Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura, política e empreendedorismo.


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

GASTRONOMIA | Proprietária do Flora Restaurante recebe a comenda "Garfo de Ouro"

Coube à Juliane Figueiredo Pereira, presidente da Empresa Macapaense de Turismo, a Macapatur, representando o trade turístico local, fazer a entrega do certificado do Guia Garfo de Ouro à premiadíssima Chef de Cozinha Floraci Santana do Flora Restaurante. Dona de uma história muito bonita de superação, a empreendedora recebeu emocionada a distinção. Mas não é de hoje que essa valorosa mulher tem sua trajetória de vida e carreira profissional reconhecidas.


Flora Restaurante

Em 1994, casada há menos de dois anos, com uma filha pequena e outra na barriga, Floraci Pacheco Dias vivia em tal dificuldade financeira, que até alimentar a família representava um grande sacrifício. Angustiada com as precárias condições de vida, foi buscar dentro de si a inspiração para fazer algo que pusesse solucionar os seus problemas imediatos. De uma coisa ela tinha certeza: teria que ser algo dentro do seu perfil, não tinha qualificação profissional para se lançar no mercado de trabalho, para concorrer com outros profissionais.
Dessa reflexão surgiu a ideia de trabalhar naquilo que sabia fazer como ninguém: tinha talento para cozinhar, pois sua comida foi sempre apreciada e elogiada. Começou com um pequeno negócio de venda de peixe assado e na brasa, atendendo aos trabalhadores da construção da ponte do Igarapé da Fortaleza e outros usuários da ponte, e desse esforço empreendedor nasceu o Flora Restaurante. Cada um dos seus pilares foi erguido pela força de vontade da empreendedora Floraci Pacheco Dias, que afirma que “não existe nada que valha a pena na vida, que se consiga sem muito esforço”.

Uma luz na escuridão

Em tempos muito difíceis em sua vida, Flora acordou um dia, com a ideia de instalar um pequeno fogareiro na margem da rodovia Salvador Diniz, a mais movimentada de Santana, e ali assar peixes para vender a quem se sentia na escuridão dos problemas, mostrando-lhe o novo rumo que poderia  ter sua vida. Começou a acordar às três horas da madrugada, para pegar carona com um caminhão freteiro que se dirigia diariamente ao Porto de Santana. Lá comprava o peixe fresco, trazido das altas águas do Amazonas pelos pescadores, e atravessava o dia assando e vendendo.
Embora árduo e desgastante, o trabalho de Flora começava a lhe render bons resultados: conquistou muitos clientes, que passaram a fazer encomendas, e então sua estrutura foi se mostrando insuficiente para atender à demanda, mas o lucro era direcionado à alimentação de sua família. Flora teve então nova inspiração: fez uma rifa de sua geladeira doméstica para
Construir um espaço que media 3x4 m, onde se instalou com duas mesas e oito cadeiras, podendo assim atender melhor aos seus clientes ter um pouco mais de conforto para trabalhar.
Mas a vida continuava difícil. O trabalho só aumentava e Flora teve a necessidade de complementar sua renda com a venda de camarão regional. Comprava o produto no Porto de Santana, direto dos pescadores, e fornecia para os restaurantes e pizzarias de Macapá. Com a venda de peixe assado Fazendo sucesso cada vez mais, e com o complemento da venda de camarão, Flora pode comprar o seu primeiro carro, um Del Rei 1988, com o qual passou a ter mobilidade para trabalhar melhor.
Algum tempo e muito trabalho depois, Flora conseguiu abrir o seu primeiro restaurante, o Flor do Mar, em Santana, na margem do Igarapé da Fortaleza. Em 1999, a construção da ponte, que tem o mesmo nome, trouxe uma grande leva de trabalhadores que precisava do fornecimento de refeições. A injeção de capital vinda através dessa demanda, fiel durante todo o período  da construção da ponte, foi providencial para o restaurante, um espaço para comportar 200 lugares, tomou cadeiras, mesas e freezers emprestados e empregou pessoas da comunidade para ajudá-la a tocar o negócio. Uma de suas maiores dificuldades era a falta de mão de obra qualificada.

O amadurecimento

A participação em eventos, como a Feira do PDSA – Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá e a Feira de Alimentação da FISPAL, em São Paulo e Pernambuco, em abril de 2005, a convite do Sebrae/AP, abriu-lhe novos horizontes.
Hoje Flora participa do projeto Gastronomia no Meio do Mundo e o sucesso foi tal, que as negociações esbarraram na incapacidade imediata da empreendedora em atender demandas de maior porte.
Hoje ela tem no restaurante oito funcionários fixos e cinco diaristas que trabalham nos finais de semana. Realiza frequentes almoços com sua equipe de trabalho para manter a sintonia, o entendimento, e avaliar os erros cometidos, buscando soluções conjuntamente. Quando o faturamento mensal é bom, Flora costuma gratificar seus funcionários, por isso tem uma equipe sempre motivada e estimulada a trabalhar com eficiência.
No cardápio do Flora Restaurante estão as melhores espécies de peixe da região amazônica como: o tucunaré, a pescada, o filhote, dentre outros, assim como variados pratos criados com produtos de primeira qualidade e combinados muitas vezes com as mais exóticas frutas da região.
Mas é um conjunto de razões que mantêm o movimento do restaurante sempre em alta: os deliciosos pratos da Flora, o bom atendimento e a bela paisagem do Igarapé da Fortaleza. “Minha maior emoção é quando aos domingos vejo o restaurante cheio, lembro-me do passado e percebo que consegui vencer”, diz Flora, que graças ao seu próprio poder de empreender, hoje pode dar uma vida mais confortável aos seus oito filhos, quatro biológicos e quatro de “coração”.

Realização de um sonho

Com o restaurante bastante conhecido. Flora procurou ajuda e qualificação para atender cada vez melhor e corresponder às expectativas de sua clientela, que aumentava e se diversificava. Muitas pessoas de Macapá iam ao restaurante nos fins de semana, e como dissessem sempre “o restaurante da Flora”, o nome do estabelecimento foi trocado de Flor do Mar para Flora Restaurante.
Flora participou de cursos no Senac e Sebrae/AP, onde recebeu qualificação profissional na arte de cozinhar e também na atividade gerencial e comportamental. Esses conhecimentos, aliados ao seu talento para o preparo dos pratos, fizeram dela uma exímia cozinheira e uma excelente empresária.
Ter um restaurante entre os dois maiores municípios do Estado do Amapá: Macapá e Santana, não foi planejado, porém um acaso do destino de quem nasceu na região Amazônica.De um lado, Macapá se encerra sob o verde exuberante da Reserva Biológica da Fazendinha. Do outro, Santana principia sob a visão do Rio Amazonas. É nesta paisagem, à margem do Igarapé, por onde navegam pequenos barcos de pesca e em cujas águas as crianças atravessam as tardes a mergulhar, está o Flora Restaurante, uma construção regional que se debruça sobre as águas.
Simpática e alegre, Flora segue passo a passo seus objetivos e metas, corre riscos calculados, procurando evitar tropeços desnecessários. Tem um grande publico torcendo por seu sucesso. Certamente, estão na torcida os amantes da boa alimentação, um grupo que não pára de crescer, resultado de diferenciação no ambiente, no atendimento, na qualidade dos produtos e serviços oferecidos.

Fonte: 
Histórias de Sucesso: Mulheres de Negócios do Amapá. Macapá: Sebrae/Ap, 2007

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contribua conosco!

PUBLICIDADE