Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura, política e empreendedorismo.


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Manifestantes protestam pacificamente nas ruas de Macapá

Polícia estima que 3 mil pessoas tenham participado da manifestação.
Militares e guardas municipais acompanharam todo o trajeto.

Maiara PiresDo G1 AP
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Manifestantes percorreram principais vias de Macapá (Foto: Maiara Pires/G1)Manifestantes percorreram principais vias de Macapá (Foto: Maiara Pires/G1)
Cerca de 3 mil manifestantes, segundo estimativa da polícia, percorreram as ruas de Macapána tarde desta quarta-feira (26). Num percurso que durou aproximadamente 2 horas, os participantes do ato saíram da Praça da Bandeira, no centro da cidade, caminharam pelas principais vias da capital, retornando ao local de partida, por volta das 19h. Policiais militares e agentes de trânsito acompanharam todo o percurso. Nenhum ato de vandalismo foi registrado.
Com cartazes e rostos pintados, os manifestantes reivindicavam por ações de melhorias na saúde e educação, combate à corrupção e mais transparência no poder público.
Percurso durou aproximadamente 2 horas (Foto: Maiara Pires/G1)Percurso durou aproximadamente 2 horas
(Foto: Maiara Pires/G1)
Pouco antes das 17h, enquanto se concentravam na Praça da Bandeira, os participantes passaram por revistas feitas pela polícia militar. Eles foram orientados a sentar no chão, caso percebessem grupos agindo contra o patrimônio público, comércio ou residências. A medida, segundo a polícia, serviria para identificação mais imediata de vândalos.

Durante o trajeto, os manifestantes gritavam palavras de ordem, principalmente ao se aproximarem de órgãos municipais e do Executivo, além da Assembleia Legislativa doAmapá. Guiados pelo carro som, os participantes do movimento fizeram paradas estratégicas para cobrar melhorias na saúde, educação, transporte público, entre outros setores. O hino nacional foi cantado várias vezes durante a caminhada.
 
Participantes se preparando para sair às ruas (Foto: Maiara Pires/G1)Participantes se preparando para sair às ruas
(Foto: Maiara Pires/G1)
Quando os manifestantes se aproximaram do centro comercial de Macapá, a maioria dos lojistas fecharam as portas. Vários estabelecimentos comerciais e agências bancárias colocaram folhas de compensado e alumínio nas portas de vidro.
O comandante da Polícia Militar do Amapá, coronel Pedro Paulo Rezende, considerou o ato desta terça-feira um dos mais pacíficos, desde o início das manifestações há exatamente uma semana.
Ele informou que houve três autuações de condução de adolescentes portando drogas, tipo crack. Eles foram levados para o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp) do Pacoval. Um estudante foi preso com uma faca.
"Apesar dessas autuações, o movimento foi muito pacífico. Não houve ocorrências graves, não houve ofensa à polícia. Se continuar assim, não teremos problemas", disse Rezende.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

“Vem aí o novo Marco Regulatório da Mineração no Brasil”.

cad4dom ENTREVISTADOfejaosoEle continua com o mesmo estilo franco, atirado para alguns, mas de qualquer forma é com contundência que o ex-deputado federal Antônio Feijão, atualmente diretor do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), chama a atenção para como as novas regras do Marco Regulatório da Mineração podem ser lesivos para o Amapá. Feijão foi ontem ao programa Conexão Brasília, pela Diário FM, ocasião em que falou a respeito das mudanças que vêm por aí se passarem do jeito que estão as propostas apresentadas esta semana pela presidente Dilma Rousseff. Acompanhe e tire suas próprias conclusões. O Diário do Amapá publica os principais trechos da entrevista concedida ontem.

Diário do Amapá – Um evento que marcou a semana em Brasília e que contou com a sua presença foi o lançamento do novo marco regulatório da mineração, lançado com pompa e circunstância pela presidente Dilma Rousseff. O que ele traz de novidades?
Antônio Feijão – A primeira é a licitação. A partir de agora não vai ser mais possível pela preferência da prioridade, ou seja, você ia ao DNPM requeria uma área e a partir daí, com esse requerimento você chegava a um decreto de lavra. O brasileiro, pessoa física, simples, poderia ser detentor de um patrimônio de bilhões de dólares. O novo marco regulatório ele cria duas figuras, a figura da licitação da concessão que se fará apenas para empresas não terá mais a pessoa física na mineração de escala, que chamamos de mineração industrial. E permanece ainda através de licenciamento a questão da areia, do seixo, do tijolo, da brita, esses permanecem. Mas agora a qualquer tempo o governo pode chamar para uma tomada pública uma área mesmo que ela não seja um bloco de área escolhida para uma concessão.

Diário – E a questão dos royalties, como fica?
Feijão – A questão dos royalties a distribuição permanece as mesmas, ou seja, 65% dos royalties vão para os municípios, 23% vão para o Estado e os 12% para completar a fatia dos 100% são divididos entre o DNPM, investimento em tecnologia, fundo de Marinha Mercante, isso permanece igual, só com uma diferença, os royalties ficarão entre 1% e 4%.

Diário – São mudanças importantes então?
Feijão – É, não são tão pontuais porque se pegarmos o caso do Amapá a Anglo [American] hoje está na regra antiga e permanecerá, mas digamos que ela resolva vender o decreto de lavra dela, pode ser até que ela tenha que ser chamada à ordem de uma licitação caso o Conselho Nacional de Mineração, que é a outra figura nova, que já existiu no passado, portanto nós teremos uma Távola do Rei Artur, formada por indicados da Presidência da República, além da nova Agência Nacional de Mineração. Então vai existir um conselho superior de mina e esse conselho terá voz, é um Conama com força de decisão específica. Enquanto o Conselho Nacional de Meio Ambiente tem força regulatória esse terá força de administração sobre decisões sobre o que vai ser licitado, o que vai ser licitado, o que pode ser aprovado, o que pode ser chamado para um licenciamento comum.

Diário – E os estados, como ficam nessas novas regras?
Feijão – Essa é outra coisa que vai ser muito importante. Pois haverá a possibilidade de descentralizar para os Estados a gestão da areia, seixo, os chamados materiais de pronto emprego para a construção civil, ou seja, em vez de ir ao DNPM para licenciar um areal você iria numa agência do Governo do Estado do Amapá, agência essa que não existe, então é tempo também da Assembleia e do Governo do Estado, através da Secretaria da Indústria e Comércio começarem a construir a Agência Estadual de Mineração para que ela possa recepcionar além de grandes impostos pode dar uma grande dinâmica muito melhor, um ordenamento muito mais rápido, uma coisa realmente muito importante.

Diário – E o papel dos municípios?
Feijão – É outra mudança. Hoje para você licenciar a extração de seixo em Porto Grande você precisa de uma autorização da Prefeitura, pois o licenciamento desses materiais como areia, seixo, brita e argila têm duplo licenciamento, do município de do DNPM. Eles vão extinguir a participação do município no processo de licenciamento.

Diário – Na sua avaliação essas mudanças são boas ou ruins para o Amapá?
Feijão – Se a bancada federal for atenta ele poderá ser menos ruim, nunca se iludam, o Governo Federal não manda um projeto de lei que seja bom para os estados e os municípios, ele só manda projeto de lei para fortalecer. O que está se reconstruindo com esse novo marco regulatório é anulando a capacidade regional descentralizada dos DNPM de conceder concessões, devolvendo para cinco engravatados da futura Agência Nacional da Mineração, que poderão ser pessoas que pouco sabem a respeito da vida no Amapá. Veja que a Agência Nacional do Petróleo fez uma licitação que o Amapá nem sabia que haveria, não fosse o promotor Moisés ter puxado isso, com todos os erros de desconhecimento da questão, mas com o mérito de ter puxado o debate.

Diário – É isso que o senhor observava anteriormente, esse distanciamento?
Feijão – Senão com a mineração vai ser do mesmo jeito. Você veja que o senador Randolfe Rodrigues fez uma audiência pública em que a Aneel [Agência Nacional de Eletricidade] só não mandou o porteiro porque ele adoeceu, quer dizer, não vem nem um diretor, não vem um especialista, mandou o assessor de não sei das quantas. Então vai ser desse jeito se a bancada não se alertar e modificar, porque o projeto tem urgência constitucional e ele vai passar em três meses nas duas casas igual a um foguete e o projeto é centralizador, ele converge tudo para Brasília, todas as decisões, os blocos de área não serão mais coisa simples.

Diário – Dê um exemplo prático diretor?
Feijão – Vamos pegar uma área entre o Rio Jari e o Rio Paru. Ali tem U$ 1 trilhão ou U$ 2 trilhões de dólares em minério. Se ele der aquilo para a Vale do Rio Doce ainda ganha a porteira fechada. O que for descobrindo é dela.

Diário – O que fazer então?
Feijão – Há que a bancada acordar, parar de falar em alegorias e fazer discurso de escolas de samba, com só barulho e harmonia, para partir para cima em uma decisão concreta. Tem que fortalecer os estados e tem que crescer a participação externa nesse Conselho Nacional de Mineração, que vai ser quem vai decidir. E se o Amapá é um estado que tem política de mineração, é um estado que sempre foi filho da mineração, uma relação que sempre foi positiva, mas lamentavelmente você não tem, outro dia quem era o representante da mineração na Secretaria Municipal de Mineração era um engenheiro florestal, se bem que está na moda engenheiro florestal... [ risos] Então é preciso criar a Agência Nacional de Mineração, você tem poucos técnicos na área de geologia, poucos técnicos na área de engenharia, isso vai ser importante, o Estado do Amapá vai ter que ter um quadro. Se ele preparar isso agora ele já recepciona isso aí, isso é muito forte para o Governo do Estado poder decidir e gerenciar as concessões de areia, seixo, brita, calcário se tiver, cascalho e todos os outros derivados que você, argila, caulim, então é muita coisa.

Diário – E o governo federal deve mobilizar as suas lideranças no Congresso para a aprovação dessa proposta do jeito que está não é?
Feijão – Está protocolado. Nós estamos tratando do PL 5807 (projeto de lei), de 2013. Segunda-feira agora o Henrique Eduardo Alves deve formar já através das indicações dos partidos a Comissão que vai tratar desse processo e o relator. A partir daí não vai dar tempo de fazer audiências públicas. O que era importante era primeiro uma lei complementar, pois o projeto tem uma casca de banana, como não é uma lei complementar não pode descentralizar, mas ele vem descentralizando para os estados. As competências da União só podem ser descentralizadas através de lei complementar.

Perfil...
Entrevistado. Antônio da Justa Feijão tem 56 anos de idade, é natural de Sobral, no Ceará, mas radicou-se no Amapá após consolidar-se como um dos mais conceituados geólogos em atuação no mercado local. Tornou-se popular e foi eleito deputado federal em 1994 (mandato de 1995 a 1999) sendo reeleito em 1998 (mandato de 1999 a 2003); depois mesmo tendo sido o sétimo mais votado em 2008, ficou na condição de suplente, tendo assumindo a titularidade entre 2009 e 2010, em substituição ao deputado Davi Alcolumbre (DE), que virou secretário municipal em Macapá. Também teve passagens como secretário de Estado do Meio Ambiente e diretor-presidente do Imap. Agora dirige o DNPM no Amapá.

Coluna Argumentos, quarta-feira, 26 de junho de 2013

Web
O deputado Evandro Milhomen (PCdoB) virou agente multiplicador da campanha da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) que visa a prevenção do uso de drogas. O parlamentar usa sua página na web para divulgar a campanha. Uma boa.

Concurso
A propósito, vão até 10 de julho as inscrições do Concurso Nacional de Cartazes, Vídeos, Fotografias, Jingles e Monografias (25/03/2013), cujo tema é “A Educação na Prevenção do Uso de Drogas”.

Recurso
Enquanto isso a deputada Dalva Figueiredo (PT) foi ao interior do estado participar da programação de inauguração de unidade do Rurap que foi reformada a partir de recursos garantidos em emenda dela.

Prioridades
Dito pela ministra Carmen Lúcia: preparação das Eleições de 2014, recadastramento biométrico e implantação do processo judicial eletrônico são feitos vitoriosos da Justiça Eleitoral.

coluna Larissa Cantuaria
Pessoal
Colaboradores do Sebrae no Amapá se capacitam em Gestão do Conhecimento para aplicar no ambiente profissional e pessoal. Na foto a palestra da analista em Gestão do Conhecimento do Sebrae no Rio Grande do Sul, Denise Ribeiro.

Na orla
A Prefeitura de Ferreira Gomes, através da Secretaria de Cultura, já prepara os últimos detalhes para a realização da Festa Junina 2013, o I Forroguari, que acontecerá nos dias 28 e 29 de junho.

Visão
Uma entrevista do senador José Sarney (PMDB-AP), concedida ao Correio Braziliense, está sendo apontada pelo jornal como uma das mais precisas previsões a respeito do movimento que começou nas redes sociais e ganhou as ruas do país. Sarney só não imaginava que iria acontecer tão cedo.

Frase
Os jornalistas Denise Rothenburg, Leonardo Cavalcanti e Ana Dubeux lembraram de uma frase de Sarney na entrevista ao Correio. Ele disse: “A democracia representativa está em xeque. Os partidos estão enfraquecidos e não representam mais o povo. Os partidos eram fortes quando eram ideológicos, mas eles passaram a ser pragmáticos”.

Sondagem internacional revela jazida de petróleo em Macapá

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Nos próximos anos, a cidade de Macapá poderá transformar-se na mais nova Meca do petróleo. A revelação, com exclusividade para o Diário do Amapá, é do engenheiro dinamarquês Kenneth Lamsen. Natural de Copenhague, Kenneth mora no Rio de Janeiro e, há seis meses, veio ao Amapá no comando de uma equipe técnica responsável pela prospecção na costa norte do Estado.

“Pode estar adormecido sob o leito da foz do rio Amazonas, em frente à cidade de Macapá, um imenso lençol de gás natural e petróleo”, afirma Lamsen. “Para ser mais preciso, ali onde ancoram as frotas de navios mercantes à espera das manobras dos práticos locais, há um enorme potencial para exploração de hidrocarbonetos”, completa.

Kenneth informou que há seis meses ele chefia a equipe técnica responsável pelas prospecções em busca do ouro negro na costa norte do Amapá. “Tenho larga experiência na prospecção de petróleo, iniciada na Noruega, no Mar do Norte, e posteriormente na consolidação das plataformas de exploração do norte fluminense”.

Com residência fixa no estado do Rio de Janeiro, Kenneth Lamsen garantiu que “é líquida e certa” a existência de petróleo na costa norte, uma faixa litorânea que se estende do município de Amapá ao Oiapoque. “Ainda não mensuramos as jazidas de petróleo existentes no subsolo da plataforma continental do Amapá. Mas tenho certeza que o Amapá é o novo eldorado do petróleo”, enfatizou.
Entusiasmado com as descobertas, o engenheiro dinamarquês lançou no ar um desafio com ares de profecia. “O Amapá tem perspectiva para se tornar uma potência na exploração, refino e exportação de hidrocarbonetos, como aconteceu com os Emirados Árabes”, garantiu.

Mesmo confirmando as descobertas, o engenheiro dinamarquês ponderou que não poderia dar maiores detalhes, devido às cláusulas de confidencialidade do contrato firmado entre a Petrobras e a empresa para a qual Kenneth Lamsen trabalha. “Posso te garantir que os petrodólares, os eurodólares estão escondidos há milhares de anos no subsolo do gigantesco Amazonas. Agora, o progresso do Amapá é inevitável”, concluiu.

Petroleiras irão disputar mega leilão em maio
A disputa pelos blocos da Bacia da Foz do Amazonas, no extremo norte do Amapá, promete ser a mais acirrada da 11ª rodada de licitação de blocos exploratórios de óleo e gás. O leilão será promovido pelo governo federal em maio. O motivo é a descoberta, no litoral da vizinha Guiana Francesa, praticamente ao lado da bacia brasileira, de grandes reservatórios exploráveis de petróleo.

Em sigilo, as grandes petroleiras articulam sociedades para concorrer às áreas ofertadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). De olho no súbito interesse despertado nas companhias pelas jazidas de óleo e gás presumivelmente escondidas no subsolo ma-rinho do litoral do Amapá, o governo aumentou de 172 para 289 os blocos a serem leiloados. Das 117 novas áreas, 65 estão na Bacia do Foz do Amazonas, o início da chamada margem equatorial brasileira.

A formação de consórcios para explorar a bacia tem mobilizado os executivos das petroleiras desde o ano passado. Esse processo foi acelerado pela descoberta na Guiana. A Petrobrás, com a experiência de 43 anos de fracassos na bacia, tem interesse nos blocos e finaliza parcerias com companhias internacionais empenhadas em renovar seus portfólios brasileiros.

Secretário de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Re-nováveis do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, creditou o aumento da oferta de blocos na bacia à proximidade dos campos guianenses. "Houve indicações de possíveis descobertas importantes na Guiana, a 50 quilômetros da fronteira com o Brasil. Então, a área brasileira também tem potencial para descobertas", afirmou o secretário.

Em janeiro, a 11.ª rodada, aguardada desde 2008, foi marcada para os dias 14 e 15 de maio. A Bacia da foz do rio Amazonas foi contemplada com 96 blocos, indicativo da importância que o governo vem dando à suspeita de que há óleo e gás abundantes nos campos da costa do Amapá. Os limites da bacia são a fronteira do Amapá com a Guiana Francesa e a Ilha de Marajó, no vizinho Estado do Pará.

Descoberta
O petróleo apareceu pela primeira vez na Guiana Francesa em 2011. O consórcio formado pelas companhias Tullow Oil, Total e Shell anunciou a presença, em águas profundas, no campo de Zaedyus, de um reservatório importante de óleo de boa qualidade.

Nem mesmo o fracasso da prospecção de um segundo poço no campo, no ano passado, arrefece o entusiasmo das empresas interessadas em disputar área da Foz do Amazonas no leilão da ANP. "O bloco da Guiana Francesa permanece altamente prospectivo e ainda oferece um excelente potencial para exploração com sucessos múltiplos", diz o comunicado divulgado pela britânica Tullow Oil.

A descoberta na Guiana Francesa foi saudada pelas instituições financeiras que analisam a indústria do petróleo. Para o Bank of America-Merrill Lynch, o achado "abre uma bacia totalmente nova" na América do Sul e Caribe. O Royal Bank of Scotland demonstrou otimismo com a descoberta ao comentar, em nota, que o conteúdo do reservatório de petróleo "provavelmente excede a maioria das expectativas".

O geólogo brasileiro Pedro Victor Zalán, consultor em exploração de petróleo, avalia que "a imensa faixa marítima de águas profundas (acima de 600 metros de lâmina d'água) em frente do Amapá, Pará, Maranhão e Piauí encontra-se hoje entre as áreas mais cobiçadas pela indústria petrolífera mundial".

Zalán diz que o campo da Guiana Francesa tem reservatório, de acordo com as estimativas iniciais, de cerca de 800 milhões de barris de óleo recuperáveis. "A bacia da foz do Amazonas, sua vizinha muito maior, passou a ser considerada como potencialmente portadora da mesma riqueza. A geologia do litoral da Guiana se estende para a costa do Amapá. Isso está comprovado pelas linhas sísmicas e estudos feitos. Há grande possibilidade de depósitos de petróleo ser encontrados no Amapá. As petroleiras sabem disso."

Dos 289 blocos em leilão, 123 localizam-se em terra e 166 no mar, espalhados em 11 bacias sedimentares, num total de 155 mil quilômetros quadrados, em 11 estados da união, 10 no Norte e Nordeste e 1 no Su-deste. O lance mínimo por um campo terrestre é na ordem de R$ 25 milhões e de um campo em águas profundas alcança R$ 13,5 milhões.

O Norte e Nordeste do Brasil podem se tornar grandes produtores de petróleo e gás natural, de acordo com a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Magda Chambriard. Em fevereiro ela esteve no Senado para apresentar ao então presidente José Sarney as perspectivas de exploração e produção de petróleo e gás na-tural no Brasil nas áreas não licitadas.

Campanha “O petróleo é nosso” será lançada em audiência pública
A forma sigilosa com a qual a ANP vem tratando a licitação dos blocos exploratórios de petróleo na costa do Amapá deixou em estado de alerta representantes do Ministério Público. Ontem o promotor de Justiça Moisés Rivaldo confirmou que nesta sexta-feira, 26, no auditório do Sesi, será realizada a primeira audiência pública para debater a exploração de gás natural e petróleo na costa norte amapaense.
“É muito estranho que nenhuma autoridade amapaense tenha sido convidada para discutir o assunto. Por isso durante a audiência vamos lançar a campanha ‘O Petróleo é nosso”, anunciou o promotor. “Tenho a informação de que no leilão marcado para os dias 14 e 15 de maio, 71 empresas estão inscritas para disputar a exploração do cobiçado petróleo da nossa costa norte do Amapá, por meio 97 plataformas”, acrescenta.
Segundo o promotor, o leilão da Agência Nacional de Petróleo (ANP) objetiva à construção de 97 plataformas de petróleo na costa amapaense. “Sabemos que cada empresa vai gerar em torno de 2,5 mil empregos diretos, o que representa, no cômputo global, a criação de 50 mil postos de trabalho”, calcula Moisés.
O slogan “O Petróleo é nosso!” se tornou famoso ao ser pronunciado pelo então presidente Getúlio Vargas, por ocasião da descoberta de reservas de petróleo na Bahia. Mais adiante, a frase se tornou lema da Campanha do Petróleo, patrocinada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, promovida por nacionalistas.
A iniciativa culminou na criação da Petrobrás. Após tornar-se famosa, historiadores descobriram que a frase foi criada por Otacílio Raínho, professor e diretor do Colégio Vasco da Gama, no Rio de Janeiro, um marqueteiro casual.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

OLHOS NA HISTÓRIA - A exploração do manganês de Serra do Navio (Parte 1)


A exploração do manganês de Serra do Navio tem sua gênese na associação do empresário mineiro Augusto Trajano de Azevedo com a Bethlehem Steel - a segunda maior empresa do aço dos Estados Unidos, que, juntos, formaram a Indústria e Comércio de Minérios (ICOMI), que passou a atuar no Amapá no início dos anos 50.

Oficialmente, a descoberta das jazidas de manganês em Serra do Navio se deu em 1946, após os incentivos à pesquisa e prospecção mineral feitos pelo primeiro governador do Amapá (o capitão Janary Gentil Nunes). Apresentaram-se para a concorrência de exploração desse mineral duas empresas americanas - a United States Steel e a Hanna Coal & Ore Corporation - , e uma pequena empresa brasileira da época: a ICOMI. Surpreendentemente, o governo brasileiro optou por esta última, justificando que era fundamental o desenvolvimento de uma empresa do próprio país para explorar grandes jazidas. Após vencer a concorrência, Azevedo Antunes transformou sua empresa em sociedade anônima, ao vender 49% de suas ações para a Bethlehem Steel tirando proveito de uma cláusula do edital de licitação, que exigia que o controle do empreendimento responsávelpela exploração de manganês fosse de capital nacional. A cláusula teria sido incluída por influência do próprio Azevedo Antunes, conhecido por sua proximidade com o meio político. A parceria com a empresa americana traria aporte de capital e tecnologia para o projeto de exploração do manganês de Serra do Navio.

Veja uma uma reportagem do Jornal do Dia (24/08/1999) em que foi publicado o contrato da exploração das jazidas no Amapá. O material faz parte do acervo da Biblioteca SEMA.

Clik nas imagens para ampliar

 

O governo autorizou a concessão da exploração desse minério por 50 anos, no período que deveria ser entre 1953 e 2003. Naquele momento, a siderurgia americana estava fortemente dependente do manganês explorado nas nações africanas. A extração do manganês da Serra do Navio a partir de 1955 e seu escoamento para os EUA, além de minimizar a depend~encia do minério extraído na África, poderia aumentar o estoque americano em um momento em que a ibdústria bélica necessitava de grande quantidade de aço: "o período da "Guerra Fria". Nesse cenário, aumentar a reserva manganífera passou a ser uma imposição para a geopolítica norte-americana, pois devemos considerar que a antiga URSS possuía grandes estoques desse minério, o que lhe garantia uma relativa autonomia na produção de aço necessário ao seu desenvolvimento iondustrial. Esses fatores elevaram o preço desse minério, fazendo com que a ICOMI deslanchasse, ao contrário de outros empreendimentos de grande porte montados na região amazônica, como o Projeto Jari, do empresário norte-americano Daniel Ludwig (o próprio Azevedo Antunes comprou a Jari em 1982, mas o negócio de papel e celulose continuou no vermelhop nas mãos da CAEMI, que vendeu em 2000). A prosperidade da ICOMI só começou a minguar com o fim da Guerra Fria e o início da exploração de manganês na Serra dos Carajás, no Pará.
Apesar das maiores reservas brasileiras de manganês estarem localizadas no Maciço de Urucum (Mato Grosso do Sul) e na região de carajás (Pará), durante muito tempo a Serra do Navio respondeu pela maior parte da produção desse minério.

A seguir, fotos de trabalhadores da ICOMI nos anos 60. Uma época romântica e de sonhos para várias pessoas, desejosas de trabalhar na companhia. As fotos são do acervo de Rogério Castelo e mostram seu pai (Osvaldo Nascimento dos Santos) com amigos na mina.

Empenho em busca de realizações....
Era comum entre os trabalhadores serem conhecidos apenas por apelidos (Ex.: Cara-de-macaco, Pavão, Jaburu, Cara-suja, Fubica, Menos-Dois, Diabo loiro, Bispo, Canindé, Zé duarte, Sussuarana, Vermelhão, Manelão, Sebinho, Rasto-de-alma, Bombril, Preguiça, Cuamba, Tio Vinte, Rato, Cupim, Mucura, Flexa, Marcha-lenta, Neco, Baixinho, Bifão, Lolito, Deca, Bené, Ceará-Cachorro, Chicão, etc...mais que rapaziada gaiata!!!). Ninguém escapava não, nem a chefia. Era bater o olho e "batizar" o cristão. Meu pai mesmo, quando chegou na Serra e na hora que colocou a cara prá fora do carro já foi carinhosamente recebido pela singela, bonita e mui amiga alcunha de Cara-de-macaco. Criativiadade na hora...e não adiantava reclamar que só fortalecia mais o apelido, já era!!!!
Na foto, os figuras posando de bacana no Cartepila são, da esquerda para a direita: Niquilado, Couro-Curto, Roberto Carlos e Cara-de-macaco.
Ah...essa galera gostava de jogar uma sinuca lá no Manganês Clube...certamente!!!

....ou quem sabe dar uma merendada lá na lanchonete da Dona Didi...depois de "aparar o telhado" na barbearia do Coronel...ou comprar um tecido no Cinturinha ou na loja da Francinete...um sapato na Darica...Ah, tinha o Valente, um armazém com diversas coisas também...
Uma época sem televisão.....em horas de folgar, costume de muitos, ler livros de bolso com tema faroeste e depois trocar por outros, em visitas casuais...lembro disso!!!

Sempre ouvia falar de uma tal "onça que comia" (receio dos trabalhadores), mas que raios era isso?! Falar que a onça comeu fulano e em minha mente se fantasiava um verdadeiro quadro de terror dos mais cruéis possíveis....só depois descobri que era a perda do emprego. Ah eu era muito novo e morei na Serra até os 09 anos.
Para viabilizar a exportação do minério, a ICOMI construiu uma ferrovia (E.F. Amapá) com 193 km de Serra do Navio até o porto de Santana. A empresa também realizou outros investimentos em infra-estrutura, destacando-se a construção de duas "company towns" (Serra do Navio e Vila Amazonas), ampliação da área portuária de Santana, e na Hidrelétrica Coaracy Nunes (Usina do Paredão, construída com "royalties" da exploração do manganês). "Copmpany towns" são núcleos habitacionais construídos com infra-estrutura para abrigar os trabalhadores dos Grandes Projetos na Amazônia. A lavra e comercialização do minério de manganês ocorreu entre 1957 e 1997. A maior parte da produção foi constituída por blocos naturais desse minério, que eram britados, peneirados e classificados granulometricamente até atingir as especificaçãoes exigidas pelos compradores.
Fonte: Texto extraído do livro "Geografia do Amapá", do Prof. Antonio Carlos

terça-feira, 18 de junho de 2013

Coluna Argumentos, terça-feira, 18 de junho de 2013.

Virado
O juiz federal João Bosco Costa Soares mostra que é obstinado pelo trabalho social, adotando postura que se antecede aos conflitos que precisa mediar. Ontem foi recebido pelo senador José Sarney. Em pauta, mais recursos para a habitação de interesse social.
Europa
Bala Rocha (PDT-AP) participa da 102ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, na Suíça. Cerca de 5.000 delegados representando governos, empregadores e trabalhadores participam do encontro.
Pena
A fraca seleção do Taiti, como era de se esperar, pode ser o saco de pacada da Copa das Confederações. Mesmo assim, os baixinhos atletas da Oceania ganharam a torcida mineira que foi ao estádio ontem.
Unimed
Médica Joana Aquino Leão, presidente da Unimed Macapá, voltou mais esperançosa de viagem a Brasília, onde se encontrou com Sarney. Recuperação à vista, diz ela.
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Esportes
O novo secretário do desporto e lazer do estado, Mário Brandão, conseguiu mobilizar muita gente para um debate sobre este importante setor. Três dos oito deputados federais compareceram, e Milhomen anunciou R$ 4 milhões para a pasta.
Tête-a-tête
Código Tributário Municipal foi tema de reunião no Conselho do Sebrae. O titular da Secretaria de Finanças de Macapá foi sabatinado sobre a Reforma do Código Tributário Municipal.
Temas
O encontro que Bala participa tem como temas ‘Emprego e proteção social no novo contexto demográfico’, ‘O desenvolvimento sustentável, o trabalho decente e os empregos verdes” e “Diálogo Social: as tendências, os desafios e as oportunidades relacionadas com os atores e as instituições’.
Fiscalização
O Ministério Público do Estado do Amapá (MP-AP) e o Conselho Regional de Odontologia (CRO) firmaram segunda-feira, 17, um termo de cooperação técnica (001/2013) que visa estabelecer diretrizes para uma atuação conjunta sobre a apuração de fatos decorrentes da má prática e exercício ilegal da odontologia no Estado. Sociedade agradece.

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