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Pesquisa mede condições de trabalho para homens e mulheres no ramo da Arquitetura e Urbanismo | WEB
Sociedade

Arquitetas negras sofrem 16 vezes mais assédio sexual no trabalho

Uma pesquisa realizada pelo CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil) fez uma avaliação a respeito das condições de trabalho para homens e mulheres no ramo da Arquitetura e Urbanismo no Brasil e constatou que a maior discrepância está entre o assédio (sexual e moral) sofrido no ambiente de trabalho: 31% das mulheres participantes relatam terem sido vítimas de assédio moral, contra 18% dos homens.

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Já 8% das mulheres afirmaram ter sofrido assédio sexual, contra 1% dos homens. E não só isso: quando analisados os dados a partir do perfil étnico dos participantes, a discrepância é ainda maior, com as mulheres negras sofrendo 16 vezes mais assédio sexual do que homens brancos enquanto trabalhavam. A diferença salarial entre homens e mulheres dentro do ramo também segue o mesmo padrão: considerando apenas o gênero, homens ganham, aproximadamente, R$ 1.700 a mais do que mulheres.

Entre mulheres negras e homens brancos, novamente, a diferença é ainda maior, com o salário delas sendo quase metade do que ganham os colegas masculinos e brancos.

O levantamento é o 1º Diagnóstico da Comissão Temporária de Equidade de Gênero do CAU/BR. A pesquisa foi feita entre julho de 2019 e fevereiro de 2020 com 987 profissionais, sendo 767 mulheres e 208 homens. A pesquisa mostra um cenário dentro da Arquitetura e Urbanismo que, em geral, ainda tende a prejudicar mulheres, negros e negras e LGBTs. Além das situações de assédio, a progressão de carreira também é mais difícil para estes grupos em comparação com homens brancos exercendo a mesma profissão.

Segundo as respostas enviadas, nos escritórios de arquitetura existem mais profissionais mulheres do que homens, porém a maior parte dos superiores imediatos daqueles que responderam à pesquisa eram homens. “Um número também maior de homens (43%) informou já ter sido promovido a um cargo de chefia do que mulheres (38%)”, diz o relatório. A média salarial de um homem branco, na pesquisa, foi de R$ 6565,61 enquanto para as profissionais negras, este número foi de R$ 3436,15.

Os dados são acompanhados de relatos anônimos que narram situações corriqueiras nas quais as mulheres são subestimadas e precisam ouvir conceitos básicos de arquitetura e urbanismo de colegas homens na profissão.

Arquitetas negras sofrem 16 vezes mais assédio sexual no trabalho do que homens brancos, diz pesquisa (Foto: Reprodução / CAU/BR)
Com relação aos profissionais LGBTs, a publicação destaca que as mulheres também são o grupo mais frágil mesmo dentro da população LGBT+, já que são as que menos se sentem seguras nas regiões onde moram. O CAU /BR destaca, ainda uma matéria da publicação britânica Architects’ Journal, onde a revista constata que o ambiente de obras é o local onde os arquitetos e as arquitetas LGBT+ têm mais receio em assumir a sua orientação sexual e que o cenário da homofobia na profissão se intensificou nos últimos anos no Reino Unido.

Mesmo com toda a situação de discrepância, a pesquisa do CAU / BR também mostra que tal desigualdade não é evidente para todos: apesar de quase 90% dos entrevistados concordarem que o CAU deve promover a equidade de gênero, homens apresentaram mais resistência à ideia e 1,7 vezes mais homens do que mulheres são contrários a qualquer tipo de ação por parte do CAU nesta esfera. A pesquisa conclui, ainda, que as mulheres negras e mulheres com filhos (principalmente na primeira infância) fazem parte do grupo de profissionais que encontra maiores obstáculos ao longo da carreira e que os índices de assédio e violência sexual contra mulheres na profissão devem ser alvo de uma política corretiva.

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