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quarta-feira, 3 de maio de 2017

ENTREVISTA | “Cada dia a demanda é maior por internet e se precisa de mais velocidade”

Ele já foi chamado até de doido pela forma arrojada com que se joga nos projetos profissionais e pela defesa de suas convicções. Mas longe disso, o empresário amapaense Carlos Batista acabou virando o papa das telecomunicações no Amapá. Um visionário, alguém à frente de seu tempo. Ele largou até a comodidade de um emprego público para arriscar tudo e se reinventar como profissional. Com forte vocação empresarial, ousou em trazer para Macapá o primeiro provedor de internet, nos anos 90. Depois, virou referência em implementos para informática, até dar o grande salto nos negócios, lançando uma linha de transmissão via rádio para conseguir o sinal de banda larga mais próximo, em Belém. Com o Linhão do Tucuruí, foi um dos primeiros a se habilitar a usar a internet de alta velocidade. Saiba mais sobre ele, a seguir.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – O senhor foi funcionário da antiga Embratel, quando aquela empresa estatal era o único meio dos moradores do Amapá se comunicarem com o mundo, via telefone, não é?
Carlos Batista – Positivo. Nós trabalhamos na Embratel de 1980 a 1990, foram dez anos, portanto, e a Embratel era realmente a única empresa que tratava de dados e também de telefonia para o estado do Amapá.

Diário – O senhor era técnico em telecomunicações?
Batista – Sou até hoje, com muito orgulho. Ando com meu alicate e minha chave de fenda na pasta, não tem jeito.

Diário – A partir daí o senhor decidiu sair da chamada zona de conforto, por assim dizer, pela estabilidade e outras prerrogativas do serviço público e decidiu ser empreendedor. Pensava em vender o que?
Batista – É, eu pedi a conta e foi uma surpresa para os meus chefes. Falavam que em mais de vinte anos de Embratel nenhum funcionário tinha pedido a conta. Chamaram-me até de doido… [risos] Mas eu estava vendo o lado empresarial, que já estava na veia, por assim dizer. Sai para fundar a empresa que existe até hoje.

Diário – Vendendo o que?
Batista – Na verdade começou com conserto de aparelhos eletrônicos, venda de componentes eletrônicos, antenas parabólicas por exemplo. Depois cresceu bastante no ramo da informática também e das telecomunicações hoje.

Diário – O senhor então foi pioneiro na questão da distribuição do sinal de internet, uma grande novidade naquela época?
Batista – Exatamente, fomos pioneiros também em prover acesso à internet, já com a Embratel fornecendo link, nós montamos um provedor já iniciando a atender a demanda que existia, numa velocidade muito baixa, 9.600k que era um negócio já muito veloz para a época. Fomos crescendo e chegamos ao que somos hoje, uma empresa de telecomunicações grande né?

Diário – Bem, mas o Amapá ainda não tinha acesso à internet de maior velocidade, a banda larga, então o senhor decidiu ir buscar em Belém, num projeto de vanguarda em que espalhou antenas repetidoras e atravessou o Marajó.
Batista – Realmente, foi um projeto muito audacioso interligar dois estados numa região muito alagada como a Ilha do Marajó, uma belíssima região. Mas nenhuma outra empresa teve a coragem de fazer o que nós fizemos indo buscar esse sinal na cidade de Belém, numa distância de quase 400 quilômetros e para isso instalando onze torres de repetição de links de micro-ondas, passando a atender Macapá com banda larga de alta velocidade já.

Diário – Até então a internet que se tinha em Macapá chegava por satélite?
Batista – Isso. Saímos de uma latência que é 600 milissegundos para 60 milissegundos, ou seja, nós ganhamos, logo de imediato, dez vezes a velocidade que se tinha antes. Então estávamos provendo a internet de altíssima velocidade que temos hoje.

Diário – Muita gente diz que não viveria hoje sem a internet. Para o senhor que veio lá de trás, das telecomunicações deficientes da Macapá de outrora, vê como esse bem valioso que é a internet?
Batista – De fato, hoje ninguém vive sem internet. E não tem como ficar sem internet. Cada dia a demanda é maior e cada dia se precisa de mais velocidade. Então o que a nossa empresa tem feito e está fazendo, é instalar uma rede de fibra ótica para a região metropolitana, que já está bastante grande, em torno de 400 quilômetros, para que nós possamos atender melhor nossa clientela.

Diário – Então seus consumidores irão migrar para um sistema em que o sinal será distribuído por cabos de fibra ótica?
Batista – Hoje nós estamos distribuindo a banda larga na capital e no interior. No início via rádio, mas como a nossa rede foi a primeira preparada para fazer a conexão com a fibra que vem com o Linhão do Tucuruí, assinamos contrato com a empresa e iniciamos a implantação dessa nova tecnologia em breve todos os nossos clientes vão ter uma capacidade muito grande e uma velocidade com estabilidade proporcionada pela fibra ótica.

Diário – Então foram conquistas importantes, saindo do satélite, indo para a via rádio e agora por meio da fibra ótica?
Batista – Positivo, tendo sempre o ganho tanto de velocidade como de capacidade. Hoje por ser o nosso backbone terrestre via link de rádio a capacidade é limitada, então a gente não pode vender outros planos com velocidade maior e o custo de manutenção também dessa rede Macapá-Belém que é alto, haja vista que você tem que atravessar de um estado para outro fazendo manutenções preventivas constantemente. Com a fibra você tem uma qualidade maior, mais estabilidade e capacidade maior também.

Diário – Essa rede que o senhor instalou pelo Marajó e também pelo interior do Amapá não deixa de prestar um serviço social também, afinal alcança onde o poder público ainda não chegou, não é?
Batista – Ah sim, isso realmente foi um ganho muito grande para as comunidades desses municípios, pois o poder público do Pará é que deveria atender essas comunidades tão distantes, mas acabou a nossa empresa fazendo esse papel social. Onde passam as nossas torres nós abrimos o sinal, atendemos prefeituras, escolas e a comunidade, que é o mais importante.

Diário – A partir do Linhão do Tucuruí o que vai acontecer com esse sistema via rádio que o senhor instalou até Belém?
Batista – Continua funcionando, fica de backup, uma reserva técnica para o caso de ocorrer algum problema na fibra do Linhão de Tucuruí, assim nós continuaremos a atender nossos clientes, sem perda de sinal, até que se restabeleça a conexão.

Diário – Qual o futuro que o senhor vislumbra para essa comunicação de dados?
Batista – Acho que é acima de tudo um direito o cidadão ter acesso a essas tecnologias. Com a chegada da fibra ótica irá reduzir muito o custo do serviço para o usuário final. Nossa proposta é reduzir o máximo esse custo para uma maior quantidade de usuários se conectarem, fazendo o que se chama de inclusão digital. Do ponto de vista comercial continuaremos inovando e acompanhando as novas tecnologias. Nosso sistema de cabos já está preparado para levar ao consumidor agora três modalidades de comunicação, a internet, a telefonia e a tv a cabo. Não podemos ficar parados vendo o bonde da história passar.

Perfil…
Entrevistado. Carlos Lima Batista tem 62 anos, nasceu em Macapá, casado há 38 anos e pai de três filhos. De origem humilde, tinha mais oitos irmãos e sempre teve vocação para o trabalho. Desde garoto buscou seu sustento, seja vendendo hortifrútis ou pequenos serviços. Tinha admiração por uma oficina de equipa-mentos eletrônicos, até abrir seu próprio negócio. Também fez carreira no serviço público, mas decidiu largar tudo e investir o dinheiro da indenização em  antenas parabólicas algo que viraria uma febre na cidade. É considerado um visionário, percebendo as inovações tecnológicas e trazendo para sua comunidade. Foi o primeiro a trazer internet de alta velocidade para o Amapá, num projeto arrojado e de vanguarda, a Web Flash.

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