Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura, política e empreendedorismo.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Estadão: Psol vive seu choque de realidade no Amapá

Com referência na experiência venezuelana, o Psol chega dividido e em meio a enorme polêmica interna para administrar sua primeira capital. A gestão em Macapá pode ser definidora do futuro do partido

Prefeito eleito de Macapá, Clécio Luiz, com o senador Randolfe Rodrigues, maiores lideranças do PSol no Amapá

Oito anos depois de sua fundação e de se manter fiel como oposição ao governo federal do PT no Congresso Nacional, o Partido Socialismo e Liberdade (Psol), fundado por petistas dissidentes, assumirá em janeiro a primeira prefeitura de capital, Macapá, no Amapá. O partido tentará mostrar ao País que não é apenas grupo ideológico fadado a marcar posições de esquerda radical no Legislativo.

O Psol planeja fazer da cidade a vitrine do programa socialista que defende desde sua criação, em junho de 2004. Mas enfrenta resistências e dúvidas de alas dentro do partido.

Para instalar a plataforma que tem como referência o socialismo venezuelano numa capital que carece de infraestrutura básica e depende de recursos da União e do Estado, o Psol encara um debate interno: a quem ceder espaço no governo, já que partidos tidos como de direita - DEM, PSDB e PTB - e setores do PT ajudaram a vencer o pleito? E para futuras eleições, com quem formar alianças? A experiência em Macapá pode ser definidora no perfil do partido.

O estopim do debate que hoje divide o Psol foi a costura de apoios e alianças no 2º turno das eleições. À frente de esquerda Unidade Popular (Psol, PV, PPS, PCB, PTC, PRTB e PMN), juntaram-se setores do PT, do PCdoB, do PSB e líderes de partidos do espectro ideológico oposto, como o DEM, o PSDB e o PTB. Os apoios deram mais votos à chapa do prefeito eleito Clécio Luis (Psol), que enfrentou o grupo político que estava no poder há pelo menos dez anos com apoio do senador José Sarney (PMDB-AP), do ex-senador Gilvam Borges (PMDB-AP) e dos ex-governadores Waldez Góes (PDT) e Pedro Paulo Dias (PP) - cujas últimas administrações foram marcadas por denúncias escândalos de corrupção. Eles davam sustentação ao prefeito Roberto Góes (PDT), que tentava reeleição.

Um dos efeitos da aproximação com tais partidos que o Psol critica se estende até o momento. Há pressão geral sobre o prefeito para ver quem terá cargos na gestão. A crise no partido se tornou pública. Militantes divulgaram nota de repúdio às alianças costuradas em Macapá pelo senador Randolfe Rodrigues (Psol-AP), articulador político dos apoios e da campanha e de quem Clécio é suplente. Randolfe e Clécio admitem composição só com aliados de esquerda e pregam critério “ético e técnico”.

Na reunião da Executiva Nacional, quinta-feira passada, cogitou-se levar Clécio e Randolfe ao Conselho de Ética. Eles se livraram, mas só por um voto. “Não podemos transformar a vitória em derrota”, disse o líder da bancada na Câmara, deputado Chico Alencar (Psol-RJ). “Sem autofagia. Será nossa saída da adolescência, o primeiro teste de maturidade do Psol. Vai exigir muita atenção e um esforço do partido como um todo, sem distensão interna menor”.

Expectativa
A primeira gestão do Psol gera expectativa dentro do partido e nos moradores de Macapá. Clécio mantém o acanhado gabinete 37 da Câmara de Macapá decorado com fotos de Salvador Allende, Simón Bolívar, Tupac Amaru e Pablo Neruda. Inspirado pelo socialismo do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pretende fazer um governo voltado “para os mais pobres”. Mas sem expectativa de promover uma revolução socialista na Prefeitura. (da Agência Estado)

Quem

ENTENDA A NOTÍCIA

Aos 40 anos, ex-agente da Polícia Civil, formado em Geografia, Clécio Luiz está no segundo mandato como vereador - o primeiro foi pelo PT. Agora, será o primeiro prefeito de capital do Psol.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Dnit abre concurso para 1.200 vagas em todo o País


 Redação - jornalismo@portalamazonia.com
Concurso público. Foto: Divulgação
Concurso público. Foto: Divulgação
MACAPÁ – O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) abriu concurso público para 1.200 vagas em cargos de nível médio e superior. Os salários vão de R$ 2.507,30 a R$ 7.815,81. As vagas são para todo o país.
Os cargos de nível superior são de analista em infraestrutura de transportes – área ambiental (25 vagas), geoprocessamento (7) e engenharia civil (147); analista administrativo – contábil (35), tecnologia da informação (10) e administrativa (65).
Os cargos de nível médio são de técnico de suporte em infraestrutura de transportes – estradas (604), laboratório (74), topografia (89); técnico administrativo – administrativa (144).
Os cargos de analista em infraestrutura de transportes nas áreas ambiental e geoprocessamento e de analista administrativo na área administrativa exigem nível superior em qualquer área. Os cargos de técnico de suporte em infraestrutura de transportes – estradas e técnico administrativo – administrativa exigem apenas nível médio. Já os cargos de técnico de suporte em infraestrutura de transportes – laboratório e topografia exigem curso técnico nas respectivas áreas.
Os salários são de R$ 7.815,81 para analista em infraestrutura de transportes, de R$ 5.408,21 para analista administrativo, de R$ 3.545,88 para técnico de suporte em infraestrutura de transportes e de R$ 2.507,30 para técnico administrativo.
As vagas distribuídas por cargo/área de especialização/superintendências regionais/sede/DF ou Instituto de Pesquisas Rodoviárias – IPR/RJ, conforme anexo I do edital, são independentes e não se comunicam para efeito da aprovação e de classificação.
As inscrições devem ser feitas pelo site www.esaf.fazenda.gov.br das 10h do dia 12 de novembro até as 23h59 do dia 30 de novembro. A taxa varia de R$ 50 a R$ 100.
O concurso terá prova objetiva 1 (comum a todas as áreas), prova objetiva 2 (por área de especialização – conhecimentos específicos) e prova 3 – discursiva.
As provas objetivas serão aplicadas nas cidades de Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Boa Vista, Brasília, Campo Grande, Cuiabá, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Goiânia, João Pessoa, Macapá, Maceió, Manaus, Natal, Palmas, Porto Alegre, Porto Velho, Recife, Rio Branco, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís, São Paulo, Teresina e Vitória, na data provável de 20 de janeiro de 2013.
Serão convocados para realização da prova discursiva todos os candidatos aprovados nas provas objetivas.
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Amapá: Famílias extrativistas receberão assistência técnica


Amazônia

Divulgação
Amazônia: desde os anos de 1990, a assistência técnica e o extensionismo no país perdeu espaço
Macapá (Amapá) – Catorze mil famílias de extrativistas vão receber orientações técnicas para melhorar a produção e incrementar a renda. O edital para seleção da empresa que vai prestar serviços de assistência técnica a esse segmento, pela primeira vez no país, será publicado ainda este mês. O anúncio foi feito hoje (6) pelo ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas, durante a abertura do 3º Congresso Nacional das Populações Extrativistas, em Macapá, no Amapá.
No universo da Amazônia Legal, onde 80% da área precisam ser preservados, limitando a atividade agrícola tradicional, os produtos da floresta são utilizados como um complemento fundamental das rendas das populações locais. Apesar da disponibilidade de produtos, os integrantes dessas comunidades, conhecidas como moradores da floresta, esbarram na dificuldade da falta de tecnologia e de conhecimento suficiente para incrementar os ganhos nos estados abrangidos pela região.
Retomados, desde 2003, os serviços de assistência técnica e extensão rural no Brasil, que teriam essa função, nunca alcançaram atividades não convencionais, como o extrativismo e a pesca artesanal.
“Precisamos de infraestrutura e conhecimento para agregar valor e tornar nossa vida sustentável. O emprego da floresta é tão importante quanto o da indústria”, destacou o presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Manuel Cunha.
No encontro, que reúne extrativistas de várias partes do país, Cunha lembrou que, durante anos, o segmento se limitou a “extratores de matéria-prima”. “Agora estamos em uma nova era de ser autogestor, mas, para gerir nossa produção, temos que ter capacitação. Não fomos habituados para isso. Precisamos de assistência técnica diferenciada, com infraestrutura”, acrescentou.

“A questão ambiental hoje deixou de ser dos loucos para ser uma ciência”.

Mamede revelou em entrevista que por sua atuação como ambientalista já recebeu até ameaças de morte

Ele já sofreu até ameaças de morte por sua atuação como ambientalista. Foram tempos difíceis, segundo conta Mamede Leal, que recorda ser uma prática comum no início dos anos 90 rotular gente como ele de “eco-loucos” ou ainda “eco-xiitas”. Superou a todas essas dificuldades, galgou novas funções públicas e hoje é um dos mais conceituados ambientalistas em atuação no Amapá, tendo acumulado na bagagem a participação em diversos eventos do setor em várias partes do Brasil e do mundo. Ele é membro titular do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema). Ontem (3) ele falou dessa trajetória em uma entrevista ao programa Conexão Brasília, da Diário FM, apresentado pelo jornalista Cleber Barbosa. Os principais trechos o Diário do Amapá publica a seguir. Acompanhe a entrevista.

CLEBER BARBOSA 
DA REDAÇÃO

Diário do Amapá – Falar de meio ambiente é sempre salutar não é mesmo?
Mamede Leal – Tudo bem é um prazer poder falar dessa causa que no meu entender deveria ser todo ambiente e não meio ambiente.

Diário – Boa tirada essa.
Mamede – Sim, pois meio ambiente é todo ambiente mesmo, seja dentro da nossa casa, o ar que respiramos, o caminhar, o pisar, enfim, a vida na natureza.

Diário – Em que fase da sua vida o senhor se descobriu um ambientalista?
Mamede – Olha, muito me honra ser filho de pescador, vim para cá aos sete anos de idade e tudo começou com meu pai, que tinha plantado uma grande floresta na Vigia (PA). Maus avós vieram em 28 [1928], meu pai veio em 48 [1948], voltou e depois veio com a gente em 63 [1968], quando ele foi para a proa da canoa e eu fui com ele aos 17 anos para o mar pescar. Vi que não era legal e recebi um convite da professora... que Deus a tenha, eu até me emociono, a professora Ester Virgolino. 

Diário – Como foi isso?
Mamede – Esse anjo apareceu na minha vida e me trouxe para minha tia, Ofélia Ataíde, que me criou e devo muito a ela também. E depois a um ser humano que também já está no alto, que foi o padre Antônio Couto, que muitos conselhos me deu. Depois conheci o professor Camilo Viana e comecei com isso [meio ambiente] em 1990, já militando. Construímos o Partido Verde (PV), construímos o Movimento Verde Vida e que depois ficou muito tempo no esquecimento.

Diário – Então o começo de sua trajetória se deu às vésperas da Eco 92, no Rio de Janeiro? O senhor foi para aquela conferência?
Mamede – Exatamente, mas eu não fui. Depois fui a Estocolmo e depois estava com passagem tirada para ir a Istambul, mas acabei não indo para aquela outra conferência. Mas depois tive a portas de participar de outros seminários. Aí veio um chamado mais urgente que era de participar já pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente. Em 1993 conheci a Mari [Alegreti] e também conheci em vida o Chico [Mendes] em vida aqui, escrevi até um artigo sobre isso, pois ele faleceu em 22 de dezembro de 1988 e depois a caminhada à espiritualidade me deu essa condição de lutar pelo meio ambiente.

Diário – O senhor também acabou se notabilizando pelo que escrevia, como era isso?
Mamede – Sim, escrevi vários artigos, muitos deles publicados aqui mesmo neste Diário. Uma vez a própria Folha de São Paulo publicou um texto desse, o que muito me honra. Depois fui convidado pelo governador Capi [João Capiberibe] para assumir um cargo na Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), pois eu era da Seplan (Secretaria Estadual do Planejamento). E lá estou há mais de vinte anos da Sema, muito honrado também, pois faço isso com muito amor. Mas eu já sofri muito desgosto, desaforo e até a minha vida já foi ameaçada.

Diário – Ameaça de morte?
Mamede – Sim, inclusive uma vírgula de um juiz, de um deputado e depois de um pistoleiro, mas que tinha matado a fome dele por felicidade no Jari. Esse fato estou relatando pela primeira vez, acho que porque Deus me deu essa coragem através dos seus anjos para relatar isso aqui, eu nunca tinha falado nada a respeito, só em família, por isso me emociono.

Diário – Não foi um começo tranquilo.
Mamede – Sim e naquela época a gente era taxado como “eco-louco”, “eco-xiita”, enfim, foram vinte anos, só que agora mais amadurecido, responsável, convicto do que falo, do que defendo, do que trabalho. Mas também contribuo muito, eu tenho certeza disso, senão não serie respeitado, pois eu respeito as pessoas. Mas não foi fácil porque a gente não agrada a todos.

Diário – E como era a sua relação com o Projeto Jari?
Mamede – Lá eu não tive problema. Ao contrário, me chamaram, sentamos à mesa e hoje o projeto está aí. Eu deixei uma marca no Jari, pois fui secretário do Meio Ambiente lá, devo muito à sociedade jarilense isso. Depois fui transferido por causa de problemas provocados por uma passeata, um protesto bastante efusivo contra os passivos ambientais que até hoje temos. Eu devo muito à Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, que com muito carinho engavetou esse processo, com análises químicas, com a veracidade dos casos, de um projeto grande que neste momento está atravessando dificuldades.

Diário – Qual projeto Mamede?
Mamede – Ontem eu recebi um telefonema de que estão tentando manter, pois cinco mil funcionários podem ir para a rua. O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Social) está com certeza batendo na porta deles, pois o projeto Jari tem um grande passivo ambiental e que a sociedade hoje está pagando caro por isso, principalmente Vitória do Jari. Hoje eu sou gerente de uma unidade de conservação que está cravada naquela região do Vale do Jari que é a Reserva do Iratapuru.

Diário – É uma longa caminhada então?.
Mamede – É uma ciência. A questão ambiental hoje deixou de ser dos loucos para ser uma ciência, que temos várias universidades, vários doutores que são militantes da questão ambiental. 

Diário – E qual o papel do Conselho Estadual do Meio Ambiente?
Mamede – Ele é um órgão supletivo e que a sociedade deveria se apropriar mais dele, indo às nossas reuniões mensais, que são públicas. O Coema foi criado através da Lei 065 de 18 de agosto de 1994, então está completando 18 anos, sua maioridade digamos assim. Ele está sofrendo mudanças. 

Diário – Esta semana o senhor presidiu inclusive uma reunião do Coema, o que esteve em pauta?
Mamede – Essa agora foi sobre a Coca-Cola. Nós do Movimento, juntamente com o companheiro Capela [Geraldo Capela] solicitamos a presença do Imap para dirimir algumas questões sobre uma multa aplicada à Coca-Cola de R$ 1 milhão e que ainda tem um passivo enorme com relação ao Igarapé Corrêa. Também foi convidado o presidente da Associação Extrativista e Ambientalista do Igarapé Corrêa. 

Diário – Como deve ser o trâmite de uma denúncia sobre dano ambiental?
Mamede – A denúncia deve ser factível, responsável e com provas. 

Perfil

O entrevistado. Paraense de Vigia (PA), filho de pescador e também tendo sido influenciado pelo pai, ensaiou seguir a carreira de buscar o pescado no mar aberto, atividade que diz jamais ter tido a menor vocação, acabou virando funcionário público. Mamede Leal Siqueira se tornou um dos mais atuantes ambientalistas no Amapá, onde por sua aguerrida postura foi para a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), onde atua por mais de vinte anos. Chegou a ser secretário municipal do Meio Ambiente em Laranjal do Jari. Atualmente é membro titular do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Coema), um colegiado que é a máxima autoridade neste importante segmento da sociedade local. Também é gerente da Unidade de Conservação da Reserna Natural do Iratapuru, no Sul do Amapá.

Rumo ao Cunani: Valorizando o turismo interno

Este é considerado um dos maiores sítios arqueológicos do Amapá, no Cunani
Os associados do Jeep Clube de Macapá partem nesta sexta-feira para o município de Calçoene, distante cerca de 330 quilômetros de Macapá. O objetivo é visitar a Vila do Cunani, que outrora já foi chamada de República, num movimento separatista que previa sua independência desta parte do Brasil. É lá também que foi anunciada uma das maiores descobertas sobre a história do Amapá, um sítio arqueológico que seria voltado a se observar o fenômeno do Solstício. É neste cenário de história e conhecimento científico que se passa a mais nova aventura jipeira.
Ilealizador da expedição é o jipeiro José Maria Esteves, o Zé da Avicap
Segundo o idealizador da viagem, o piloto José Maria Esteves, a maior motivação é que os associados conheçam cada vez melhor os próprios domínios do Amapá e assim se tornarem multiplicadores do enorme potencial tur[istico que o Estado possui.

República do Cunani
O termo Cunani vem do tupi, e é um dos nomes do tucunaré, peixe da região amazônica. A atual vila de Cunani é distrito do município de Calçoene. Deve possuir cerca de 500 habitantes entre os que moram na sede e os da região ribeira. A base econômica é a pesca e a pequena agricultura. A extração de madeira é outra frente econômica, mas o trabalho é todo manual, por não existir serraria motorizada. Os meios empregados são os serrotes, manejados por dois homens, um em cima e outro em baixo da tora de madeira, suspensa quase dois metros. Este procedimento já era empregado no século XVIII, período da escravidão negra no Brasil.
                           
Escudo da República do Cunani
Escudo da República do Cunani - Acervo Edgar Rodrigues
A vila possui uma escola, um posto de saúde e um posto de telecomunicações. O pequeno comércio é abastecido com mercadoria trazida de Calçoene ou comprada a bordo de barcos regatões que de tempo em tempo vão entrando nos rios, aparecendo aqui e ali povoados isolados. O campo de pouso falta ser recuperado. Pode-se alcançar a vila por dois caminhos: pelo oceano, saindo de Calçoene, a viagem dura 10 horas em barco motorizado. A pé ou a cavalo, pela praia, também é possível, saindo de um lugarejo chamado Cocal.
Por que este povoado tão pequeno e isolado despertou a cobiça de aventureiros como Jules Gross e Adolph Brezet, chegando eles a transformar essa região, por duas vezes, em república independente? Mas a República de Cunani não constituiu um fato isolado. A própria cobiça francesa por toda a região do Contestado se verificou ali culminando com vários conflitos armados ocorridos entre franceses e brasileiros.
A sanha de Jules Goss e seus aventureiros provocou, assim, o aparecimento da República em 1885, que foi logo abafada pelo próprio governo francês, por causa da situação ridícula que causou à França. Mesmo assim, houve uma segunda tentativa, provocada por outro francês de nome Adolph Brezet, em l902, mas foi sufocada, desta vez, pelo governo brasileiro. Mesmo com sua duração efêmera, os selos e moedas do Cunani atualmente representam valores incalculáveis para filatelistas e numismatas.

Os mistérios sobre o tal "Stonehenge" amazônico

Os mistérios sobre este achado arqueológico aguçam a curiosidade de pesquisadores
A primeira escavação em misterioso círculo de pedra no Amapá descarta tese de que seus construtores vieram do Caribe. Casal de arqueólogos da Universidade Federal de Campina Grande diz, no entanto, ainda não poder confirmar se monumento era de fato um observatório astronômico pré-histórico. O lugar já tem até nome: Parque Arqueológico do Solstício. Mas os arqueólogos que estudam o local não sabem ainda se o estranho círculo de pedras feito em Calçoene, norte do Amapá, é realmente de um antigo observatório indígena.
O que eles sabem é que as escavações no monumento, iniciadas neste ano, parecem enterrar a hipótese atual sobre a identidade de seus construtores. O círculo, de 30 metros de diâmetro, é feito de blocos de granito de até 4 metros de comprimento cada. Ainda não se sabe quando foi erguido, mas há conjuntos parecidos na Guiana Francesa com 2.000 anos de idade. Apelidado de "Stonehenge do Amapá", em referência ao famoso círculo de pedras da Inglaterra, ele é conhecido há mais de um século - mas nunca escavado.

Texto elaborado por Edgar Rodrigues



A história, atrações e curiosidades da ensolarada cidade de Calçoene

Nesta imagem caboclo exibe  mascara ritualística de cerâmica, encontrada no sítio arqueológico de Calçoene
A história de Calçoene começa em 1893 quando, a esse tempo, foi descoberto ouro no leito de rio do mesmo nome. Com isso, a questão do Contestado Franco-Brasileiro se reacendeu, com vários conflitos envolvendo brasileiros e franceses da Caiena, culminando com a vitória dos brasileiros e a anexação da área, antes contestada pela França, ao Brasil em 1900. Assim, a atual cidade de Calçoene teve origem do movimento de garimpeiros e faiscadores do ouro.
Em 25 de maio de 1901, o decreto nº 1.021 divide o Aricari em duas regiões: Amapá e Calçoene. Após sua instalação, a Mesa de Rendas consegue arrecadar, do imposto do ouro, 224 mil réis, equivalentes ao despacho de 17 quilos desse metal, das minas de Lourenço. Nesse ano a população da sede chega a 1.600 habitantes. Em 16 de abril de 1903, é criado o Distrito de Calçoene com jurisdição no então município de Montenegro. Em 23 de maio de 1945 Calçoene é elevada a vila e, a 22 de dezembro de 1956, recebe foros de cidade (Lei nº 3.055).
Significado - A palavra Calçoene significa cunha do Norte.As principais atividades produtivas do município são a Agropecuária, a silvicultura, o extrativismo, o comércio e serviços. A garimpagem e a pesca são ocupações ainda predominantes. Município mais chuvoso do Brasil, é conhecido pelo sítio arqueológico pré-colombiano descoberto em 2005. Calçoene tem um açaí delicioso preferido por todos e éo unico município do estado do Amapá que dispoe de uma praia no oceano atlantico,  a Praia do Goiabal. Destaca-se por corredeiras e recantos de entretenimento e lazer e por suas cachoeiras, como as de Asa Aberta e Firmino, localizadas em frente à sede do município.

CURIOSIDADES


- É um conjunto de pedras maciças colocadas por mãos humanas;
- É  considerado a “Stonehenger” amazônica e vem sendo estudada desde 2005;
- A estrutura que lembra o círculo britânico é demarcada com blocos de granitos;
- Tem cerca de 30 metros de diâmetros e atualmente é um dos mais importantes monumentos da arqueologia do País.

JIPEIROS



O comboio de jipeiros visita a Vila do Cunani neste ferido prolongado


quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Quanto ganham as bailarinas e asistentes da TV?

Em Off

Veja quanto ganham algumas bailarinas e assistentes de palco da TV


Foto:Divulgação

Já que as dançarinas e assistentes de palco de programas são sempre sendo muito procuradas pela revistas (e aceitam suas propostas para fazer ensaios sensuais), o blog quis saber se elas andam ganhando bem na televisão. As panicats, que estarão na capa da "Playboy" em dezembro, continuam com salário baixo. Elas só perdem para as bailarinas do "Domingão", mas as meninas de Fausto Silva são formadas em dança e trabalham em outros locais. Não é o caso da panicats. Veja ranking (os valores são mensais):
Dançarinas do "Domingão do Faustão": R$ 1.000, 00
Panicats: R$ 1.400,00
Assistentes do programa "O Melhor do Brasil": R$ 2 mil
Dançarinas "Programa do Gugu": R$ 2 mil
Juju Salimeni e Joana Machado são um misto de assistentes de palco com repórteres no "Legendários". Elas são chamadas de legendárias. Juju ganha R$ 5 mil. Já Joana embolsa R$ 9 mil.
Siga-me no Twitter: @janaina_nunes

Luciano Huck e Rodrigo Santoro conhecer a pororoca do Amapá

Luciano Huck leva Rodrigo Santoro, Marcello Novaes e Marcelo Serrado para surfar na pororoca!
Ator se aventurou com o apresentador Luciano Huck, Marcello Novaes e Marcelo Serrado, no Amapá 

Jornal do BrasilCom Pedro Willmersdorf


Confira também o nosso blog
Nesta terça-feira (30), Luciano Huck levou os amigos Rodrigo Santoro, Marcello Novaes, Marcelo Serrado eCarlos Burle para uma aventura daquelas nos confins do Brasil. Os atores e o surfista profissional foram, junto do apresentador do 'Caldeirão Huck', até o Amapá, para surfar na pororoca no Rio Araguari.
Em seu perfil no Twitter, Luciano descreveu a experiência com riqueza de detalhes. "Eu, Marcello Novaes, Rodrigo Santoro, Marcelo Serrado e Carlos Burle... Eles surfaram a pororoca. Eu tentei (risos). O Amapá é lindo", disse o apresentador ao postar uma foto para os seus seguidores. "Foi um dia incrível, inesquecível", finalizou. A brincadeira ainda não tem data definida para ir ao ar no 'Caldeirão do Huck', na Rede Globo. 

Luciano Huck leva Rodrigo Santoro, Marcello Novaes e Marcelo Serrado para surfar na pororoca!

Recursos federais para saneamento básico foi uma conquista dos amapaenses, diz Sarney

Ministro das Cidades, Mário Negromonte, com o presidente do Senado Federal, José Sarney (PMDB-AP)

O presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP), disse ontem (31) estar muito feliz com o anúncio da liberação dos recursos federais, na ordem de R$ 17 milhões, para que sejam executados projetos para a área do saneamento básico nas duas maiores cidades do Estado, Macapá e Santana. Não se tem notícia de que ele tenha sido convidado para a cerimônia de assinatura do convênio com o Governo do Amapá e a Caixa Econômica Federal, apesar de sua destacada atuação para que o ministro Mário Negromonte tenha contemplado o Amapá com esse importante aporte de recursos.

Sarney explicou que além da Capital e também Santana, outros municípios igualmente com índices deficitários de oferta de saneamento, como Laranjal do Jari e Vitória do Jari, estarão recebendo apoio federal. “O governo federal pratica uma política diferenciada para melhorar a oferta de saneamento básico no país, afinal o Brasil tem avançado tanto em muitas áreas e não poderia ser diferente em relação a esse campo, diretamente ligado à saúde pública e a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, disse Sarney.

Na conta - O gabinete do senador José Sarney informou ainda que, entre os dias 29/09 a 29/10/2012, foram liberados também pela União, em convênios para o Amapá, R$ 13.386.543,37 (treze milhões, trezentos e oitenta e seis mil, quinhentos e quarenta e três reais e trinta e sete centavos). Os recursos são para diversas áreas e vieram de vários ministérios para os municípios de CutiasLaranjal do JaríMacapáMazagãoPorto Grande,SantanaTartarugalzinho e Vitória do Jarí:

Entre as obras programadas está a construção de um estádio no município de Cutias; construção da Praça da Juventude no município de Laranjal do Jari; construção de 458 casas,com urbanização e saneamento integrado na ressacado, bairro Congós; implantação e modernização do Complexo Poliesportivo do Zerão, em Macapá; ampliação do Sistema de Segurança Pública nas áreas de fronteiras do Estado do Amapá (municípios de Oiapoque, Calçoene, Amapá e Laranjal do Jarí); aquisição de 01 um caminhão com carroceria e capota em madeira para apoio no escoamento da produção agroextrativista em Mazagão; construção de 01 quadra poliesportiva no Vila Nova (Porto Grande); construção de 84 unidades habitacionais no município de Santana, bairro Elesbão; construção de habitações populares no município de Tartarugalzinho; construção de uma Praça de Esportes no município de Vitória do Jari.

Coluna Argumentos (Diário do Amapá), quarta-feira, 01.11.2012

Boato

Foi o que circulou na cidade ontem a respeito de um novo colapso no abastecimento no abastecimento de gasolina em Macapá. Bastou para uma corrida aos postos, com registros novamente de filas quilométricas. O?aumento da demanda esvaziou estoque, só isso.

Normal

Ainda sobre a suposta falta de gasolina, a coluna apurou que na verdade não houve problema algum com o fornecimento da Petrobras Distribuidora e da Ypiranga. As entregas estão normais, dizem empresários.

Nada

O prefeito eleito de Macapá Clécio Luiz (PSol) já disse que os apoios do segundo turno da eleição não representam o “loteamento” de setores de seu futuro governo municipal. “Foram espontâneos”, disse ele. 

Minério
Foi o que a equipe do JN no Ar, quadro do Jornal Nacional (Globo) atribuiu como motivação para atrair tantos brasileiros de várias partes do país para Pedra Branca do Amapari. A matéria mostrou que lá tem a maior taxa de crescimento populacional.

Nomes


Mas tem uma coisa que já apuramos. Há gente do governo do PSB que já foi sondado para vir a ocupar a futura equipe da PMM, que terá o PSol à frente da gestão.

Bastidores


O engenheiro José Adeilton falava na audiência pública sobre a evolução histórica da dívida da estatal: - Em 1994 acendeu a luz vermelha. Antônio Feijão cochichou:?- Foi o vermelho do PT!

Dureza


Gente simples que vive na costa do município de Amapá, como pescadores e pequenos agricultores, vivem a linha tênue de ter que competir com grandes companhias pesqueiras de fora. O?jeito é ir para a Reserva do Lago Piratura, enfrentar fiscais ambientais e, agora, um terrível incêndio. Vida dura.

Lotado


O Brasil possui destinos turísticos realmente consolidados. Para se ter uma ideia, quem faz planos para ir à Serra Gaúcha no próximo inverno, ou seja, entre maio e julho do próximo ano, já não encontra as melhores tarifas. Há casos até de voos esgotados. Isso mais de seis meses antes da temporada mais fria do ano por lá, também a mais procurada por viajantes.

Amapá na ABAV: À espera de novos turistas

TURISMO - Uma delegação de empresários do setor de turismo do Amapá embarca para o Rio de Janeiro para participar da maior feira do setor no país
Abertura. Com o ministro de Estado do Turismo na mesa diretora, a 40ª edição da Feira das Américas, no Rio de Janeiro, foi aberta com pompa e circunstâncias, afinal é a maior vitrine do turismo em todo o continente.

CLEBER BARBOSA 
EDITOR DE TURISMO

O Amapá esteve representado esta semana na maior vitrine do turismo do continente, a Feira das Américas, a Abav 2012, que chega a sua 40ª edição este ano, o último que acontece no Rio de Janeiro. A partir da próxima, será São Paulo a cidade a sediar esta tradicional reunião de operadores, agentes de viagem, autoridades e empresários ligados ao turismo.
A abertura da Feira foi no dia 23, com a presença do ministro do Turismo, Gastão Vieira, além de dirigentes da Abav (Associação Brasileira de Agências de Viagem) de todo o país. O Amapá foi representado pelo atual dirigente da seccional do estado da Abav, o empresário Elenilton Marques, da Poroc Turismo. “É muito importante vir a um evento como esse, pois há muitas trocas de experiências e, claro, possibilidades de novos negócios”, diz o presidente da Abav no Amapá.

Envergadura - A Feira de Turismo das Américas constitui excelente oportunidade para negociações e relacionamento com profissionais do trade turístico. O evento, palco que expõe a maior diversidade de produtos, serviços e destinos voltados à indústria de viagens e turismo, é parceiro da maior feira de turismo do mundo, a ITB Berlim (Alemanha) e da ITB Academy, e prioriza em sua estratégia de crescimento facilitar o entrosamento entre buyers e suppliers, além de muito networking.
Com a presença de expositores de mais de 52 países, a ABAV 2012 apresenta uma série de novidades e, também, é ponto para encontros de entidades públicas e privadas e importantes acordos internacionais.
Este ano, o Evento ABAV tem patrocínio do Sebrae (Vila do Saber e Rodada de Negócios), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo – CNC (Vila do Saber); Equador (Sala de Imprensa); México (canais de comunicação – portal e newsletter), Travelport (compensação de gás carbônico do evento). E apoio do Instituto Brasileiro de Turismo – Embratur (Programa Compradores Convidados), Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas – Abracorp, Associação Portuguesa de Agências de Viagem e Turismo – APAVT, associações da América Latina – AAAVYT/ Argentina, ACHET/Chile, ABAVYT/Bolívia, ANATO/Colômbia, ASATUR/Paraguai e Audavi/Uruguai.

NÚMEROS DA ABAV

- A presença de 52 países expositores;
- Este setor movimentou, em 2011, por meio das agências de viagens associadas à entidade, mais de R$ 90 bilhões;
- Ampliou para 13% sua participação no PIB;
- As associadas ABAV respondem por 85% da rede de distribuição setorial no país;
- Totalizaram 160 milhões de viagens realizadas no ano passado. 

45.000
 Metros quadrados. É a área total da Feira das Américas, com 450 estandes.

Um destino diferenciado e ainda pouco explorado

Sâmia Waldeck

Organizada pelo Sebrae, a Rodada de Negócios é um espaço específico para reunir quem quer vender com quem quer comprar produtos turísticos. Empresários do setor no Amapá sentam frente a frente com alguns dos principais operadores turísticos do país. A diretora da Mountain Air Turismo, Sâmia Waldeck, explicou que na Rodada de Negócios, após um credenciamento e a definição das áreas de interesse, um programa de computador seleciona agentes de viagem e operadoras de turismo para um encontro. As reuniões têm um tempo máximo de 20 minutos, de modo a que se possa alinhavar uma parceria.
Dina Mourão
Já a diretora da FronturTurismo, Dina Mourão, explicou que sua agência vem apostando no turismo receptivo e para isso promove destinos regionais, como os vizinhos municípios do interior do Pará, que na verdade são bem próximos do Amapá. “O nosso forte é o transporte fluvial, aproveitando os passageiros que vão a Macapá e operamos para Santarém, Altamira, Manaus, Breves, enfim, a nossa intenção é fazer com que eles saibam e comercializem esses roteiros”, diz.



Turismóloga do Amapá se muda para o Peru e atrai gente de lá pra cá

Liliane Cascaes

Morando há dois anos em Cusco, no Peru, a turismóloga amapaense Liliane Cascaes ao mesmo tempo em que estuda, também atua no mercado do turismo e divulga o Amapá como destino turístico. Ela faz seu mestrado em Gestão do Turismo e conta que é muito forte a ligação do Amapá com o Peru, afinal é lá que nasce o Rio Amazonas. “As pessoas não acreditam quando digo o tamanho que o rio atinge no Brasil, em especial no Amapá, onde uma margem chega a ter 50 quilômetros”, diz Liliane.
Mas a especialista não titubeia ao apontar qual deve ser a maior aposta para o incremento do turismo do Amapá. “É preciso apostar nessa marca de estarmos no meio do mundo. A Linha do Equador pode fazer realmente a diferença, pois as pessoas que ouvem falar nisso demonstram interesse em ir conhecer. É preciso arrumar uma estratégia de dizer mais isso a mais pessoas no Brasil e fora dele”, diz.
Ela faz planos para abrir sua própria agência de viagem no Peru e desta forma incrementar a venda de pacotes turísticos específicos para brasileiros visitarem o Peru. “Na própria Universidade eu dou aulas de língua portuguesa para acadêmicos e também guias de turismo interessados em atender o crescente número de visitantes do Brasil”, disse a especialistas.
A própria cidade de Cusco é tida como vocacionada para o turismo. Em seus domínios está a histórica Machu Picchu, que pode ser acessada de várias formas. “Há uma viagem de trem, que dura quatro horas, com um visual de tirar o fôlego, assim como uma trilha a pé, que leva três dias. Essa é para quem gosta e está podendo também...”, brinca a especialista.



“Jorge Amado foi um homem vivo e eterno. Com sua grandeza não será esquecido”

Sarney. Como membro da Academia Brasileira de Letras, palestra
sobre Jorge Amado na Espanha 
A mídia noticiou esta semana a participação do presidente do Senado, José Sarney no simpósio "2012: Año Jorge Amado In Memoriam", organizado pelo Centro de Estudos Brasileiros da Universidade de Salamanca, em parceria com a Academia Brasileira de Letras, em homenagem ao centenário de nascimento do escritor baiano, conhecido em todo o mundo. O evento integra programação na Espanha por ocasião da realização do VIII Fórum Interparlamentar Ibero-Americano. O Diário do Amapá reúne, a seguir, as principais considerações de Sarney a respeito do colega e amigo Jorge Amado, extraído durante sua palestra no evento.

CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO

Emoção de estar na histórica Espanha, para falar de Literatura e Constituição.
Com muita emoção falo nesta Casa de quase 800 anos, que é, na proclamação de Dom Miguel de Unamuno, “el templo de la inteligência”. Quando soou o grito de Unamuno vivia-se um tempo de tragédia, com a Espanha dividida; falo hoje num momento em que ela vive uma grande crise. Mas deixem-me dizer-lhes de minha certeza de que Espanha é imortal, de quantas vezes já mostrou sua capacidade de superação.

Depois de Salamanca, viagem a Cádiz.
Em Cádiz, para celebrar os 200 anos de uma Constituição feita num país atormentado pelo invasor e que foi — continua sendo — um modelo para a liberdade no mundo.

Falar de Jorge Amado, colega e amigo.
Jorge Amado foi um homem, vivo e eterno, e um homem que, em sua grandeza, não será esquecido. É com certo sentimento de ausência — uma ausência que, para mim, é uma memória indelével, que não se apaga nem se apagará jamais — que venho aqui comemorar os seus 100 anos de nascimento, ocorrido no dia 10 de agosto de 1912. Esta ausência se manifesta um pouco naquela que dizem ser a palavra mais bela da língua portuguesa, saudade, cuja melhor definição que eu conheço é aquela que diz: é uma vontade de ver de novo. Saudade não é añoranza. É um sentimento muito português e brasileiro, mas também galego, definida por Rosalía de Castro — a maior autoridade que podemos invocar — como “el fantasma del bien soñado”. É uma ausência, mas também uma presença, o sentimento de que o ausente está inteiro, íntegro, em nossa percepção do mundo.

A importância da obra de Amado para a promoção da literatura brasileira fora do país.
Jorge Amado é a mais forte presença de escritor na vida brasileira, não só por sua obra inigualável, mas por sua capacidade de agir para construir o bem, e, na visão aberta do mundo, alcançar o coração de cada pessoa, cada leitor ou testemunha de sua vida e das mãos que, sempre aos cuidados de Zélia — Zélia Gattai, sua inesquecível companheira —, estendiam-se em grande generosidade. Ao dizer que é um escritor brasileiro, não posso fugir à verdade de quanto mais regional, mais universal, na expressão de Read.

A obra de Jorge Amado se reinventa.
É difícil dizer novidade de Jorge Amado. Difícil porque dele tudo já falaram. Difícil para mim que fui seu estreito amigo durante toda a vida, porque desperta um batimento mais forte no coração, que toca pela admiração, e toca mais pelo fascínio de sua personalidade e obra. Ele foi uma força da natureza que desceu muito cedo do Norte — assim era a denominação genérica de Norte e Nordeste do Brasil no começo do século XX — para dominar a literatura brasileira.

O primeiro contato com a obra de Jorge Amado.
Eu o li muito moço: o poeta Bandeira Tribuzzi, meu companheiro de mocidade, que queria levar-me para o marxismo, me passou, enrolado num papel de embrulho, de um tipo grosso que já desapareceu do mercado, mas era o único daquele tempo, com prazo fixo de uma semana para ler e depois devolvê-lo para outros que estavam sendo aliciados, como coisa escondida e procurada pela polícia, O Cavaleiro da Esperança, o livro sobre a vida de Prestes, o fundador e lendário chefe do Partido Comunista do Brasil. Comovi-me com o livro e acompanhei a história da Coluna Prestes, de cujos dissolvidos machados de pedra eu ouvira na minha peregrinação pelo interior de meu estado, o Maranhão. Fora uma marcha épica de milhares de quilômetros pelos sertões do Brasil, fugindo da polícia e da natureza. Li também a esse tempo o ABC de Castro Alves. A sedução de Tribuzzi e da obra de Jorge era forte, mas minhas convicções impediram-me de entrar para o Partido Comunista. Foi com esse começo dos livros engajados que iniciei minha leitura da obra de Jorge Amado pela vida inteira.

O início da amizade com o escritor.
Quando o conheci pessoalmente já ele se afastara do PC. Ficamos amigos. Mas eu não esperava que acolhesse meu primeiro livro de ficção, O Norte das Águas, com um entusiasmo que ultrapassava o que podia esperar de sua fama. Os anos nos aproximaram mais, e me integrei ao seu universo familiar.

A maturidade do trabalho de Jorge Amado.
Às vésperas das festas nacionais pelos 80 anos de Jorge, ele publicou um livro delicioso, notável pela mistura de revelação pessoal e histórica, cheia de sabedoria envolta em poesia, Navegação de Cabotagem, talvez menos lido que sua obra de ficção, uma pena, as mais de 600 páginas correm macias.

Como prestar homenagens a Jorge Amado.
Pretendemos que nossa homenagem fale menos de glórias e títulos do que do ser humano que amava a vida e do escritor que a criou no imenso universo de seus personagens. Viver a vida, ao lado da amada, ele o fez, na casa que construiu no Rio Vermelho, na Bahia, e onde batiam os humildes e os poderosos, todos recebidos com o mote: “Se for de paz, pode entrar.”

A política para Jorge Amado.
Jorge foi um militante comunista que chegou a ser deputado constituinte. Costumo dizer que fascinou no comunismo ser uma ideia generosa. Pois essa visão homem igual, fraternalmente unido ao próximo, foi uma constante da vida de Jorge. Àqueles anos todos acreditavam que o caminho da salvação da humanidade era a ideologia..

A decepção com o comunismo.
Ele acreditou no regime comunista como um sistema que uniria os homens. Quando, antes ainda da revelação por Kruschev dos crimes de Stalin, descobriu que o caminho sacrificava a liberdade — estavam em Budapeste, em 1951, sofreu.

Moral da história e justificativa do ser.
Jorge pagou um alto preço por sua independência, por — dizia — “pensar pela própria cabeça”. O patrulhamento ideológico correu alto e forte a anunciar sua decadência como autor, sua submissão à literatura de vendas, e a crítica a encontrar defeitos na sua obra. Na verdade Jorge continuou fiel a si mesmo, foi cada vez mais fiel ao ofício de sua obra de escritor.


O entrevistado. 

José Ribamar Sarney Costa tem 82 anos de idade, é natural de Pinheiro (MA). Formado em Direito, é também jornalista e escritor. Começou com a atividade política no movimento estudantil, ainda no Colégio Marista, em São Luís. Estudou também no Rio de Janeiro e acabou eleito como suplente de deputadi federal, tendo assumido algumas vezes o mandato até ser eleito parlamentar federal. Depois foi levado pelo voto popular a ser governador do Maranhão, sendo eleito logo depois senador da República. Trabalhou pela volta das eleições diretas no Brasil e compôs a chapa vitoriosa com Tancredo Neves, que faleceu antes da posse. Sarney reconduziu o Brasil à democracia e fez um governo voltado ao social. É senador pelo terceiro mandato pelo Amapá e preside o Senado pela terceira vez.

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