Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura, política e empreendedorismo.


segunda-feira, 18 de maio de 2015

“O Amapá já está sendo chamado lá embaixo de a última fronteira econômica do Brasil”.

O deputado federal Marcos Reátegui (PSC-AP) é tido como um dos grandes articuladores da visita de Eduardo Cunha ao Amapá, que ocorreu na sexta-feira com o projeto Câmara Itinerante. Para o parlamentar amapaense, tudo faz parte de uma estratégia de lideranças políticas locais, como seu irmão, Moisés Souza, que preside o Parlamento estadual, no sentido de carrear mais apoio em Brasília para as demandas do Amapá. Marcos Reátegui concedeu entrevista ontem ao programa Conexão Brasília, da rádio Diário FM, onde detalhou essas e outras estratégias para garantir respostas mais rápidas para as muitas demandas do estado em Brasília. Ele defende a vocação portuária do Amapá como mote para deslanchar obras de infra-estrutura que ajudem o estado a melhorar suas receitas e garantir qualidade de vida à população.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – Chamou a atenção de todos a forte articulação da bancada do Amapá junto ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que ratificou vários compromissos com o estado. Qual a avaliação que o senhor faz da visita dele a Macapá e Santana na sexta-feira?
Marcos Reátegui – Bem, essa bancada está em consonância com o tempo atual. O Amapá depois de se separar do Pará, ser transformado depois em Território [Federal] e em seguida veio para a condição de estado com a Constituição de 1988 e sempre nós tivemos as ajudas de Brasília, ajudas essas constitucionais, não eram favores. Eram simplesmente condições para que nós nos tornássemos um estado, e um estado independente. Pois bem, chegou um momento em que esses valores que são repassados para o estado se tornaram insuficientes para a manutenção do próprio estado. Daí a decisão de trazer o presidente Eduardo Cunha aqui novamente para repassar todas essas informações e contar com seu apoio.

Diário – O senhor fala sobre a dificuldade de caixa do estado, que dizem estar individado...
Marcos – Como todos sabem na administração passada do estado foram constituídos empréstimos muito grandes no BNDES, entre R$ 3 bilhões a R$ 5 bilhões. Esses valores do BNDES precisam ser pagos, afinal são empréstimos, não foram investimentos. Mas eles deveriam ter sido empregados na estruturação do estado para que ele pudesse através do desenvolvimento e da atuação empresarial ter a receita, a arrecadação para pagar esses empréstimos. Bom, não foi feito isso. A administração anterior não fez o que deveria ter sido feito e o empréstimos está aí, o prazo de carência está acabando e nós temos que passar a pagar esses valores. Então nós temos que buscar soluções agora.

Diário – Até porque se anunciavam muitas obras e serviços públicos com esse dinheiro.
Marcos – Isso. E se nós não conseguirmos utilizar bem o dinheiro emprestado, será ruim. Nós temos que ter a criatividade para fazer com que sejam alavancada as condições para quem gera riqueza, que não é o estado, são os particulares que produzem através do trabalho as riquezas, gerem essa condição para que haja um aumento na arrecadação do estado e ele possa assim pagar esses empréstimos.

Diário – Para se viabilizar, é isso?
Marcos – Como disse, tínhamos que encontrar uma maneira econômica para o estado do Amapá, agora não dá mais para esperar. E o Porto de Santana é a nossa saída, oferecida em função da condição geográfica que Deus nos deu.

Diário – Daí então essa mobilização política em torno da vocação portuária do Amapá, que em menos de quinze dias recebeu dois ministros de estado e o presidente da Câmara dos Deputados, que inclusive recebeu uma honraria no Parlamento Estadual, o que gerou mais comprometimento dele, não foi?
Marcos – Sem dúvida. Nós fizemos a parte que precisava ser feita em Brasília e o deputado Moisés Souza, que tem uma visão bem larga, abrangente mesmo sobre o que é necessário para o estado do Amapá, viu na nossa atuação que estariam prontas as condições para que a gente atue de forma moderna, como é necessário que um deputado federal atue. No meu primeiro dia de mandato, para se ter uma ideia, eu estava visitando o ministro Edinho Araújo, pedindo a ele que desse a atenção devida ao Porto de Santana, não para ajudar apenas o Amapá, mas para ajudar ao Brasil, porque o Porto de Santana vai ajudar os amapaenses, mas vai trazer divisas para o Brasil através de uma exportação muito mais fácil, com preço competitivo, porque é mais barato escoar os grãos pelo Amapá, é mais barato plantar hoje no Amapá, porque estamos mais perto dos grandes centros consumidores.

Diário – Então vem em boa hora mesmo essa sacudida no setor com a mobilização da classe política, não é?
Marcos – É, o que precisava era dessa visão mais atualizada, mais moderna desses parlamentares como o deputado Moisés Souza, que vendo essa oportunidade se aproximou do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, e fez o dever de casa, agiu com simpatia, deu a ele condições para que olhasse para o Amapá, pois como disse o próprio presidente, normalmente os olhares são voltados para o Rio, para São Paulo, especialmente, que é a locomotiva do Brasil. Mas nós, apesar de estarmos na fronteira, aqui em cima do Brasil, estamos pela primeira vez na história recebendo um presidente da Câmara dos Deputados. Aliás recebendo duas vezes, olhando para a nossa economia e buscando junto conosco saídas para o desenvolvimento do estado, para tira-lo de uma situação que ficou muito ruim com a última administração.

Diário – Para ter força de alcançar as mudanças tem que ser com esse conjunto. É por aí?
Marcos – Nós estamos vislumbrando agora, através dessa nova postura, formar um grupo de pessoas voltadas a fazer realmente, a fazer uma coisa que vai refletir diretamente na vida dos amapaenses. Aquela expressão ‘gerar emprego e renda’ que sempre foi dita sem conotação de fato, sabe? Os amapaenses apenas ouviam isso sem ver se tornar realidade. Nós estamos vendo agora caminhar nessa direção.

Diário – É uma ação coordenada, como foco e objetividade, é isso?
Marcos – Sim, pois não é um plano que não diz de onde vem e para onde vai. É um plano estratégico em que grandes autoridades do Brasil estão juntas colaborando e indicando inclusive prazos.

Diário – O próprio Eduardo Cunha falou objetivamente em demandas a serem destravadas. O que já se tem, deputado?
Marcos – Ontem nós falamos da retomada das obras do aeroporto, que durante esse período enorme ficaram sem respostas sequer. E estamos falando também de investimentos em valores vultuosos para a construção do porto que vai ser o que já está sendo chamado lá embaixo de última fronteira econômica do Brasil. Esperamos realmente colocar em prática tudo isso. Estamos trabalhando muito, dando tudo de nós, saindo muitas vezes meia-noite, uma hora da manhã do Congresso Nacional trabalhando nesse sentido. A bancada tem se unido em torno disso e tentado mostrar inclusive com a ajuda de outros parlamentares, que não posso deixar de citar, a deputada Fátima Pelaes, que é do PMDB e que tem estado junto com a gente nessa luta.

Diário – É dessa mobilização política que falávamos no início, não é? 
Marcos – Nós esperamos sim apresentar concretamente o que o povo merece e deseja: oportunidade de emprego.

Diário – Obrigado pela entrevista e parabéns por este início de mandato em Brasília.
Marcos – Obrigado. Estamos trabalhando pois a população merece respostas. Temos uma pauta importante lá na Câmara dos Deputados, inclusive relacionada à reforma política que se a gente fechar dentro do prazo ainda poderá valer para as próximas eleições com as novas regras que vamos aprovar nos próximos dias.

Perfil...

Entrevistado. O atual coordenador da Bancada Federal do Amapá no Congresso Nacional é o amapaense Marcos José Reátegui de Souza, que é advogado e delegado de carreira da Polícia Federal. Começou a carreira profissional como Gerente de Expediente do Banco do Brasil, em Macapá, entre 1990-1996; foi Assessor Jurídico do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, entre 1997-2000; Procurador do Estado do Amapá, entre os anos de 2003-2006; assumiu como Procurador Geral do Estado, na Procuradoria Geral do Estado, entre os anos 2006-2009; Delegado de Polícia Federal, tendo ingressado no Departamento de Polícia Federal, em 2009. Em 2014 disputou uma vaga para a Câmara Federal, sendo eleito pelo PSC com  12.485 votos. 

Coluna Argumentos, domingo, 17 de maio de 2015.

Retorno

Ex presidente Sarney retornou ontem da viagem aos EUA, onde foi homenageado pelo “conjunto da obra”, digamos assim, pelos vieses literário e político com que tocou as duas carreiras. Agora quer buscar espaço na agenda para viajar pelo interior do Amapá.  

Rádio

Presidente da Companhia Docas, Eider Pena, foi ao Conexão Brasília ontem. E estava feliz da vida. Em quinze dias, três altas autoridades da República estiveram lá. Mangabeira, Cunha e Edinho Araújo.      

Babado

Repercute na mídia nacional a denúncia contra o ex governador Camilo. A Radioagência Nacional, por exemplo, estampou a manchete “Ex-governador é acusado de rombo de R$ 60 milhões no Amapá”.      

Ao ponto 

Em nota, Camilo se disse tranquilo, apesar do enorme desgaste. Mas um turbilhão de denúncias sobre sua gestão começou a emergir. E para as quais a sociedade espera respostas. Investigações em curso.              

No Conexão
Assistente social, com especialização em Direito Previdenciário, a gerente executiva do INSS no Amapá, Ana Isabel, foi ao rádio ontem e bombou a audiência. Fala fácil e simples, daí ter arrancado elogios pela forma franca com que respondeu aos questionamentos dos ouvintes.’’’   

Talento

Márcio Caldas, que é o regente da Banda de Música da Polícia Militar, torna aquele conjunto ainda mais eclético, versátil mesmo. Talvez o fato de já ter militado na música da noite tenha influenciado. Vai bem.     

Um hábito

Carlos Tork, o presidente do TRE, não nega origens como militante partidário, um dos fundadores do PT no Amapá. Sobre o desgaste da legenda, compara com a igreja católica, a quem diz ser “una, santa e pecadora”. Ontem, saiu de casa para uma entrevista no rádio e vestiu vistosa camisa vermelha.       
Personagem

Fátima Pelaes, ex deputada federal, foi citada por atuais integrantes da bancada federal pela importante contribuição que deu ao processo de ligação do Amapá com o escoamento de grãos do Centro-Oeste, pelo Porto de Santana. Ela estava integrada à comitiva de Eduardo Cunha quando visitou Macapá.         

Fraco

Alguns militantes do PSB até ensaiaram puxar movimento contra Cunha em Macapá. Mas o poder de mobilização da agremiação anda meio capenga após a fragorosa derrota nas urnas no ano passado e acabou “miado”. O clã Capiberibe então boicotou a presença do visitante.

domingo, 17 de maio de 2015

INFRAESTRUTURA: Energia para impulsionar o progresso do Amapá.

Agora é uma realidade. O Linhão do Tucuruí, que vem da maior usina hidrelétrica brasileira, chegou a Macapá, numa viagem de mais de 2 mil quilômetros para trazer mais que energia elétrica.
Operários se desdobram em Macapá nos serviços de distribuição da energia que virá do Tucuruí.

Texto : Cleber Barbosa  | Fotos : Samuel Silva 

Por décadas o Amapá se viu isolado do restante do país, não apenas do ponto de vista geográfico, mas também sem rodovias, comunicação e até mesmo abastecimento regular de bens de consumo. Até hoje não se tem ligação rodoviária com o restante do país, mas pelo menos energia elétrica o estado passa a ter, com a chegada do Linhão do Tucuruí.
O engenheiro eletricista Marcos Drago, gerente regional da Eletronorte no Amapá, diz que esse é um momento histórico e que realmente precisa ser comemorado.  Ele explica que o Amapá passa a integrar o Sistema Interligado Nacional (SIN), o que garante um incremento nos negócios com energia. “O Amapá poderá adquirir e também vender energia para outros estados do país”, diz o especialista.
Para se entender melhor, não significa dizer que a energia irá percorrer o país usando as linhas de transmissão, mas como todas as empresas do setor pagam sua fatura de consumo, ocorre um encontro de papéis, ou encontro de contas. O mercado é tão dinâmico que as usinas hidrelétricas em construção já têm garantida a venda da futura produção antes mesmo do primeiro metro de concreto ser erguido. 
Marcos Drago, engenheiro eletricista que é o gerente regional da Eletronorte no Amapá.

TRADIÇÃO
A chegada da energia de Tucuruí, a maior do país entre as usinas nacionais, significa também a chegada de cabos de transmissão de dados, a chamada fibra ótica. A energia é considerada limpa e renovável o que levará a se desligar os motores a óleo diesel que por décadas vêm garantindo a geração que atenda a demanda que o Amapá apresenta.
A obra da linha atravessa a densa floresta amazônica, seus rios e lagos para chegar ao Amapá.

ECONOMIA: Comércio quer apenas respeito e oportunidade.

A chegada de lideranças empresariais a postos importantes da administração estadual, como Secretaria da Indústria, Comércio e Mineração, mostra uma aposta nesse setor da economia amapaense
Dos 127 mil empregos no estado no ano passado, 60.545 postos de trabalho foram na iniciativa privada, diz o Caged.
Texto:  Cleber Barbosa.  Fotos: Samuel Silva

O comércio do Amapá, tido como a maior vocação econômica local, vive uma enorme expectativa de poder deslanchar e dar as respostas que tanto se espera –  e precisa. Esse sentimento se renova com a chegada de lideranças importantes do setor a postos considerados chaves da administração estadual. Na Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Mineração (Seicom), quem pilota é o empresário Eliezir Viterbino, que era presidente da Fecomércio quando foi nomeado pelo governador Waldez Góes. Na Junta Comercial, está Gilberto Laurindo, outro nome forte do setor do empreendedorismo. 
Viterbino diz que era um compromisso do então candidato Waldez essa atenção com a iniciativa privada, apontada por ele como um importante alternativa para a virada que espera dar à economia do estado. “E com isso destravando a defesa social, a gestão pública e a infraestrutura se tivermos um estado economicamente viável”, diz o gestor da Seicom.
A vocação para o comércio sempre foi uma das marcas da capital do Amapá.
EMPREGO
O setor acaba de registrar a quebra de um paradigma, pois por décadas era tido como um estado da economia do contracheque público. Segundo dados do Caged, já é a iniciativa privada quem mais emprega no Amapá. Para Viterbino, são três os eixos de atuação do estado na nova gestão: a geração de riqueza, a geração de mais renda per capita e a geração de empregos diretos e indiretos. 
Ele também diz ter sido criado um grupo de trabalho formado por entes da administração estadual, voltado a gerenciar soluções para o setor da mineração. “O governador sabiamente adota a estratégia de dividir responsabilidades, então os técnicos e especialistas buscam essa interlocução com o setor mineral que pode gerar empregos mais rapidamente”, diz Viterbino.

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