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terça-feira, 13 de junho de 2017

ENTREVISTA | “Agora será a soja, mas no futuro poderão ser outros grãos da cadeia produtiva de alimentos”

Executivo da Amcel, o brasileiro Carlos Penha, recebe o Blog do Cleber Barbosa em Santana
Em meio às comemorações pela passagem do aniversário de 40 anos de sua efetiva presença no Amapá, a Amcel (Amapá Florestal e Celulose Ltda.) faz o anúncio oficial de que topa o desafio do Governo do Amapá para diversificar sua produção. Além da celulose, agora a empresa controlada pela japonesa Nippon Paper vai utilizar uma reserva de 20 mil hectares de terras de sua propriedade para o plantio de soja. Mais que isso, a empresa mira as futuras demandas do estado e planeja disponibilizar outros grãos da cadeia produtiva de alimentos, assim como usar a biomassa do papel para a geração de energia.

Cleber Barbosa
Da Redação

Blog – A Amcel acaba de comemorar 40 anos no Amapá, então a gente gostaria que o senhor rememorasse qual o papel dessa empresa no estado?
Carlos Penha – Para mim é uma satisfação falar do Amapá, falar da Amcel, afinal eu conheço este estado a praticamente 30 anos e a Amcel está presente há 40 anos, exatamente, completados no final do ano passado. Bom, nesse tempo todo a empresa passou por mudanças de acionistas. Ela era do Grupo Caemi, passou para o Grupo Champion, depois International Paper e em 2006 passou para o Grupo Nippon Paper, que é japonês, um dos maiores de papel e celulose da Ásia. Ela vinha pensando assim que chegou ao Brasil, os japoneses, trabalhando com eucalipto, exportando cavacos, sendo o maior usuário do porto da Companhia Docas de Santana. A Amcel tem uma atividade intensa de campo, tem bastante funcionários, atividades agrícolas e florestais, reflorestamento que começa num viveiro, em Tartarugalzinho, um centro de tecnologia com produção de mudas, depois preparo de solo, enfim, atividades inerentes à silvicultura, então nós temos no estado hoje sem dúvida nenhuma uma presença maciça, com 700 funcionários trabalhando conosco, além de uma gama de prestadores de serviço de alta qualidade, com máquinas, equipamentos, serviços, então uma grande empresa sim.

Blog – E isso significa quanto em termos de injeção na economia do Amapá?
Carlos – Olha, num cálculo rápido a Amcel deixa na economia do estado sem dúvidas R$ 100 milhões por ano, sendo R$ 50 milhões em serviços e outros R$ 50 milhões em folha de pagamento com nossos colaboradores, que consomem aqui no estado.  Portanto trata-se de um volume de recursos muito grande, especialmente se pensarmos nas dificuldades econômicas que passa o Brasil, a Amcel vem mantendo suas atividades num ritmo muito bom. Mas é claro que teve anos como entre 2008 e 2011 de bastante baixa produção de venda, pois o mercado internacional esteve em crise, mas a Amcel já passou esse período, nós estamos recuperando mercado, vendendo para a Europa, começando a vender para a China o eucalipto.

Blog – E agora veio essa notícia da entrada no mercado do chamado agronegócio, com o competitivo mercado da soja. Como foi essa decisão diretor?
Carlos – É, recentemente, em conversa com o Governo do Estado, logo no início do atual governo, de uma forma bastante interessada o governador nos indagou sobre como iríamos resolver a questão da diversificação, então as empresas japonesas são muito cautelosas nas suas decisões, então uma delas foi de entrar no mercado da soja. Ora, nós temos a terra, nós temos o conhecimento da terra, então decidimos participar desse momento, quando o estado está se preparando para ser um grande produtor de soja no Brasil, daí a Amcel ter decidido, juntamente com outros produtores, em participar desse programa.

Blog – E o sistema atual, de produção de celulose, a Amcel deixa de lado ou é uma forma de diversificar sua produção?
Carlos – Não, a Amcel continuará trabalhando com eucalipto, a chamada silvicultura, na produção de cavacos, ela tem que se manter, mas continua estudando uma forma de agregar mais valor na produção de eucalipto, então alguma coisa na linha de eucalipto deve acontecer em cima dos nossos estudos, esse é o eixo, a continuidade na silvicultura, a exportação de cavacos, pensando em uma fábrica, alguma coisa na produção de energia utilizando a madeira da floresta plantada, que seria um outro eixo, e agora a entrada no agronegócio, entrando no ramo da soja. A Amcel não desistiu de procurar uma opção para agregar valor para a sua produção de commodities, ainda estamos estudando isso, como disse, os grupos japoneses são cautelosos, estudiosos nas decisões, na parte econômica, mas com certeza nessas conversas com o Governo do Estado que foram bastante produtivas, vimos todo o interesse também, o esforço do governo em buscar um caminho de produtividade para o estado.

Blog – Outra coisa que marcou também esse período foi a visita do cônsul do Japão ao Amapá, que resultou num outro evento em São Paulo, reunindo investidores japoneses. O Japão é um mercado consumidor para a soja brasileira?
Carlos – A China é o maior mercado, mas o Japão é um mercado promissor. Aliás, o mercado japonês é bastante promissor para soja e commodities do Brasil, mineração, celulose e papel, enfim, é promissor sim.

Blog – E a partir desse encontro com os investidores, existe a possibilidade do incremento dessas relações com o Brasil em especial o Amapá?
Carlos – Sim, foi muito interessante essa agenda porque o cônsul japonês encarregado dos negócios comerciais aqui na região Norte convidou o governador do estado para fazer uma explanação em São Paulo, uma exposição na Câmara de Comércio e Indústria Japonesa do Brasil. Isso foi no ano passado, e o governador fez uma excelente apresentação para 200 empresários japoneses que estavam reunidos naquele almoço, então foi uma bela oportunidade de apresentação do estado, despertando o interesse desses executivos em virem para o estado para começar a conhecer o Amapá. Nós estamos encarregados em conversar sobre esses assuntos com empresários japoneses e o Governo do Amapá. Recentemente, num encontro com o Governo do Estado, ele manifestou interesse em manter acesa esse negócio, essa conversação porque o estado tem interesse que esse pessoal venha para cá estudar as opções de mercado e negócios no Amapá.

Blog – O senhor falou que nesse mercado da soja outros produtores também estão chegando para a produção de soja, vocês pensam em se consorciar a algum deles?
Carlos – É, no porto nós já temos uma parceria com a Cianport, uma companhia que se instalou aqui para trabalhar com soja, o agronegócio, então nós já estamos compartilhando nossos sistema de carregamento, o  shiploader, que é compartilhando também com a Caramuru e a Cianport, isso vai facilitar muito, pois as empresas agora têm que se unirem, pois o porto é único, um cais só, e são poucas oportunidades de vários navios ao mesmo tempo. No campo, a Amcel começou agora com um projeto de 100 hectares, que chamamos projeto de experiência, então tudo tem que ser estudado novamente, terra, solo, clima, reação do plantio, isso tudo cientificamente. A partir daí eu não acredito que podemos nos consorciar, mas tocar por conta própria e chegar gradativamente até um nível de 20 mil hectares dentro das nossas terras com grãos, hoje fala-se em soja, mas nada impede que possa ser milho, feijão, enfim, pensando na futura cadeia de produção de alimentos no estado.

Blog – Uma outra coisa que é da sua pasta, digamos assim, são os projetos de responsabilidade social da empresa aqui no estado, especialmente nos municípios que são cortados pelo projeto da Amcel. O que dá para falar a respeito disso e do emprego de mão de obra local diretor?
Carlos – Bom, a mão de obra da Amcel, com exceção dos diretores, é toda daqui do Amapá. Algumas pessoas de fora, como eu por exemplo [risos], mas já me considero até um amapaense afinal moro aqui há mais de vinte anos. Então a mão de obra é de Santana, Tartarugalzinho, Porto Grande, enfim. A política de compras da empresa é primeiramente dirigida para o mercado local, em segundo lugar aquilo que não se acha aqui a região amazônica, Belém, por exemplo, e os demais que a gente não encontra vai até outras regiões do Brasil, como a região Sul, afinal hoje ficou muito fácil pois as companhias de navegação que trazem as compras do sul são muito boas, melhoraram a concorrência entre elas, enfim, eu acho que as condições do Amapá melhoraram muito, temos um comércio vigoroso, uma área comercial muito forte então muito promissor, especialmente depois da chegada da energia que agora temos em quantidade suficiente para desenvolver projetos, coisa que há dez anos não tinha, era um pouco temerário.

Blog– Obrigado por sua entrevista.
Carlos – Eu que agradeço, em nome da empresa, pela oportunidade e me coloco à disposição para qualquer consulta que se fizer necessária. Vamos continuar trabalhando para desenvolver a empresa e consequentemente nosso estado.

* Publicado na edição nº 20 da Revista Diário.

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