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domingo, 17 de janeiro de 2016

ENTREVISTA | "O mundo vê o Amapá como aquela questão da Amazônia"

Lara Santos nos estúdios da Diário FM, concede entrevista a Cleber Barbosa
O programa Conexão Brasília de ontem (16) sabatinou a turismóloga Lara Santos, uma especialista do setor que usa de muita didática para dar dicas valiosas para que aquela viagem dos sonhos não se transforme num pesadelo para os passageiros. Em entrevista esclarecedora no rádio, a técnica amapaense revela detalhes e até armadilhas que a vendas pela internet estão criando. De clonagens de cartões de crédito a conexões absurdas em que o passageiro sai de Macapá num dia e só chega a seu destino (domético) no outro, tem de tudo no mercado paralelo do turismo. O Diário do Amapá ouviu atentamente as dicas dadas pela especialista e reproduz a seguir os principais trechos da conversa com o jornalista Cleber Barbosa, que apresenta o jornalístico.

Por Cleber Barbosa
Para o Diário do Amapá

Diário do Amapá – O Amapá tem apostado na participação de feiras e congressos de turismo em várias partes do país e até fora dele. É uma estratégia importante?
Lara Santos – Sim, eventos como a Expo Internacional de Turismo, lá em São Paulo, foi para mim um divisor de águas para mim, que estava recém-formada quando fui pela primeira vez, contratada por uma agência de viagem. Foi ali que eu realmente disse “é isso que eu quero”, pois na academia a gente vê muita teoria e pouca prática, quando não está trabalhando diretamente na área. Essa feira, promovida pela Abav [Associação Brasileira de Agências de Viagem] é um dos maiores eventos do setor em todo o mundo e nessa feira se faz muitos negócios de turismo, e a nível internacional, pois diversos países estão ali presentes para negociar entre si e com o mercado brasileiro. Lá é o termômetro do turismo para a gente saber como é que está o mercado.

Diário – Na última edição só as inscrições prévias de expositores já era garantia de sucesso. Em tempos de crise é uma grande vitrine não é?
Lara – Verdade, esses evemtpos fazem parte de uma estratégia chamada promoção e marketing.

Diário – E o fato do estado ocupar um estande num evento desse parece que faz toda a diferença, vira uma referência para a delegação que vai representar o Amapá, não é mesmo? As pessoas ainda têm pouca informação a respeito do estado como destino turístico?
Lara – Justamente. Já participei de três edições da Abav e na última, no ano passado, nos momentos que estava no estande foi assim surpreendente até o volume de pedidos de informações a nosso respeito, emissora de televisão até de fora do Brasil, canais fechados, operadoras, enfim, gente querendo saber se o Amapá tinha uma operadora de turismo, pois nós não temos. Usamos as operadoras das agências de viagem que são de fora. O que eles queriam era uma operadora daqui, que faça o receptivo daqui, que tenha ônibus, van, enfim, toda uma logística para receber bem os turistas.

Diário – Você também não gosta de falar só em potencial, em relação às possibilidades do turismo no Amapá?
Lara – Sim, também não. Mas de fato em alguns lugares aqui do estado com potencial para se alavancar o turismo, em Macapá e em outros municípios mais desenvolvidos, outros não. A gente já tem alguns produtos turísticos formatados, só para fazer alguns ajustes e colocar as coisas para funcionar. O mundo vê o Amapá como aquela questão Amazônia, eles querem vir para cá, querem conhecer o verde, a floresta, os animais exóticos, nosso linguajar, enfim, eles querem conhecer como é a realidade do amazônida.

Diário – Qual é a diferença entre uma operadora e uma agência de turismo?
Lara – Bom, eu trabalho em agência de viagem e posso dizer que nós adquirimos os pacotes que as operadoras nos oferecem, que são as passagens aéreas, hospedagem, enfim.

Diário – E quais são algumas dessas operadoras?
Lara – Ah, tem a CVC Schultz, Earth Turma, Europe, enfim, essas operadoras algumas tem um serviço receptivo em alguns estados, como a CVC que em alguns estados e municípios é muito forte, tem ônibus, van, tem tudo. Então quando se contrata um serviço de uma operadora de receptivo eles oferecem toda uma infraestrutura da operadora. Ele vai na agência só comprar esse pacote. Mas há também agências que fazem esse receptivo, só que existe toda uma classificação dentro do setor. Se nós tivéssemos uma operadora de receptivo aqui, nossa, vocês não imaginam como o turismo iria crescer.

Diário – A gente sabe que com o advento e a concorrência, digamos assim, com a internet e os aplicativos de celulares, as agências de viagem procuram ter como diferencial esse algo mais. Qual as vantagens de se comprar numa agência?
Lara – Bem, primeiro que em relação à internet ainda é muito complicado aqui, não é? Além disso, ainda estamos tendo muitos casos de fraudes envolvendo compras pela internet. Nós agentes de viagem utilizamos o sistema das operadoras, das companhias aéreas, tudo muito seguro, regularizado, principalmente em operações envolvendo compras com cartão de crédito. Já os passageiros que buscam comprar suas passagens em sites, digamos, secundários, que não convém aqui nem citar, está havendo clonagens de cartão de crédito. Se esse cliente vai a uma agência de viagem ou até nem precisa ir, nos envia um whatsapp, pois hoje está tudo mais prático com a tecnologia, a gente envia orçamento, cotação, enfim, o agente tem todo um trabalho de pesquisar horários, as melhores conexões, preço, enfim, pois a nossa malha aérea mudou bastante nos últimos tempos, não só no Amapá como em todo o país.

Diário – Tem algumas ciladas mesmo envolvendo a montagem de escalas.
Lara – Sim, tem voos que o passageiro está vendo como mais barato no site e não sabe que agora tem um voo melhor. Se você vai para o sul, por exemplo, aí tem uma conexão que se para em Guarulhos em que você tem que descer do avião, pegar sua bagagem, tomar um ônibus e ir para o aeroporto de Congonhas e só aí pegar o voo que vai pro sul. Então tem passageiro que no calor do mais barato não tem essa atenção, esse olhar que nós agentes de viagem temos. E isso pode muitas vezes representar uma grande decepção de uma viagem de férias, afinal eu sempre digo que a gente vende sonhos, então aquela viagem inesquecível tem que ser muito bem planejada e o agente de viagem monta o pacote como se você para ele próprio.

Diário – Há compras na internet que embora pareçam mais baratas oferecem opções de conexões péssimas, com o passageiro saindo de Macapá num dia e só chegando ao destino no outro. Como pode?
Lara – É isso, a malha mudou bastante e é preciso estar muito atento. Mas hoje nós já temos aqui duas companhias aéreas fazendo voos diretos para Brasília, o que é muito bom. Ganhamos essa batalha, mas perdemos outras, como a questão do voo de Caiena, mas se deus quiser acredito na volta desse voo de Macapá para a capital da Guiana Francesa, pois de lá para o Caribe é um pulo...

Diário – Verdade.
Lara – Pois é, muitos amapaenses acordaram para essa realidade e querem ir ao Caribe, afinal existem destinos como Punta Cana, na República Dominicana, Curaçao, enfim, toda a Costa aqui da América do Sul oferece excelentes opções, América Central, tudo mais. Começou a crescer a procura dos amapaenses.

Diário – E aquela velha dica de não deixar para comprar as passagens muito próximo da data da viagem, ainda é válida?
Lara – Cada vez mais válida. As melhores tarifas são encontradas com as maiores antecedências em relação ao dia programado para a viagem. E já que você falou vou logo avisando que para o Círio [da Nazaré em Belém] a hora é agora!

Diário – O Círio de outubro?
Lara – Exatamente. Estamos em janeiro e estive dando uma olhada que os preços para esse período já estão se elevando. Por isso que as pessoas que são acostumadas a viajar para lá já sabem e compram seus bilhetes em outubro do ano anterior.

Diário – Obrigado pela entrevista.
Lara – Eu que agradeço e boas férias a todos!

Perfil...

Entrevistada. A turismóloga amapaense Ana Lara Ferreira dos Santos, tem 27 anos, é formada Bacharel em Turismo pela Faculdade Seama (2010) e possui três especializações: Comunicação e Marketing Público e Empresarial (2011), também pela Faculdade Seama; Docência do Ensino Superior (2015) e em Educação Profissional (2015), ambas pelo IESAP (Macapá).  Trabalhou no Instituto do Câncer Joel Magalhães (Ijoma) e também na Diocese de Macapá, lotada na Igreja Jesus de Nazaré. Em 2013 passou a trabalhar na agência de viagem EVA Turismo e em 2013 mudou-se para a AB Turismo. Atualmente é a presidente da Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo (ABBTUr), na Seccional do Amapá da entidade. 

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