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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

“Vamos continuar a caminhada política, ela não é feita só por quem tem mandato”

“Vamos continuar a caminhada política, ela não é feita só por quem tem mandato”
Deputado Luís Carlos concede entrevista ao Conexão Brasília ao lado do pai, desembargador Luís Carlos
A série de entrevistas com os deputados federais que não retornam para Brasília, em fevereiro, feita pelo programa Conexão Brasília, ouviu ontem o deputado Luiz Carlos, que chegou ao Congresso Nacional em 2.011 como um estreante na política amapaense. Ele fez um balanço dos quatro anos em que atuou em Brasília, quando chegou a figurar no concorrido ranking da revista Veja como um dos políticos atuantes do parlamento brasileiro. Esse e outros assuntos foram tratados na conversa com o jornalista Cleber Barbosa. O deputado também fez críticas ao atual modelo de proporcionalidade nas eleições do país, que faz com que políticos, como ele, com votações maiores de que alguns eleitos, fiquem de fora da lista de mandatos. Acompanhe a seguir um resumo do que ele disse. 

Cleber Barbosa, da Redação

Diário do Amapá – O senhor está fechando esse ciclo de quatro anos no Congresso Nacional, onde mesmo sendo um estreante figurou no ranking da Revista Veja como um dos mais atuantes parlamentares. O senhor está dizendo adeus ou até breve?
Luiz Carlos – Eu espero que um até breve... [risos] Como diz o senador José Sarney, a política só tem uma porta, que é a porta de entrada. Mas o povo sabe o que faz, fez a escolha e deixou a gente na reserva durante esse tempo, mas estamos prontos para assumir todos os desafios, como o próximo agora, que é retomar nossa carreira profissional. Sou advogado, tanto eu como meu irmão Bruno, e agora vamos ter ao nosso lado o desembargador Luiz Carlos, que já aposentado vai fazer frente com a gente em nosso escritório.

Diário – E como vai dar continuidade na política partidária?
Luiz Carlos – Vamos continuar na caminhada política, pois ela não é feita só por quem tem mandato. Política é você estar todo dia, dialogar, construir ideias, construir pontes e tentar solucionar problemas através do diálogo e da inteligência. Isso a gente vai tentar continuar fazendo, mesmo sem mandato, pois ainda sigo na atividade partidária. Vou continuar sendo presidente do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB no Amapá. Vamos continuar seguindo em frente. Isso é o que é importante.

Diário – Qual a avaliação dessa experiência na Câmara dos Deputados?
Luiz Carlos – Foi uma experiência para mim muito prazerosa, principalmente sabendo que o resultado veio em favor daqueles que acreditaram na gente. De antemão eu aproveito para agradecer a todos os que confiaram tanto em 2010 como agora em 2014. Na primeira eleição eu tive 10.945 votos e agora 9.664. Desses votos, foram na primeira vez 7.300 e agora 6.300 votos só em Macapá. Então devo agradecer muito à população da capital que acreditou em nosso trabalho. Muitos e muitos amigos acreditaram e deram esse voto de confiança mais uma vez para nós, agora, mas infelizmente a conjuntura política, o jeito que é feito não propiciou que alcançássemos o mandato, mesmo tendo sido o mais votado na coligação.

Diário – Fica o que dessa experiência nas urnas?
Luiz Carlos – Para mim é apenas uma pedra no caminho. Vamos continuar a caminhada, como eu disse. Eu acho que todo político já sofreu derrotas, já sofreu infelicidades. A gente enfrenta a nossa com galardia. Vamos tocar a bola pra frente.

Diário – Muita gente lamenta que a maioria da atual bancada não tenha renovado os mandatos, afinal foi uma legislatura de muitos resultados positivos para o Amapá. 
Luiz Carlos – Eu recebo isso como um elogio e o faço dividindo com todos os meus colegas de bancada. É uma grande felicidade esse rendimento. A gente sempre que se encontra faz essa reflexão, congratulando-nos especialmente por uma vitória emblemática para nós, que foi a aprovação da PEC 111, pois você aprovar uma Emenda Constitucional com uma bancada de apenas oito deputados é, no mínimo, uma demonstração de poder de diálogo e de articulação. E nós fizemos isso. Mudamos a Constituição com uma bancada de apenas oito deputados [e três senadores], como é a bancada do Amapá.

Diário – Essa possibilidade de transposição dos servidores do antigo território para a União é tida como um gesto de se fazer justiça, não é?
Luiz Carlos – Sim. Mas também uma economia gigante para os cofres do estado, assim como uma enorme economia para as prefeituras dos cinco municípios originários do território federal do Amapá. Ela também dá respostas àqueles servidores públicos, pois foi uma batalha muito grande de todos eles para alcançar essa condição de terem seu vínculo com o Governo federal reconhecido. Isso tudo se deu pela capacidade da nossa bancada se articular, com a ajuda forte, sempre muito grande, do senador José Sarney, então todos nós somos vitoriosos. A gente deseja, sinceramente, do fundo do coração, que assim continue sendo, afinal de contas a gente não pode se cegar pelos nossos objetivos imediatos, por isso a gente deseja enquanto cidadão, enquanto político, enquanto ativista político que a bancada que vai nos render agora seja também de um grande desempenho, que nossos parlamentares surpreendam como nós conseguimos surpreender, para que a gente tenha orgulho dos nossos representantes.

Diário – O que ocorre com integrante da atual bancada?
Luiz Carlos – Sim, muitas vezes a gente encontra nas ruas as pessoas que fazem questão de dar aquele abraço carinhoso, quando as pessoas agradecem e dizer que se sentiram representadas pelas nossas ações, seja do deputado Luís Carlos como também por todos os deputados federais da nossa bancada cujos mandatos se encerram agora dia 31 de janeiro de 2015.

Diário – Bacana esse seu gesto de dividir os louros da vitória com seus pares.
Luiz Carlos – Sim, fazendo justiça. Eu queria também agradecer não só pelos votos para a todos aqueles companheiros nossos de militância, como a Juventude do PSDB, os demais segmentos do partido e a todos os demais parlamentares do PSDB, aqueles que puderam e aqueles que não puderam cerrar fileiras com o nosso mandato e aqueles militantes que mesmo incógnitos fizeram um grande trabalho, não só para os proporcionais do PSDB como para a majoritária, quando tivemos uma ampliação de votos no tocante à disputa pela Presidência da República.

Diário – E o Congresso Nacional, sob a ótica de quem passou a fazer parte dele, onde tanta gente recorre a ele para resolver os mais diversos problemas do país?
Luiz Carlos – Antes de eu ser congressista, apenas como um militante, tinha a impressão que muitos têm, de que o Parlamento é uma casa de conchavos, então quando a gente acha que pode fazer melhor a gente vai lá e tenta fazer, foi isso o que me motivou a ser candidato. Não sob o ponto de vista das pessoas, mas daquilo que muitas vezes nos é repassado através de alguns meios de comunicação. Quando eu cheguei lá descobri que ali é uma casa de muito trabalho, uma casa de diálogo. O que mais me surpreendeu é a abertura do Congresso brasileiro para a população. Eu tive a oportunidade de visitar outros congressos em outros países e à certa altura, como parlamentar, como representante do Brasil em missão oficial, fomos visitar o plenário do congresso canadense, mas só conseguimos passar lá cinco minutos, pois os seguranças praticamente nos pegaram pelo braço e nos tiraram de lá.

Diário – No Congresso Nacional há maior participação popular?
Luiz Carlos – Sim, você precisa apenas estar trajado minimamente adequado e portar sua carteira de identidade para adentrar em qualquer ambiente da Câmara ou do Senado, claro excetuando-se o plenário, caso você esteja acompanhado e algum parlamentar. Isso para mim foi uma feliz descoberta, pois a gente tem contato com todos os segmentos da sociedade brasileira, seja de representante do indígena, dos agricultores, da indústria ou até dos bancos.

Diário – Obrigado pela entrevista.
Luís Carlos – Eu que agradeço e que seja um até breve.

Perfil...
Entrevistado. Luiz Carlos Gomes dos Santos Júnior é amapaense de nascimento, mais precisamente do município de Amapá, tem 34 anos de idade, é casado, formado em Direito pela Universidade da Amazônia (Unama) em Belém (PA), com especialização MBA em Direito da Economia e da Empresa, pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro (RJ). Advogado militante no Amapá, ganhou popularidade e conhecimento, sendo eleito deputado federal em 2010, com 10.945 votos, pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Foi eleito pela revista Veja o 13º parlamentar mais atuante da atual legislatura. Exerceu ainda a função de vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça e outras Comissões da Casa.

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