Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura, política e empreendedorismo.


domingo, 22 de outubro de 2017

TURISMO | Uma viagem de jipe até a "república" do Cunani, no interior do Amapá

Cleber Barbosa 
Da Redação

Os associados do Jeep Clube de Macapá partiram numa sexta-feira para o município de Calçoene, distante cerca de 330 quilômetros de Macapá. O objetivo era visitar a Vila do Cunani, que outrora já foi chamada de República, num movimento separatista que previa sua independência desta parte do Brasil. É lá também que foi anunciada uma das maiores descobertas sobre a história do Amapá, um sítio arqueológico que seria voltado a se observar o fenômeno do Solstício. É neste cenário de história e conhecimento científico que se passa essa aventura jipeira relembrada neste domingo.

Segundo o idealizador da viagem, o piloto José Maria Esteves (foto), a maior motivação é que os associados conheçam cada vez melhor os próprios domínios do Amapá e assim se tornarem multiplicadores do enorme potencial turístico que o Estado possui.

História
O termo Cunani vem do tupi, e é um dos nomes do tucunaré, peixe da região amazônica. A atual vila de Cunani é distrito do município de Calçoene. Deve possuir cerca de 500 habitantes entre os que moram na sede e os da região ribeira. A base econômica é a pesca e a pequena agricultura. A extração de madeira é outra frente econômica, mas o trabalho é todo manual, por não existir serraria motorizada. Os meios empregados são os serrotes, manejados por dois homens, um em cima e outro em baixo da tora de madeira, suspensa quase dois metros. Este procedimento já era empregado no século XVIII, período da escravidão negra no Brasil.

A vila possui uma escola, um posto de saúde e um posto de telecomunicações. O pequeno comércio é abastecido com mercadoria trazida de Calçoene ou comprada a bordo de barcos regatões que de tempo em tempo vão entrando nos rios, aparecendo aqui e ali povoados isolados. O campo de pouso falta ser recuperado. Pode-se alcançar a vila por dois caminhos: pelo oceano, saindo de Calçoene, a viagem dura 10 horas em barco motorizado. A pé ou a cavalo, pela praia, também é possível, saindo de um lugarejo chamado Cocal.

“Por que este povoado tão pequeno e isolado despertou a cobiça de aventureiros como Jules Gross e Adolph Brezet, chegando eles a transformar essa região, por duas vezes, em república independente?”, indaga o jornalista e historiador Edgar Rodrigues. Para ele a República de Cunani não constituiu um fato isolado. A própria cobiça francesa por toda a região do Contestado se verificou ali culminando com vários conflitos armados.


Os mistérios sobre o tal “Stonehenge” amazônico
A primeira escavação em misterioso círculo de pedra no Amapá descarta tese de que seus construtores vieram do Caribe. Casal de arqueólogos da Universidade Federal de Campina Grande diz, no entanto, ainda não poder confirmar se monumento era de fato um observatório astronômico pré-histórico. O lugar já tem até nome: Parque Arqueológico do Solstício. Mas os arqueólogos que estudam o local não sabem ainda se o estranho círculo de pedras feito em Calçoene, norte do Amapá, é realmente de um antigo observatório indígena.

O que eles sabem é que as escavações no monumento, iniciadas neste ano, parecem enterrar a hipótese atual sobre a identidade de seus construtores. O círculo, de 30 metros de diâmetro, é feito de blocos de granito de até 4 metros de comprimento cada. Ainda não se sabe quando foi erguido, mas há conjuntos parecidos na Guiana Francesa com 2.000 anos de idade. Apelidado de “Stonehenge do Amapá”, em referência ao famoso círculo de pedras da Inglaterra, ele é conhecido há mais de um século – mas nunca escavado.


A história, atrações e curiosidades da ensolarada cidade de Calçoene
A história de Calçoene começa em 1893 quando, a esse tempo, foi descoberto ouro no leito de rio do mesmo nome. Com isso, a questão do Contestado Franco-Brasileiro se reacendeu, com vários conflitos envolvendo brasileiros e franceses da Caiena, culminando com a vitória dos brasileiros e a anexação da área, antes contestada pela França, ao Brasil em 1900. Assim, a atual cidade de Calçoene teve origem do movimento de garimpeiros e faiscadores do ouro.

Em 25 de maio de 1901, o decreto nº 1.021 divide o Aricari em duas regiões: Amapá e Calçoene. Após sua instalação, a Mesa de Rendas consegue arrecadar, do imposto do ouro, 224 mil réis, equivalentes ao despacho de 17 quilos desse metal, das minas de Lourenço. Nesse ano a população da sede chega a 1.600 habitantes. Em 16 de abril de 1903, é criado o Distrito de Calçoene com jurisdição no então município de Montenegro. Em 23 de maio de 1945 Calçoene é elevada a vila e, a 22 de dezembro de 1956, recebe foros de cidade (Lei nº 3.055).

Significado
A palavra Calçoene significa cunha do Norte.As principais atividades produtivas do município são a Agropecuária, a silvicultura, o extrativismo, o comércio e serviços. A garimpagem e a pesca são ocupações ainda predominantes. Município mais chuvoso do Brasil, é conhecido pelo sítio arqueológico pré-colombiano descoberto em 2005. Calçoene tem um açaí delicioso preferido por todos e é o único município do estado do Amapá que dispõe de uma praia no oceano Atlântico, a Praia do Goiabal. Destaca-se por corredeiras e recantos de entretenimento e lazer e por suas cachoeiras, como as de Asa Aberta e Firmino, localizadas em frente à sede do município.


CURIOSIDADES
– É um conjunto de pedras maciças colocadas por mãos humanas;
– É considerado a “Stonehenger” amazônica e vem sendo estudada desde 2005;
– A estrutura que lembra o círculo britânico é demarcada com blocos de granitos;
– Tem cerca de 30 metros de diâmetros e atualmente é um dos mais importantes monumentos da arqueologia do País.
2.000
Anos. É a estimativa para a idade do monumento, pois na Guiana Francesa há registros parecidos.

JIPEIROS


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contribua conosco!

PUBLICIDADE