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sexta-feira, 13 de outubro de 2017

TURISMO | Em artigo, empresário financeiro critica o aplicativo "Booking.com"

Propaganda enganosa e vista grossa

Carlos Alberto da Silva Santos*

Assistimos à menção recorrente daquilo que se entende por ‘melhores práticas’, na indústria turística. As recomendações, vindas de fontes influentes no meio, são reiteradas, de acordo com a ocasião. Tudo em nome da lembradíssima ‘compliance’, em tempos de inovações digitais. Muito bem. E na prática, o que se vê?
Não há como escamotear as práticas destoantes da Booking.com. Por mais que se esforce para não ver, o que a organização promove é ‘propaganda enganosa’, no sentido mais prosaico da expressão. O fato é que a plataforma anuncia um câmbio em valores de dólar comercial. E o consumidor, ao fazer a compra paga pelo câmbio turismo, é onerado em cerca de 4% a mais em todas as operações.
Exemplo: você faz a reserva e paga, com o cartão, uma operação no exterior. A cobrança vem em dólar turismo. Na propaganda, a Booking.com coloca o valor em reais, no câmbio comercial. No entanto, o consumidor paga em dólar turismo, cerca de 4% a mais, sem falar no IOF (Imposto de Operações Financeiras) de 6,38%.
Nesse contexto, eu diria que está mais fácil conquistar clientes com venda do aéreo do que com o terrestre. O aéreo tem estrutura robusta, as nossas negociações digitais são feitas diretamente. Mas no segmento hoteleiro, enfrentamos a concorrência desigual da Booking.com. Amparados por investimentos vultosos em ferramentas digitais, abusam da ingenuidade do comprador.
Ante os fatos relatados, cabe indagar às instituições que deveriam normatizar e regular certas regras de mercado. Entre elas, ABAV e Braztoa. Por que não se lê uma linha sequer refletindo opinião dos dirigentes setoriais a respeito do caso? Há razões plausíveis para se omitir? Afinal, como ficam as propaladas ‘boas práticas’, na prática?

*Carlos Alberto da Silva Santos é diretor proprietário da RXT Travel

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