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O camponês russo Redin Bogdan, de 28 anos, que chegou ao Brasil por Oiapoque, luta para ajudar a família | CB
Amapá

Do frio ao abandono: A dramática fuga de jovem russo até Oiapoque

Cleber Barbosa, da Redação

Estácio mobile

Um camponês russo, identificado como Redin Bogdan, de 28 anos, deixou as temperaturas gélidas da região de Samara, cidade localizada às margens do rio Volga e vizinha às Montanhas Zhiguli, para tentar a sorte na Europa, então viajou à França. Depois, ouviu falar de supostas oportunidades de trabalho na Guiana Francesa e arriscou tudo na aventura de atravessar o Atlântico em direção ao calor amazônico. Mas acabou deportado e deixou o departamento francês via Oiapoque, onde pode não ter encontrado o emprego dos sonhos, mas a solidariedade característica do povo do Amapá.

O rapaz contou com a acolhida de trabalhadores do comércio na cidade de Oiapoque até ser levado ao Corpo de Bombeiros Militar local. De lá, idas e vindas até a Delegacia da Polícia Federal, onde obteve permissão para permanecer no país por mais algum tempo. Ele relatou ser comum seus patrícios deixarem o país nessa época do ano – de inverno rigoroso – quando as temperaturas alcançam a casa de -33º (negativos). “Saem do país com visto de turismo e acabam ficando, batalhando empregos informais ou pequenos bicos”, diz um oficial dos Bombeiros.

Os militares trataram de checar por eventuais antecedentes criminais ou mesmo alertas internacionais dos organismos de controle, como a Interpol, mas a informação obtida pela polícia local é de que Redin Bogdan é mesmo uma pessoa de boa índole, muito trabalhador e com uma preocupação permanente de conseguir emprego aqui para enviar ajuda financeira à mãe e os irmãos na Rússia, pois sua família é tida como extremamente carente.

Documentos

No passaporte do trabalhador russo consta a recomendação da PF para deixar o país em 60 dias | Reprodução

Depois de algumas tentativas para ganhar a vida em Oiapoque, o russo recebeu mais colaborações para organizar uma nova viagem, desta vez para Macapá. Acabou sendo orientado a buscar ajuda do santanense Ismael Palito, que atua com relações internacionais e intérprete. “Nós então buscamos contato com algumas autoridades locais, como da Comissão de Relações Exteriores da Assembleia Legislativa, Governo do Estado e Prefeitura, mas até que alguma providência fosse adotada tive que abriga-lo em minha casa, onde ele passou a se alimentar e pernoitar”, explica Ismael.

Neste sábado, depois de mobilizar amigos em um grupo de WhatsApp, Ismael palito recebeu de um empresário identificado como Berlândio telefonema em que acenou para a oferta de um emprego e alojamento para o russo. A apresentação será feita na segunda-feira e Redin Bogdan fica no Amapá até quando desejar e a legislação permitir. “Felizmente surgiu mais um anjo para ajudar esse rapaz, só podemos agradecer a ele, que não queria publicidade, mas que é justo fazer esse reconhecimento a seu gesto”, concluiu.

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