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domingo, 19 de novembro de 2017

TURISMO | O porquê da repaginada reforma da Pedra do Guindaste e São José

A Pedra do Guindaste com a imagem do padroeiro São José | Foto: Redescobrimento
Cleber Barbosa
da Redação

Vem de longe uma discussão a respeito da posição da imagem de São José – padroeiro do Amapá – no monumento conhecido como Pedra do Guindaste, na orla de Macapá. Segundo o movimento que encabeça o projeto de revitalização de um dos principais cartões-postais da cidade, será a oportunidade para se reparar um erro histórico e virar a imagem de frente para a capital do estado e não mais deixa-lo de costas como está hoje.
O pedido de ajuda para a restauração do monumento partiu da própria Diocese de Macapá, através de carta enviada pelo Bispo Dom Pedro Conti ao presidente da Associação Comercial e Industrial do Amapá (ACIA), empresário Altair Pereira. “A Diocese está preocupada com a situação do monumento, o qual corre o risco de desmoronamento, daí a proposta da reforma e possível aumento na altura e dimensão do cilindro de concreto, bem como a substituição por outra escultura de São José”, diz o bispo no documento.

Mobilização
O presidente da ACIA Altair Pereira e o bispo de Macapá Dom Pedro Conti
O presidente da ACIA não só acatou a sugestão do religioso como está aprimorando o projeto. “Relatei essa solicitação ao governador Waldez Góes, que também abraçou a causa e tirou encaminhamentos importantes como medidas que irão agregar ainda mais ao projeto, sob a coordenação do arquiteto e urbanista Alcyr Matos, que é secretário de Desenvolvimento das Cidades”, diz Altair Pereira.
O poder público, via Governo do Estado, ficará responsável pelas intervenções no entorno da Pedra do Guindaste, que ganhará uma passarela anexa ao Trapiche Eliezer Levy, que permitirá aos turistas e moradores da cidade acesso às proximidades do monumento, mesmo com a maré cheia. “Achei essa uma solução fantástica, pois muita gente faz sacrifício para ir até próximo ao santo, mas só quando a maré baixa e agora poderá fazê-lo a qualquer tempo, tirando fotos em frente à imagem do padroeiro”, diz Pereira.
Os trabalhos de confecção da nova imagem já começaram no fim de semana, sendo executados pelo artista plástico e escultor Lindomar Plácido da Costa. “A nova imagem terá três metros de altura e será ainda mais fiel àquilo que está nas escrituras, com o menino Jesus no seu colo e um ramo de lírio na mão direita; além disso, estará de frente para a cidade e muito bem iluminada, recebendo o grande destaque que merece”, diz o presidente.

De pedra a monumento para abrigar o padroeiro
A Pedra do Guindaste é um monumento localizado bem em frente à cidade de Macapá, ao lado do Trapiche Eliezer Levy, dentro do Rio Amazonas. Trata-se de uma pedra muito grande e sobre ela encontra-se a imagem de São José abençoando a cidade, feita pelo escultor português Antônio Ferreira da Costa.
No século passado, a Pedra do Guindaste teve como finalidade servir de alvo aos exercícios de tiro dos soldados, ao lado norte da Fortaleza de São José. Mas depois acabou adquirindo valor ainda mais importante para a rotina da cidade, seja por abrigar ao complexo com o Trapiche Eliezer Levy, seja por de fato servir como um guindaste propriamente dito. Isso teria inclusive gerado o incidente fluvial que levou á substituição da antiga pedra por um artefato de concreto que passou a ser a base da imagem do santo padroeiro não só da cidade de Macapá como de todo o estado do Amapá.
A famosa pedra também é conhecida por suas lendas que fazem partem da rica cultura do caboclo amapaense.

O lado mítico da pedra do guindaste contado e cantado pela história
Uma das famosas lendas envolvendo a pedra do guindaste é contada pelos antigos moradores da antiga Rua da Praia e Igarapé das mulheres, hoje bairro de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Afirmam existir na pedra uma cobra grande, com dimensões ainda não calculadas e na maré de reponta – ou seja, quando a água do rio não está na cheia e nem na vazante – sai dali para tomar água, de maneira que a água nunca conseguiu cobrir a pedra. Se porventura, alguma autoridade tiver a infelicidade de mandar retirar a pedra do rio, a água do Amazonas subirá tanto, que Macapá toda irá para o fundo. Algo que ninguém quer, é claro!

Índia
Outra versão da lenda é que havia na tribo dos Tucujús – primeiro povo habitante dessa terra – uma índia muito bonita, apaixonada por um índio que todas as manhãs saía pela praia em busca de alimento. Quando ele saía, a namorada acompanhava-o até a praia e lá ficavam o dia todo, até o sol pousar na lagoa dos índios, quando o índio voltava, levava-a para a maloca. Isso acontecia todos os dias e começou logo a ser observado pela tribo. Num certo dia, de manhã cedo, como acontecia sempre, o índio desceu o rio pela praia e sua amada ficou à espera no local de sempre, mas aconteceu que ele não voltou. A noite chegou, a índia desesperada ainda o esperava em vão. Acocorou-se e chorou a noite toda, dias e dias, e lá morreu. No lugar de suas lágrimas nasceu a pedra com formato de corpo de mulher, que mais tarde, muitos anos depois passou a ser conhecida como Pedra do Guindaste.

* Colaborou o historiador Edgar Rodrigues


CURIOSIDADES
– Localizada em frente a cidade de Macapá ao lado do Trapiche Eliezer Levy, a pedra original foi derrubada pela colisão de um barco, em seu lugar foi construído um bloco de concreto e sobre ele uma imagem de São José – Padroeiro da Cidade de Macapá.

– Existem muitas lendas em torno da Pedra do “Guindaste”, que ao longo dos tempos vem servindo de inspiração a muitos artistas regionais.

300 metros
Distância da Pedra do Guindaste da orla.

A IMAGEM


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