior ao obtido em 2017 (58.608 toneladas), representando aumento de 4.297 toneladas. Soja, o principal produto deste grupo, representa 92,6%.

Alimentos

Em relação ao ano anterior, o IBGE diz que houve acréscimo de 6,9% na área da soja, de 1,2% na área de milho, de 8,9% na área de arroz e de 7,4% na área de feijão. Quanto à produção, devem ocorrer acréscimos de 7,1% para a soja, 3,9% para o milho, 18,2% para o arroz e de 10,7% para o feijão.

IBGE

O levantamento é uma pesquisa mensal de previsão e acompanhamento das safras dos principais produtos agrícolas, cujas informações são obtidas por intermédio das comissões municipais e/ou regionais, consolidadas em nível estadual pela Coordenação de Estatística.

ENTREVISTA | “Durante tempos os homens se comportaram como predadores sexuais”

Em pleno Carnaval, o Brasil tenta blindar as mulheres com várias iniciativas contra o assédio sexual. Na verdade o mundo discute o problema, desde o caso Harvey Weinstein, em Hollywood, e ainda os episódios de abuso no transporte público, no Brasil. Porém, a primeira semana de 2018 trouxe respostas inesperadas para o grito de basta das vítimas: Catherine Deneuve e mais 99 francesas assinaram uma espécie de manifesto a favor da “liberdade de incomodar” como algo “indispensável para a liberdade sexual”, enquanto por aqui, um texto de Danuza Leão, publicado pelo jornal “O Globo”, dizia que “toda mulher deveria ser assediada, pelo menos, três vezes por semana para ser feliz”. Heloísa Buarque, especialista da USP, tem sido a fonte da imprensa para analisar o problema, sob a ótica da ciência.

Edição Cleber Barbosa
Texto Natacha Cortêz, do Uol

Blog do Cleber – Sobre as lendas sociais que cercam os gêneros feminino e masculino, por exemplo, a de que homens não se controlam: de onde elas vêm?
Heloisa – Assédio não tem a ver apenas com gênero, mas também com concepções de sexualidade. Durante muito tempo, foi naturalizado, no Brasil, o fato de os homens se comportarem como predadores sexuais, e isso seria positivo, um sinal de masculinidade, de virilidade e de força. Essas lendas vêm dessa naturalização.
Blog – Mas a naturalização traz consequências, certo?
Heloisa – A naturalização em si é um problema. Ela diz que mulher e homem são desiguais e não há nada que possamos fazer. Ela coloca as mulheres em um lugar de inferioridade e de diferenças irredutíveis. Mas, se fôssemos só natureza, as mulheres seriam todas iguais entre si, assim como os homens. E há não só diferenças históricas e culturais, mas também diferenças de contexto social: de classe, raça, religião, geração/idade, região de moradia (viver no meio urbano ou rural). Mulheres pobres e negras no Brasil nunca puderam se dar ao luxo de ser o “sexo frágil”. Muitas delas são fortes, inclusive fisicamente, trabalham no pesado, como as domésticas do país.
Blog – Como podemos explicar o conceito de gênero?
Heloisa – Gênero trata das diferenças sociais, culturais e históricas entre homens e mulheres. Fala tanto de desigualdades que são naturalizadas em nossa cultura quanto de comportamentos, profissões e espaços. Em certas sociedades, o tear é feminino, em outras, masculino. Há profissões e atitudes que mudam de status. No Brasil, a enfermagem e a educação foram profissões que se desvalorizaram ao se tornarem cada vez mais femininas, seja por terem mais mulheres ou por serem associadas a comportamentos e atitudes considerados femininos.
Blog – Mas isso tudo é aprendizado cultural?
Heloisa – Sim. No caso da enfermagem, por exemplo, ninguém nasce sabendo cuidar dos outros, não é decorrência do corpo, mas de processos sociais. Damos bonecas e ensinamos as meninas a cuidarem, dar banho, ao passo, que os meninos são ensinados a lutar e a jogar bola. A teoria de gênero mostra que as coisas têm uma história e não decorrem da natureza do homem ou da mulher. Não é o corpo nem a biologia que determina.
Blog – Sobre a carta das francesas, existe um abismo cultural entre nós e elas? Podemos dizer que ser mulher no Brasil é mais árduo do que ser mulher na França?
Heloisa – Primeiramente, quero dizer que o texto das francesas não parece perceber a diferença entre uma paquera (algo recíproco, de interesse mútuo) e um assédio (que inclui algum tipo de pressão e ameaça), e supõe que denunciar o assédio seja algo como ser contra o sexo, ser moralista. Agora, respondendo a pergunta: a França não é tão diferente do Brasil. É um país que também tem violência contra a mulher, embora, o Brasil seja, de fato, uma das nações com dados mais alarmantes. Não dá para falar resumidamente “mulher brasileira” x mulher francesa”, porque temos mulheres muito diferentes em cada lugar. E há nesse tema do assédio, certamente, um corte geracional. Muita mulher no Brasil, como Danusa Leão, pode concordar com Deneuve. Mas as duas talvez não entendam bem o que as mais jovens estão dizendo. Elas falam de um lugar de mulheres de classe alta, que não precisam enfrentar a ameaça de serem encoxadas no metrô ou no ônibus, como acontece cotidianamente com as que andam de transporte coletivo nas grandes cidades.
Blog – O que falta para as denúncias de assédio acontecerem no Brasil como estão acontecendo fortemente em Hollywood?
Heloisa – No Brasil, denunciar violência sexual é muito difícil porque, na maioria dos casos, os acusados sequer são processados. É muito comum que se responsabilize a vítima e que esta se sinta culpada e, por isso, não denuncie.
Blog – Você se graduou em Ciências Sociais, fez mestrado em Antropologia e doutorado também em Ciências Sociais. Quando surgiu seu interesse para atuar em pesquisas referentes a questões de gênero?
Heloísa – Quando eu fiz o meu mestrado em antropologia, na USP, fiz um estudo de recepção sobre cinema, entrevistando pessoas que tinham sido jovens em São Paulo nos anos 40 e 50 e tinham vivido a época áurea dos cinemas, das grandes salas de cinema no centro, ou nos bairros. Naquele trabalho, percebi que as trajetórias e experiências variavam muito entre homens e mulheres, e entre diferentes classes sociais. A questão de gênero ficou pendente na minha dissertação, eu não soube muito como interpretar essas diferenças, embora as notasse empiricamente. Foi por isso que estudei a área de “Família e Gênero”, do doutorado em Ciências Sociais na Unicamp, para poder entender melhor essa temática. No fundo, é também uma questão política – sempre fui muito defensora dos direitos das mulheres e sempre questionei as desigualdades. Mas quis refletir sobre o tema também na pesquisa, e isso virou central no meu doutorado que era sobre a interação do público com uma telenovela. No doutorado, eu fiz um projeto que se desdobrava de uma pesquisa mais ampla que eu tinha feito quando trabalhei no CEBRAP (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento), que tratava da relação entre novelas e mudanças sociais associadas à família, gênero e reprodução.
Blog – O machismo é um dos grandes problemas enfrentados pelas mulheres até os dias de hoje, sobretudo em relação a algumas profissões no mercado de trabalho e em algumas culturas. A seu ver, por que ele ainda persiste em nossa cultura, em pleno século XXI?
Heloísa – Ainda há muito machismo no Brasil e no mundo. Algumas coisas ainda me chocam muito. O nível de violência doméstica ainda é muito alto no Brasil. Ainda se acha normal que o homem (veja, essa é uma construção cultural de gênero) seja agressivo em algumas ocasiões. Assim como na sexualidade, em que o impulso sexual é naturalizado para os homens: eles são vistos como “naturalmente” infiéis, por exemplo. Mas voltando à questão da violência doméstica, ainda se imagina que uma mulher pode ficar chata e “mereça” apanhar, e que deve aguentar calada. E é por isso que fizemos uma lei mais dura, a chama “lei Maria da Penha”. Temos ainda muitos casos de mulheres que denunciam a violência do (ex) companheiro, e a polícia ainda não leva isso a sério. Depois vemos essas notícias de assassinatos brutais, descobre-se que a moça assassinada já vinha lutando, mas que não teve apoio nem na delegacia de mulheres. É preciso lembrar que essa violência acontece em TODAS as classes sociais. E sim, ainda há muito por vencer também no mercado de trabalho.

Colaborou: Globo Universidade

Perfil…

Entrevistada. Heloísa Buarque de Almeida é antropóloga e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas na Universidade de São Paulo (USP). Fez graduação em ciências sociais e mestrado em antropologia social, na USP, e o doutorado também em antropologia social na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entre 2014 e 2015, coordenou o programa USP Diversidade, iniciativa de combate aos casos de discriminação racial, homofóbica e de gênero, mídia, consumo, corpo e família. É da Rede Não Cala USP de professoras pelo fim da violência sexual e de gênero.

OPINIÃO | Notas da coluna ARGUMENTOS, sábado, dia 10 de fevereiro de 2018.


Toques

O Carnaval começa, muita festa, animação, alegria e descontração, claro. Mas a folia desse ano também traz muitas reflexões e trabalhos institucionais visando as mudanças comportamentais que a sociedade tanto reclama. Uma delas tem a ver com o assédio sexual.

Ação

O Governo do Estado adere à campanha nacional “Não é Não! Carnaval sem Assédio”. E a Secretaria de Políticas para as Mulheres preparou ação durante as programações de carnaval de Macapá e Santana.

Olhar

A ação tem o apoio do Tribunal de Justiça e vai produzir três mil tatuagens com a frase “Não é Não!”, para distribuir em blitzes volantes. A ação contará com equipes dos Centros de Atendimento Cram e Camuf.

Alunos

Fantasiados e dispostos a aproveitarem danças e brincadeiras, alunos da Escola do SESI, participaram de mais uma edição do Carna SESI. A tradicional festa de carnaval reuniu estudantes da Educação Infantil.

Sorte

No último sorteio da Mega-Semana de Carnaval, o concurso 2.013 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 70 milhões neste sábado. O sorteio será realizado no Caminhão da Sorte bem ali em Santana.

Folia
Tem mensagem de cunho social também no Bloco do Abel, esse rapaz de barba muito bem acompanhado da foto. A inclusão, como também a difusão de informações sobre o autismo estão na mobilização que o bloco de Carnaval que leva seu nome trabalha este ano. Esse registro foi de audiência no Parlamento Estadual, esta semana.

Rios

Comunidades atingidas por problemas decorrentes do funcionamento das usinas hidrelétricas Cachoeira Caldeirão e Ferreira Gomes Energia foram ouvidas durante a semana pelo procurador da República Joaquim Cabral. As visitas são fruto de compromisso firmado pelo membro do MPF.

Oitivas

Em dois dias (6 e 7), foram ouvidos pescadores artesanais, agroextrativistas da Associação Bom Sucesso e assentados do Manoel Jacinto, em Porto Grande, e ribeirinhos das comunidades Paredão e Caldeirão, em Ferreira Gomes. O MPF tem esse trabalho com os ribeirinhos e assentados, desde o fim do ano passado.

Natureza

Em Porto Grande, assentados, agroextrativistas, ribeirinhos e moradores da cidade relataram degradação do meio ambiente e comprometimento da qualidade da água que consomem. Segundo eles, as inundações no período de chuvas – agravadas pela existência da barragem.


TURISMO | Mensagem da Abav Nacional sobre o Carnaval 2018!


JUSTIÇA | Amigos relembram que advogado amapaense já concorreu a Tribunal Federal

Marcelo Porpino Nunes, no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
O advogado amapaense Marcelo Porpino Nunes já teve o nome selecionado num rigoroso processo de escolha da lista sêxtupla, em 2015, que dá à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) uma cadeira na composição de um dos principais tribunais federais do país – pelo chamado Quinto Constitucional – no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.
Em uma rede social, neste feriadão, amigos do causídico amapaense falaram do orgulho de ver um amapaense representar o Amapá e a Região Norte na disputa da OAB Nacional, para compor o Egrégio Tribunal Regional Federal da 1ª Região – que engloba Mato Grosso, Acre, Amazonas, Amapá, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantis.
O advogado Hércules Fajoses foi eleito o novo desembargador federal. Já o advogado amapaense, à época, falou do orgulho de ter figurado na lista sêxtupla. "Fui escolhido pelo Conselho Federal da OAB em Brasília para integrar a lista sêxtupla acima referida. Não fui o escolhido, mas essa vitória foi da Advocacia Amapaense", completou o advogado.

O rito
As inscrições foram abertas para advogados de 14 estados brasileiros e somente seis foram os escolhidos. "Muito feliz e honrado em representar o Amapá neste complexo certame que tem por objetivo escolher o novo Desembargador do Quinto Constitucional da vaga destinada à OAB Nacional", avaliou Marcelo Porpino, logo após a disputa. 
A lista foi encaminhada para o TRF da 1ª Região que a reduziu para três nomes. Posteriormente, a lista tríplice foi encaminhada à chefe do Poder Executivo – à época Dilma Rousseff – que então, nomeou Hércules Fajoses o novo Desembargador Federal. Apoiado nos bastidores pelo então vice-presidente Michel Temer (PMDB), o advogado passou a preencher a cadeira decorrente da aposentadoria do desembargador Carlos Olavo Pacheco de Medeiros. Hércules disputava a cadeira com outros dois juristas, os advogados Gerson Ney Ribeiro Vilela Júnior e Almino Afonso.

Nota da Redação:
A direção do Blog esclarece que foi induzida a um erro logo na primeira versão deste post, após ter recebido em nossa 'Timeline' do Facebook a notícia como se atual fosse. Somente após alguns internautas terem percebido e manifestado por mensagem que o episódio era de 2015 e que alguém estaria apenas "recordando" este feito do advogado Marcelo Porpino é que atualizamos as informações, o que, indiscutivelmente, não tira o mérito e a relevância do feito dele, que atualmente até está afastado da advocacia, pois toca o cartório de registro de imóveis que pertence à sua família. Pedimos desculpas por eventuais transtornos.

O editor



sábado, 10 de fevereiro de 2018

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