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domingo, 22 de junho de 2014

“Infelizmente a gente tem vergonha das nossas cidades porque não têm infra-estrutura nenhuma”

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Genival Cruz. Para o sindicalista, a pré-candidatura do PSTU será o contraponto para a alternância de poder no AP
Ele continua com a habitual contundência ao criticar os governantes e os poderosos. Mas ao longo dos últimos anos, quando disputou uma eleição para prefeito e outra para governador, Genival Cruz também tem se mostrado muito além dos bordões característicos do PSTU, como as famosas “farinha do mesmo saco” ou “contra burguês vote 16”. Ele é, no mínimo, autêntico. Tem propostas como a municipalização das empresas de transporte coletivo, setor que ele conhece bem, afinal é líder dos rodoviários. Mas pensa em levar o mesmo conceito para a eleição estadual, defendendo a transformação de empresas em organismos públicos. Ele foi ontem à sabatina dos pré -candidatos a governador do Conexão Brasília, no rádio. Um resumo do que disse, a seguir.

Cleber Barbosa
Da Redação

Diário do Amapá – O senhor é natural de qual estado?
Genival Cruz – Do Maranhão, sou de Caxias, na região dos cocais, já perto de Teresina, no Piauí.
Diário – E está aqui no Amapá desde quando?
Genival – Desde 1999, vim para trabalhar como rodoviário aqui em Macapá.

Diário – Aqui existe uma grande colônia de maranhenses, não é mesmo?
Genival – Sim, não só aqui como em todo o Brasil e na América Latina toda, pois há uma migração muito grande lá e eu sou um reflexo disso.

Diário – No bairro do Zerão há inclusive uma reunião de maranhenses que reeditaram até a tradição do boi bumbá do Maranhão, não é mesmo?
Genival – Exatamente, a cultura do boi bumbá está presente na região e também foi levada para Manaus e o Amazonas de maneira geral. O primeiro governador do estado do Amazonas foi maranhense que levou essa cultura para lá e se desenvolveu com a fusão do boi bumbá com as culturas indígenas, transformando-se no Festival de Parintins. Em São Luís o boi bumbá é muito forte e uma festa muito bonita, mesmo.

Diário – E nessa atuação sua como rodoviário acabou se tornando popular, passou a presidente do sindicato e daí para a política partidária, filiado ao PSTU. É isso?
Genival – É, estou no PSTU desde 2002. Tive a oportunidade de conhecer o partido, suas ideias, seus princípios e a gente vem construindo desde lá essa ferramenta aqui no Amapá como também no Brasil de maneira geral.

Diário – Quem são os principais quadros do PSTU em nível nacional?
Genival – São vários, mas um dos principais é o companheiro Zé Maria, que inclusive é o nosso candidato a Presidente da República, um metalúrgico, um operário que vai estar apresentando o programa do partido nessas eleições. Mas nós temos dois parlamentares também, o companheiro Kleber, um operário da construção civil que é vereador em Belém, e temos a professora Amanda Gurgel que foi eleita na última eleição vereadora de Natal.

Diário – O que o senhor e seu partido pensam em termos de discussão a ser travada nessas eleições sobre a contribuição do comércio para a economia do estado?
Genival – Olha, obviamente que a gente não pode fugir do debate. O crescimento do ponto de vista econômico do estado, é óbvio, naturalmente as coisas vão acontecer. O que na realidade falta hoje para o nosso estado são investimentos que possam dar e garantir a qualidade de vida necessária para a população, que não tem, entendeu? O setor do comércio e praticamente todos os setores aqui do estado estão totalmente falidos e quebrados. Fruto de um modelo de política implementado há mais de 20 anos pelas famílias que vêm se revezando no poder já há um bom tempo, os Góes, os Capiberibe e mais outras famílias que no período de eleição aparecem como alternativa, fazendo propaganda, não digo programa, mas sim propagandas mentirosas e falsas. Não conseguem realizar aquilo que prometem.

Diário – Quais são os maiores problemas?
Genival – Problema crônico da segurança, problema crônico na saúde, problemas na educação, são exemplos categóricos, nem precisa ser um especialista para dizer isso, pois a gente sente isso na pele, no dia a dia.

Diário – Já que estamos na área econômica, o que o senhor pensa sobre a substituição tributária, tão criticada aqui no Amapá pelos empreendedores?
Genival – Como, não entendi?

Diário – Esse modelo de antecipação da tributação das empresas.
Genival – Olha, na realidade o que entendemos do ponto de vista de tributos é que a tributação no país ela é injusta para quem é pobre, certo? Ela é muito injusta. Ou seja, a mesma cesta básica que a gente compra e paga imposto pra caramba, é a mesma cesta básica que o maior empresário aqui do estado compra, então você vê que há uma diferença muito grande, pois quem banca a tributação no país não é quem tem grana, é quem não tem. E que é penalizado por isso. É preciso fazer uma reforma tributária no país.

Diário – Que leve essa divisão de forma invertida, é isso?
Genival – Sim, pois na prática a gente vê que o orçamento do país onde 40,3% vai para o pagamento da dívida e amortizações dos juros, o resto vai para as políticas públicas, sendo 3,7% para a educação, 4,29% para a saúde. Isso é priorizar as áreas sociais? Eu acho que não. A demanda é muito maior. É por isso que não tem uma educação de qualidade, é por isso que não temos uma saúde de qualidade. É por isso que não se tem nada, como investimentos em infraestrutura que possam melhorar as nossas cidades, o nosso país.

Diário – Uma pergunta recorrente que as pessoas fazem é sobre quadros do PSTU que poderiam atuar no governo, em caso de vitória nas urnas. Como o senhor encara isso?
Genival – É, essa é uma pergunta que gera dúvidas, se o PSTU é capaz de administrar o Estado. Mas temos sim quadros tanto dentro do partido como também da população de maneira geral. Eu não tenho mede de, se por exemplo, chegar a ganhar o Governo do Estado, ter dificuldade de administrar, isso daí não tem problema. Com o apoio da população e o voto, que de fato é isso mesmo, não teremos problemas em estar administrando a máquina pública.

Diário – Por falar em máquina pública uma de suas propostas mais emblemáticas na campanha para prefeito foi a de municipalizar as empresas do transporte coletivo. Pensa da mesma forma com relação a empresas como a Caesa e a CEA?
Genival – Passa por aí também. Entendo que o transporte público deveria ser tratado da mesma forma que a saúde e a educação, daí o acesso à água e à energia, em relação a CEA e a Caesa, é um direito do cidadão, que está sendo da mesma forma que a Petrobras, que é um patrimônio dos brasileiros, está sendo entregue para a iniciativa privada. Aqui acontece a mesma coisa. O discurso tem que ser coerente do ponto de vista de atendimento à população dessas necessidades.

Diário – Com relação ao turismo, o que o senhor tem pensado em relação às mais de 50 atividades impactadas pelo turismo?
Genival – Eu já me considero amapaense e acho que não tem lugar melhor para se vier do que aqui. Para mim é o melhor lugar do mundo. Eu sempre digo que prefiro as florestas do estado do Amapá do que os prédios de São Paulo... [risos] Mas hoje infelizmente a gente tem vergonha das nossas cidades porque não tem infraestrutura nenhuma. E se você não ajeitar a sua casa você não tem como receber ninguém. Potencial nós temos muito, somos o estado mais preservado do pais e riquezas insuperáveis e uma capital que se receber os investimentos adequados poderá se transformar num grande polo atrativo de turismo.


Diário – Para terminar, que nota o senhor atribui à atual administração estadual, de Camilo Capiberibe?
Genival – Não é novidade para ninguém, é uma administração péssima. O PSB caiu numa incoerência muito grande na eleição passada, dizendo que dinheiro não era problema, que dinheiro tinha faltava era gestão. Então ele está terminando a gestão dele de forma incompetente, então uma nota para o governador Camilo e o PSB é no máximo 2. Ocorre que o modelo da gestão do PSB é baseado nas gestões passadas, pois estão há muito tempo no poder.

Perfil...

Entrevistado. Genival Cruz tem 35 anos de idade, nasceu na cidade de Caxias, no interior do Maranhão. Mudou-se para o Amapá há 12 anos, passando a atuar como cobrador e depois motorista de ônibus. Tornou-se uma liderança da categoria e atualmente preside o Sindicato dos Rodoviários. Pousco depois entrou para a política partidária, filiando-se ao PSTY. Disputou a eleição para governador do Estado em 2010 e depois a eleição para prefeito de Macapá, em 2012, obtendo 6,5 mil votos e uma honrosa quarta colocação, numa eleição com cinco candidatos, todos com mandatos eletivos. No mês passado se desincompatibilizou da direção sindical pois disputará o direito de concorrer novamente a governador nas convenções do PSTU dia 27.

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