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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

“O que discutimos não é o trânsito, mas a vida”

MICHEL JK - O jovem deputado estadual comemora
resultados do debate sobre o trânsito amapaense

O deputado estadual Michel JK (PSDB) foi o autor de um Requerimento na Assembleia Legislativa que resultou na realização de uma audiência pública na última sexta, 4, que deu o que falar. O evento, no plenário da AL, reuniu autoridades, políticos, especialistas e populares para debater causas e soluções para o trágico trânsito amapaense, que tirou a vida de 106 amapaenses só este ano. O volume de informações levantadas foi considerado muito grande, daí a pergunta sobre o que será feito com tanta informação, afinal, mais que um diagnóstico, a sociedade espera por soluções, pois além dos entes chorados todos os dias, existem muitos casos de gente mutilada ou mesmo com traumas para o resto da vida depois de envolverem-se em ecidentes de trãnsito. O Diário do Amapá conversou, ontem, com Michel JK, numa entrevista exclusiva que pode ser acompanhada a seguir.

CLEBER BARBOSA
DA REDAÇÃO

Diário do Amapá - Deputado, com toda aquela mobilização em torno do assunto trânsito do Amapá o senhor diria que a audiência pública da sexta-feira alcançou todos os seus objetivos?
Michel JK -
Na realidade alcançou mais do que o objetivo, uma vez que a audiência começou às 9:30 horas e terminou às 15:20 horas, com a população não arredando o pé de lá, ficando até o final. As famílias das vítimas ficaram até o final, tiveram o direito de falar, de usar os microfones e dizer o que pensa, dizer o que acha e o que sentem. Foi muito emocionante a audiência, por muitas vezes tensa até, não por polemizar propositadamente, mas pelos depoimentos, afinal um gesto vale mais que mil palavras.
Diário - Como assim deputado?
Michel -
Ouvir as declarações das mães que tiveram seus filhos e filhas, pessoas queridas mortas no trânsito com certeza marcou muito essa audiência pública que foi repleta, vieram todas as autoridades que nós convidamos.
Diário - Quem, por exemplo?
Michel -
Olha, a única autoridade que não foi e nem mandou representante foi a Secretaria Estadual de Saúde, mas as demais estiveram lá, como o Detran, através do seu diretor-presidente João Gomes, a EMTU através do presidente Carlos Sérgio, o doutor João Guilherme Lages, que deu uma palestra gigante com propostas concretas de melhoria para a gente modificar o trânsito, o doutor Marconi Pimenta, que foi alguém acima de todas as expectativas, nos ajudando a formatar, a montar essa audiência pública, uma vez que ele já tem um trabalho desenvolvido no Judiciário Amapaense, que é o Paz no Trânsito. O Ministério Público se fez presente através do doutor Paulo da Veiga, que coordena o MP Comunitário, outro grande programa social. O coronel Elias, que é do Batalhão de Trânsito, o Inspetor Balieiro, da Polícia Rodoviária Federal, o vereador Marcelo Dias, representando a Câmara Municipal, enfim, várias autoridades e técnicos como a doutora Edna, do Hospital de Emergências.
Diário - Mas também foi boa a participação popular, não é mesmo?
Michel -
Esse foi o grande acontecimento para mim, pois a população atendeu ao nosso chamado e entendeu o sentido da audiência pública que era para a gente sensibilizar a sociedade amapaense como um todo, uma vez que somente este ano foram 106 mortes no trânsito, com a grande maioria provocada por condutores embriagados.
Diário - Então vem em boa hora não só esse debate, mas a recente decisão do Supremo Tribunal Federal de que dirigir embriagado é crime?
Michel -
Exatamente. O Supremo está dando uma grande contribuição, pois no último dia 27 decidiu que agora ser pego dirigindo embriagado, acima do teor alcoólico permitido já é crime, ou seja, nem precisa cometer um acidente. Então eu vejo que como de extrema importância essa audiência pública porque a gente repercutiu tudo isso, ecoando aos quatro cantos do Amapa e para isso devo ressaltar o papel da imprensa de modo ge-ral que deu ampla divulgação a essa audiência, nos ajudando a mobilizar a sociedade a participar.
Diário - Todas essas horas de discussões exaustivas, como fazer para que essa gama de informações não fiquem dispersas, assim como tirar indicativos concretos para a solução do problema, deputado?
Michel -
A gente teve o cuidado de gravar toda a audiência em áudio e vídeo para a gente formatar um relatório e encaminhar para a Bancada Federal, para as entidades responsáveis do trânsito no estado do Amapá e conscientizar o seguinte: através dessas grandes propostas que saíram de lá, tanto de autoridades competentes, mas também de quem vivenciou os problemas na sua casa, que são os familiares, a população de modo geral. Nós pe-gamos todas essas informações e já estamos trabalhando ontem (sexta), paramos só para almoçar, já para montar um relatório que vai ser impresso e editado em formato de um DVD para que a gente encaminhe à toda a sociedade civil organizada, além da imprensa para divulgar. Aliás, por falar nisso, é preciso agradecer ao jornalista policial João Bolero Neto, pelo seu trabalho de estatística, que coloca o Amapá em segundo lugar no ranking nacional como o que mais mata no trânsito.
Diário - Um destaque muito negativo, heim?
Michel -
Pois é, na verdade ano a gente aparece em primeiro, ano em segundo lugar, o que é uma vergonha e que precisa mudar.
Diário - Pode-se dizer que o trabalho educativo vai continuar?
Michel -
Trânsito também é educação, a gente precisa conscientizar a população sobre isso.
Diário - E com relação ao diagnóstico do problema, pois na audiência pública surgiram muitas teses a maioria apontando um culpado, seja motorista de ônibus, motociclistas, motoristas imprudentes, o pedestre, enfim, o que ficou disso tudo?
Michel -
Eu vejo o seguinte: todos nós temos culpa. A gente não pode colocar um diagnóstico tão grande desse, de 106 mortes no trânsito para condutores de ônibus, de motos, de carro, enfim, todos de alguma forma têm responsabilidade nisso tudo. O sentido da audiência pública foi esquecer bandeiras partidárias para fazer uma grande força-tarefa em prol da vida, não é do trânsito. A audiência pública tinha título de debater o trânsito, mas a grande causa é a preservação da vida, pois 106 mortes é muita coisa, isso sem falar no contingente de pessoas que ficaram com seqüelas, inválidas mesmo, perdendo braço, perna, a gente ouviu depoimentos de pessoas que estavam em cadeira de rodas, que trabalhavam, que estudavam e que agora tiveram que modificar toda a sua vida, mas comemoram pelo menos o fato de estarem vivos.
Diário - E depois do diagnóstico, fazer o que deputado?
Michel -
Como eu disse, não adianta falar em culpados, todos têm responsabilidade, poder público e sociedade, o que queremos agora é esquecer o que passou e começar agora, preparar um grande projeto para o trânsito amapaense para a gente preservar a vida da nossa população, foi o que defendi lá, esquecer diferenças políticas, de culpar A ou B, pois sabemos que a responsabilidade do trânsito é da Prefeitura, mas o Governo tem que dar sua contribuição, pois o município não tem recursos suficiente para a reformulação completa do trânsito de Macapá, é isso que precisa ser feito.
Diário - O senhor é pré-candidato a prefeito de Macapá, então com essa mobilização toda sobre o trânsito, todas as informações que passou a ter acesso, isso poderá dar que tipo de contribuição para a proposta de governo que deverá ser apresentada à sociedade?
Michel -
É preciso entender que o trânsito é municipalizado e que em Macapá a situação é de estrangulamento, saturação mesmo, então todo pré-candidato a prefeito precisa ter uma proposta concreta sobre o trânsito macapaense, então nessa audiência pública levantei sim muita informações valiosas para juntamente com a minha equipe montar o que o próximo prefeito vai ter que fazer para melhorar o trânsito, medidas enérgicas para que agente possa conduzir de forma coerente o trânsito da Capital. A gente já sabe que precisa de sinalização, de semáforos, só que mais do que isso, é preciso fazer investimentos, porque nada se faz sem dinheiro, especialmente no serviço público. Então a palavra de ordem é investir, porque senão ao final do ano que vem a gente pode estar falando em muito mais do que 106 mortes no trânsito.


Perfil

O amapaense Michel Houat Harb tem 33 anos de idade, é casado e pai de um casal de filhos. É formado em Economia, pelo Centro de Ensino Superior do Amapá (CEAP), é também é empresário. Em 2004 elegeu-se vereador de Macapá, com 4.095 votos, sendo posteriormente eleito deputado estadual, em 2006, quando obteve 5.450 votos; em 2010 foi reeleito para a Assembleia Legislativa do Estado do Amapá, com 9.611 sufrágios. Também é presidente do Diretório Municipal do Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB, tendo anunciado recentemente sua disposição em disputar a indicação de seu partido para disputar a Prefeitura de Macapá no próximo ano.

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