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sábado, 21 de fevereiro de 2015

DA ÁFRICA PARA A AMAZÔNIA: A saga da Mazagão dos amapaenses

Com população originariamente descendente da África e de Portugal, Mazagão é uma das mais importantes cidades no contexto histórico do estado do Amapá. A poucos quilômetros de Macapá aproximadamente 35 km, a paisagem atrai os amantes da natureza e as águas dos rios que cortam o município atraem para um banho refrescante ao som dos pássaros que povoam as matas. No próximo mês, acontecem lá duas das maiores festividades católicas de região, a Festa de N.S. da Piedade e a Festa de São Tiago, que arrastam multidões para o lugar.

História - Sua criação se deu por volta de 1770, às margens do rio Mutuacá por famílias que, em 7 de junho, foram transferidas da possessão portuguesa Mazagão em Marrocos para Belém do Pará e depois para “Vila Nova de Mazagão” criada em 23 de Janeiro de 1770, hoje Mazagão Velho.
 Do total de 340 famílias, algumas com escravos, que chegaram à cidade de Belém em 1770 e em 1773 foram para Nova Mazagão. Nem todas seguiram o mesmo destino, algumas ficaram na capital paraense e em cidades do interior descumprindo a ordem inicial de se fixarem na nova povoação. Somente 136 famílias chegaram ao destino final, segundo Edgar Rodrigues, historiador.
Júnia Ferreira Furtado, professora do Departamento e Programa de Pós-graduação em História da UFMG diz que a saída das famílias de portugueses e dos seus escravos, da Mazagão africana, deu-se em conseqüência da situação de conflito vivida entre cristãos e mouros (islamitas), das terras inférteis e sob a justificativa portuguesa do uti possidetis – o direito de posse a quem efetivamente tiver povoado –, o que garantiria o efetivo domínio português das terras entre o norte do rio Amazonas e a Guiana Francesa. Assim, Portugal teria a obrigação do povoar todos cantos do Brasil para continuar a sua soberania na posse das terras “descobertas”.
Emancipação - Em 1833, Nova Mazagão perde o seu status inicial de vila retornando à condição de povoado com a denominação de Regeneração, subordinado administrativamente à Macapá. Já em 1890 é criado o município de Mazagão através da Lei 226 de 28 de novembro, com os distritos de Mazagão Velho (antiga Vila Nova de Mazagão e povoado de Regeneração), Maracá e Carvão; limitado pelos municípios de Santana, Porto Grande, Pedra Branca do Amapari, Laranjal do Jari e Vitória do Jari.

Pesquisa e fotos: Dércio Damasceno

A vida que segue com a produção extrativista
As formas de subsistência predominantes em Mazagão são o extrativismo e agricultura, existem no município vários projetos de manejo do açaí, coleta e beneficiamento de Castanha-do-Brasil e piscicultura, mas, também há ocorrência de artesanato e marchetaria envolvendo comunidades das zonas rural e urbana. Em Mazagão o turismo religioso é marcante principalmente durante o mês de julho, quando acontecem as festividades de São Tiago onde ocorrem encenações de batalhas travadas entre Mouros e Cristãos com destaque para a aparição de um soldado que, segundo a lenda, destacou-se na batalha levando os cristãos à vitória, esse soldado seria o santo padroeiro da cidade: São Tiago.
A festa da piedade é outra manifestação religiosa que atrai muitos turistas, pois, ela ocorre a partir do dia 26 de junho se estendendo até início de julho sendo replicada nos distritos e comunidades. De 16 a 24 de agosto a população mazaganense também realiza a festa do Divino Espirito Santo em que o destaque da comemoração, no seu segmento profano, são as apresentações de Marabaixo, dança típica do estado do Amapá, regadas à gengibirra, uma bebida produzida com raiz de gengibre e cachaça.

Bons motivos para visitar a bucólica vila de Mazagão para os turistas
Como chegar - Para se chegar à Mazagão, sede do município e demais distritos, Mazagão velho, Carvão e Maracá partem vans e micro ônibus do centro de Macapá com preços a partir de seis reais. As viagens duram em torno de 45 minutos.

Onde ficar - No centro de Mazagão há hotéis e pousadas com diárias individuais a partir de 50 reais, incluindo café da manhã. No distrito de Mazagão Velho também há pousadas, área de acampamento e residências familiares que hospedam os visitantes para as festividades de São Tiago. As mais humildes custam por volta de 30 reais a diária e as mais sofisticadas 70 reais por pessoa.

O que comer - No café da manhã sempre se encontra tapioquinha com manteiga, queijo e outras variedades; pão caseiro e macaxeira cozida. No almoço e jantar prato típico local é o Camarão-no-bafo que pode ser o regional (Macrobrachium amazonicm) ou o Camarão Pitú (Macrobrachium carcinus), mas, também várias espécies de peixes são servidas, principalmente o pirarucu (Arapaima gigas), dourada (Sparus aurata) e pescada amarela (Cynoscion acoupa). O custo do café da manhã pode sair a partir de 2 reais e as refeições de 8 a 60 reais dependendo do preparo e tipo de alimento.

Arqueologia - Outra atração, mas, ainda com pouca visitação são os sítios arqueológicos onde é possível se encontrar artefatos de civilizações antigas, no distrito do Maracá, e as ruínas das antigas edificações do princípio da Vila Nova de Mazagão, também no cemitério e na velha igreja.

CURIOSIDADES
- A origem da toponímia "Mazagão" é controversa. João de Sousa afirma que o nome provem da expressão em língua árabe "El ma Skhoun", com o sentido de "água quente"
- A versão mais plausível é que o nome seja de origem berbere uma vez que se encontra registado pelo geógrafo Muhammad Al-Idrisi, no século XI, o nome original pronunciado como "Mazergan" com o significado de "amolar".

1770
Este foi o ano do início do povoamento da Vila de Mazagão Velho, que originou aquela comunidade.

NO MAPA

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