Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura, política e empreendedorismo.


quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Notas da Coluna Argumentos de amanhã (fresquinhas)

Bem explicado

Estamos no mês da diversidade, que culminará no próximo dia 29 com a 10ª Parada do Orgulho GLBT no Amapá. Então a coluna reproduz mais um “ensinamento” sobre esse tema. Entrevistando uma liderança do movimento, falei sobre quando havia feito sua opção sexual e o rapaz explicou: “Não é opção, é orientação sexual”.

Lá vão eles

Os políticos que comeram bastante camarão e dançaram brega em Afuá agora estão preparando o abadá para aterrissar na bucólica cidade de Ferreira Gomes, no interior do Amapá, para fazer aquela presença no Carnaguari. A festa, muito tradicional e tida como a maior micareta do interior começa sexta.

Repercute

Os “twiteiros” do Amapá comemoram o fato do apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, ter postado comentários muito interessantes sobre sua rápida estada de três dias em Macapá. Olha o que ele escreveu: - Macapá, acabo de pousar no Rio. Obrigado! Foi uma recepção inesquecível, um JN sensacional. Macapá foi SHOW!

“Quase todos”

Antes de embarcar para Brasília, no aeroporto de Macapá, o senador José Sarney (PMDB-AP) foi abordado por um correligionário que indagou ao ex-presidente sobre qual candidato apoiar na disputa pelo Governo do Estado. Sarney disse que o homem podia ficar à vontade, pois não se envolveria na disputa no primeiro turno. “São todos amigos. Quase todos”, disse

Três em um

O comando do Exército no Amapá recepcionou ontem as famílias dos militares, especialmente dos recrutas, no quartel do 34º Batalhão de Infantaria de Selva. Na verdade foi uma tripla comemoração, pois a cerimônia marcou a passagem do Dia do Soldado, a entrega da boina aos novatos e também a outorga de condecorações e medalhas a militares e personalidades civis, como a secretária Célia Brazão (Setur).

Sem água

Moradores da Serra do Navio passaram uma semana de cão dias atrás, segundo relato de moradores da vila que já foi modelo de urbanismo para o país. Por sete dias seguidos não caiu uma gota sequer das torneiras e, para completar, a Caesa de lá organizou uma distribuição de água num carro-pipa, só que com um detalhe: só receberia quem estava numa “lista”.

Sem vergonha

Agora vamos trocar uma ideia sobre a nota ao lado. Quer dizer que em pleno período eleitoral, em que há regras rígidas para se fazer campanha e também para tocar a administração pública ainda aparece uma história dessas? Fontes locais dizem que a suposta lista foi copiada e está guardada em segurança para chegar às mãos das autoridades. Bom.

Olha a tal tendência aí!


Na disputa pela sucessão presidencial já se fala também na tal tendência, afinal de contas a petista Dilma Rousseff demonstrou um crescimento nas últimas pesquisas de intenção de votos, que deixa a possibilidade de reação do tucano José Serra mais distante. E pior, com chances de se definir a briga já no primeiro turno. Estas ilustrações mostram tais informações em gráficos.

Não resisti (nota do blogueiro)

Coluna Argumentos





Ponto a favor

Mesmo sem ter a presença da candidata Dilma Rousseff em Macapá, o senador José Sarney (PMDB-AP) organizou em Macapá ontem à tarde uma demonstração de mobilização de fazer inveja, talvez a única do país. Trata-se da inauguração do Comitê Suprapartidário, que congregou em um só evento mais de vinte partidos em prol da candidatura da petista.

Ponto contra

Agora o que ninguém entendeu ontem foi a ausência dos candidatos do PSB, que nesta eleição cantam aos quatro cantos serem os oficiais de Lula e Dilma. Trata-se de Capiberibe pai e filho, candidatos ao Senado e ao Governo do Estado, que não compareceram ao evento que marcou oficialmente o lançamento da campanha de Dilma Rousseff no Amapá.

Bendita és

A jornalista Ariane Lopes, que é da diretoria do Sindicato dosJornalistas do Amapá, foi a única representante do Estado no 34º Congresso Nacional de Jornalistas, que aconteceu no final de semana, em Porto Alegre (RS). E a moça não se fez de rogada, pois teve destacada atuação e várias intervenções na plenária.

Tendência

Eis a questão. Trata-se de um fenômeno genuinamente amapaense em se tratando de eleições. Mas até os institutos de pesquisa se acostumaram e apresenderam a medir isso. Nos próximos dias há uma expectativa da divulgação de novas rodadas de pesquisas pelo Ibope e GPP, com o primeiro grande cruzamento dos números, o que pode apontar a tal tendência.

OBRAS DE SARNEY


O senador José Sarney (PMDB-AP) é considerado um dos estadistas do Brasil, entusiasta de obras de infraestrutura, por entender que isso projeta o futuro. Mas ele também sabe como poucos construiu obras políticas, como a inédita reunião de ontem de políticos de quase todas as correntes partidárias do Amapá, em torno da candidatura Dilma Rousseff à presidente.



Agora não

Dito por um taxista à coluna, ontem, que existem placas de táxi para alugar, o que é até bem comum. Mas o item estám em falta atualmente, por conta de que se trata do segundo semestre. Isso mesmo, os profissionais do volante dizem que com a proximidade do fim de ano os negócios, ou melhor, as corridas aumentam. Aí vem dia das crianças, natal, etc...

Haja gogó

A deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) foi a que le-vou o maior número de militantes para a festa de inauguração do Comitê Pró-Dilma, ontem. Mas coube ao único cabo eleitoral do também deputado Bala Rocha (PDT-AP), a tarefa de roubar a cena. Tudo bem que era o único a ter comparecido, mas foi sem dúvida o dono da garganta mais potente entre tantos outros simpatizantes. Berrou muito o cara!

Quem perdeu

Para votar este ano, o eleitor que perdeu ou teve o título extraviado têm até o dia 23 de setembro para pedir uma segunda via (reimpressão) do documento, em qualquer cartório eleitoral do país. Em junho deste ano o Tribunal Superior Eleitoral autorizou a reimpressão até esta data, mesmo daqueles eleitores que estiverem fora do seu domicílio eleitoral.

Que se ache

Ainda sobre a nota anterior, a legislação antiga previa que quem estivesse fora do seu local de votação ti-nha somente até o último 4 de agosto para pedir a segunda via do título. Mas só podem pedir a reimpressão os eleitores que já tinham ou pediram o título até 5 de maio deste ano, data em que foi fechado o cadastro eleitoral de 2010.

"Nossas ações no Amapá foram julgadas procedentes"


PASTANA - O ex-procurador regional eleitoral do Amapá mantém o estilo de falar fancamente

Para uns ele é polêmico, mas para muita gente o procurador da República Manoel Pastana é uma espécie de paladino da Justiça, um membro nato do novo Ministério Público preconizado pela Constituição da República de 1988, que ampliou a área de abrangência da instituição e garantiu até independência funcional aos procuradores e promotores. Se não bastasse uma tuação firme e aguerrida no trabalho, Pastana se notabilizou também como escritor, narrando com uma impressionante coragem em um verdadeiro livro-bomba, os bastidores da atuação ministerial e também revelando a face obscura da política nacional, com uma atenção especial a casos de corrupção envolvendo altas autoridades do Amapá. Pastana hoje atua bem longe do Amapá, no Rio Grande do Sul, mas veio a Macapá lançar a segunda e ampliada edição de sua obra "De faxineiro a procurador da República".

"No livro eu também esclareço para a sociedade o que é o Ministério Público, pois muita gente não tem uma noção. Antes da Constituição de 1988 o Ministério Público era subordinado ao Poder Executivo, era um mero braço do Executivo, um braço curtinho. Hoje o Ministério Público não é subordinado a nenhum poder."

Diário do Amapá - A noite de autógrafos do seu mais recente livro foi muito concorrida, mas não apenas de operadores do Direito ou de jornalistas, mas também de estudantes e gente interessada em passar em concursos públicos. Chama a atenção o despojamento da linguagem com que o senhor narra situações de traba-lho e nuances do Direito, até mesmo com uma boa dose de humor. Qual o objetivo?

Manoel Pastana - De fato ele tem despertado o inte-resse desde aquela pessoa que tem uma educação ainda inicial até para quem já possui uma faculdade. Na verdade é uma estratégia mesmo, porque o Direito é formal mesmo, então quando você tira a formalidade, colocando de uma forma mais simples, ele já melhora um pouco, mas também ainda fica meio amargo. Para facilitar me-lhor a degustação, você coloca um pouco de ironia nas suas narrativas até porque eu não consigo escrever um livro de receitas (risos) ou de poesia, não é o meu estilo, é literatura.

Diário - Mas procurador como é sua relação com a literatura propriamente dita, no geral?

Pastana -Se eu pudesse, eu lia tudo, todos os estilos, desde os clássicos, enfim, mas não dá. Até porque eu sou uma pessoa que gosto de viver bem, gosto de me divertir, gosto de fazer muita coisa. Então desde o início, quando eu passei a me interessar pela literatura, comecei a traçar metas de leitura então passei a ler coisas que me dessem algum retorno, alguma utilidade, no sentido pragmático e para fazer isso você tinha que estudar. Na área jurídica, por exemplo, tem determinadas áreas do Direito que é muito chato para você estudar, mas você precisa, tem que ter aquele conhecimento. O que sugiro é que mentalmente você faça imagens para tornar aquele conhecimento abstrato em algo do mundo concreto e de forma até engraçada, irônica até. Isso é estratégico. Eu ensino isso nas minhas palestras que para você degustar e ler um assunto chato, para fixá-lo mesmo, porque o importante de tudo não é só ler, é entender. Isso traz para o leitor o senso crítico, pois você não deve ser aquele leitor passivo, que diz apenas: "ah, tá legal, gostei" tem que ler e começar a discutir também.

Diário - O senhor sempre teve uma boa relação com a imprensa amapaense. Alias, isso garantiu uma identidade toda própria a seu trabalho por aqui, não é mesmo?

Pastana - Com certeza, como você bem disse, nós tivemos naquela época tempos muito difíceis e praticamente toda semana nós organizávamos uma entrevista coletiva para mostrarmos o serviço que vinha sendo feito, afinal de contas o Ministério Público é o fiscal da lei e o defensor da sociedade, então você tem que mostrar trabalho para o seu cliente, que é a sociedade, agora com responsabilidade.

Diário - Como assim, com responsabilidade?

Pastana - Por exemplo, a imprensa nunca acompa-nhou uma ação de busca e apreensão que nós tenhamos feito. Não que nós fugíssemos da imprensa, quem somos nós, mas só para a gente arrumar uma maneira e eu sempre orientava a polícia, para despistar a imprensa para ela não acompanhar a busca e a apreensão. Para se ter uma idéia, uma vez nós fizemos uma busca e apreensão na casa de um parlamentar aqui no Amapá e ninguém ficou sabendo. Era o caso de um preso que estava foragido e nós recebemos uma informação de que ele estaria de-putado, que não recordo se era estadual ou federal.

Diário - Como se deu a operação propriamente dita procurador?

Pastana - O delegado de polícia foi até a minha casa à noite falar do caso e eu disse para que ele fosse até a casa levando a equipe e dissesse ao proprietário que nós tínhamos a informação de que o foragido estaria lá. Ele deveria pedir autorização para fazer a busca e caso não fosse autorizado a ordem era para deixar a casa, mas mantê-la vigiada até que providenciássemos um Mandado de Busca e Apreensão. Agora se ele quisesse evitar tudo isso era só colaborar, afinal quem não deve não teme, não é mesmo? Nessas horas é preciso tomar todo o cuidado, de preferência com testemunhas e até filmando toda a ação, para depois ninguém alegar que houve violência. Nesse caso o delegado foi para a ação com um rádio comunicador e eu fiquei em casa acompanhando tudo, entrando pela madrugada e a imprensa não soube de nada disso.

Diário - No seu livro há um relato de uma ação dessas em que o senhor acompanhou e até fez uso de sua arma de fogo na diligência. Essa é uma prática comum para um procurador da República?

Pastana - Quando você está realizando uma busca não dá para saber o que vai ser encontrado, então em princípio você não tem a prova cabal, a prova contundente para levar adiante uma acusação ou um processo, então a gente não pode fazer uma busca como aquelas que a gente vê na televisão, midiáticas, com um monte de coisa, arrancando parede, enfim, aquele que era suspeito já vira culpado e é condenado logo em seguida pela opinião pública. Depois você vai e não interessa mais se deu ou não resultado, pois o sujeito já está condenado. Eu sou muito rígido no cumprimento da lei, mas eu procuro fazê-lo dentro da própria lei, dentro da regra e sempre respeitei isso, tanto é verdade que nossas ações aqui no Amapá foram julgadas procedentes. Nós só tivemos insucesso em uma única ação, à época no eleitoral, que nós não conseguimos reverter.

Diário - Como assim reverter?

Pastana - É que tiveram ações que nós perdemos aqui no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e conseguimos reverter recorrendo ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Por que isso? Porque nós trabalhávamos com esse tipo de atuação que me referi anteriormente. A imprensa toda acompanhou quando nós apresentávamos em coletivas (entrevistas) as provas todas, mas depois que nós já tínhamos certeza do que tinha acontecido de fato.

Diário - Ações como essas do Ministério Públicas e outras investigações feitas pela própria imprensa tem ajudado a passar o país a limpo, como se costuma di-zer. Mas há uma discussão sobre quem é o quarto poder no país, se a imprensa ou o Ministério Público. Qual sua opinião?

Pastana - Olha eu não sei e para mim não tem muita relevância... (risos). O mais importante disso tudo não é saber quem é o quarto poder mas sim poder exercer o teu trabalho e efetivamente poder valer aquelas garantias e prerrogativas que você tem.

Diário - São as prerrogativas garantidas aos membros do Ministério Público, é isso?

Pastana - Olha, no meu livro eu boto para fora os bastidores do Ministério Público Federal, pois existe ilegalidade. Eu serie leviano se eu dissesse genericamente que há procuradores que cometem ilegalidades, mas não eu falo quem são, digo os nomes mesmo. Cito o nome de um procurador que solicitou vantagens mi-lionárias. Só para se ter uma idéia ele pediu para várias empresas que foram beneficiadas pelo trabalho dele a importância de R$ 499 mil cujo próprio empresário se assustou. Também houve solicitação de R$ 250 mil, ou-tra de R$ 70 mil e até o Daniel Dantas pagou para esse procurador e sem que tenha acontecido absolutamente nada com ele. Ele não pegou um apena de advertência sequer. Eu cito o nome dele no livro, falo que era o procurador-geral, quem era o corregedor que não tomou nenhuma providência.

Diário - Pode-se dizer que são histórias que desnudam uma das principais instituições da nossa sociedade?

Pastana - No livro eu também esclareço para a sociedade o que é o Ministério Público, pois muita gente não tem uma noção. Antes da Constituição de 1988 o Ministério Público era subordinado ao Poder Executivo, era um mero braço do Executivo, um braço curtinho. Hoje o Ministério Público não é subordinado a nenhum poder. Ele não é um poder constituído, mas não é subordinado a nenhum Poder também. Além disso, os seus membros tem independência e autonomia para atuar, inclusive eu coloquei isso no livro pois tive que responder a vários e-mails de pessoas que elogiavam mas diziam que eu tinha muita coragem de enfrentar meus superiores hierárquicos, meus chefes, enfim, daí eu esclarecer que o procurador não tem superior hierárquico e nem chefe no exercício da função.

Diário - Como se dá a atuação dos procuradores-chefes então, apenas do ponto de vista administrativo?

Pastana - Exatamente. Eu costumo dizer que a chefia administrativa pode tirar o meu telefone, pode cortar a minha internet , mas não tem poder para tirar uma vírgula do que eu escrevo, então essa independência é nova e eu fiz valer, através do nosso trabalho, com respeito, com dignidade, trabalhando com a imprensa, informando tudo o que podia informar, não sonegava informação mas eu mantinha sob sigilo aquilo que era necessário.

Diário - Voltando àquele assunto sobre o quarto poder, o jornalista Carlos Chagas, que já foi promotor público, disse certa vez que o problema é quando o membro do Ministério Público quer ser imprensa ou quando a imprensa quer ser Ministério Público. O que o senhor acha disso?

Pastana - Concordo em gênero, número e grau com ele. E tem mais, tem outro problema também que não envolve somente o Ministério Público, envolve também o Judiciário e a Polícia. Às vezes o procurador quer ser juiz e o juiz quer ser procurador... (risos) Mas a minha opinião pessoal e não a opinião do Ministério Público, mas cada um tem que cumprir a sua função. Eu por exemplo não serviria para ser magistrado. Na verdade nós do Ministério Público também somos magistrados, só não somos magistrados de pé, magistrado ativos, não é só a acusação também, eu agi várias vezes a favor do réu, assim como na acusação. Mas a função do magistrado é extremamente delicada porque ele é o julgador e tem que ser igual à mulher de César (o imperador romano): não basta ser honesto, tem que parecer honesto.



Perfil


O paraense Manoel do Socorro Tavares Pastana, nasceu na Ilha do Marajó, no Pará, filho de pais muito humildes. Começou a trabalhar como fa-xineiro mas sempre estudou e buscou nisso garantir um futuro melhor. Tentou cinco vezes ingressar na Aeronáutica, como sargento, até conseguir. Passou lá cerca de cinco anos, tempo suficiente para formar-se em Direito e a partir daí tentar novos concursos públicos nessa área. Foi oficial de Justiça do Superior Tribunal de Justiça, em Brasília e depois ingressou no Ministério Público Federal, na carreira de procurador da República. Trabalhou em Campos (RJ), Brasília (DF), Rio Branco (AC) e Macapá (AP). Atualmente está na Procuradoria Regional da República da 4ª Região, atuando junto ao Tribunal Regional Fede-ral, que engloba os três Estados da Região Sul.

Ilha de Santana é cenário para filme Tainá 3


A floresta aqui é muito bonita, tem verdes diferentes, as locações da oca do Tigê e da grande árvore são belíssimas, e é aqui no Amapá que a história começa e termina

A rotina dos moradores da Ilha de Santana mudou desde o dia 17, com o início da segunda e última fase das filmagens do longa-metragem Tainá 3 - A Origem. A equipe do filme grava no Amapá até dia 26, e é aqui que serão rodadas cenas fundamentais da história. A primeira etapa das filmagens ocorreu entre os meses de julho e meados de agosto nas localidades paraenses de Alter do Chão, localizada a 32 quilômetros de Santarém, no Pará.
"Filmar no Amapá está sendo ótimo, temos um filme que é 100% externa, então precisamos contar com a ajuda da natureza para não atrasar as gravações, não temos como controlar isso. A floresta aqui é muito bonita, tem verdes diferentes, as locações da oca do Tigê e da grande árvore são belíssimas, e é aqui no Amapá que a história começa e termina", do-cumenta a diretora do filme, Rosane Svartman, referenciada pelo trabalho realizado durante anos no programa Casseta e Planeta, da Rede Globo.
Na Ilha de Santana, além da equipe do filme, composta por 62 profissionais, foram contratadas mais 40 pessoas para trabalhar na etapa de produção e filmagem. Foi mão de obra local, por exemplo, que ajudou a equipe de arte a confeccionar o material necessário para construir as paredes da oca do vô Tigê. "O apoio que estamos recebendo para fazer as gravações aqui e a floresta são fundamentais para nosso trabalho, a população também nos acolheu muito bem e durante esse mês estamos gerando emprego", conta o diretor de produção, Pingo.
O terceiro filme sobre a indiazinha Tainá conta sobre a origem da guerreira, que foi encontrada pelo vô Tigê, interpretado pelo ator Grancindo Júnior, aos pés da grande árvore. "Tainá 3 é um filme sobre a origem da Tainá, a busca de quem ela é filhe, de onde veio, e nessa trajetória vive aventuras que faz com que ela se torne a guerreira que o público viu em Tainá 1", conta a diretora Rosane Svartman.
As aventuras são protagonizadas pela índia Tainá e a menina Laurinha, que juntas vão combater o contrabandista de madeira da região, Vítor, interpretado por Guilherme Berenguer. "Este é o meu primeiro vilão, as pessoas estão acostumadas a me ver como mocinho das histórias", comenta o ator, que precisou ter um cuidado especial para montar o personagem, já que contracena com crianças e a produção é voltada para o público infantil.
Para o ator, o filme trouxe a oportunidade de fazer coisas diferentes. "Algumas cenas foram realmente difíceis, mas não por se tratar de um vilão, mas por precisar realizar coisas que nunca tinha feito antes", afirma. A presença de Guilherme Berenguer na pequena e pacata Ilha de Santana mudou o cotidiano das pessoas, principalmente das fãs, que esperavam por qualquer oportunidade para pedir autógrafos ou fotografar, e esse carinho do público também marcou o ator. "Sem dúvidas trata-se de um projeto que já marcou muito a minha carreira, pois proporcionou eu conhecer e viver coisas emocionantes", relata.

As revelações mirins

A saga da produção do filme começou para encontrar a nova atriz que viveria a indiazinha defensora da natureza. Após dois anos e meio de procura, produtores do escolheram a indía Wiranú Tembé, de cinco anos, que vive em uma aldeia da etnia tembé, nos arredores de Paragominas, no Pará. Como o português não é sua principal língua, Wiranú precisou de ajuda das colegas para se comunicar.
A atriz Eunice Bahia, que representou Tainá nas duas versões já lançadas do filme, chegou a comentar que a escolha foi acertada, pois quando olha para Wiranú se vê quando tinha seis anos. A pequena Wiranú é realmente perfeita para o papel da pequena guerreira, corajosa e esperta como Tainá. A índia corre pelo set, sobe em árvores, atua como quem brinca.
"Ela vai ser uma das maiores descobertas de atriz para cinema que eu já vi na minha vida, ela tem uma presença cênica, uma inteligência de atriz que é raro descobrir, a cada dia aprende mais", garante Gracindo Júnior, que pela primeira vez esteve no Amapá.
O renomado ator conta que se interessou muito em fazer o filme, pois o roteiro, apesar de dirigido para o publico infantil, é altamente ecológico, fala de uma possibilidade de vida em convivência com a natureza, "não essa coisa alucinada de lutar por dinheiro e poder, que é possível uma vida melhor, e que os indígenas provam a cada dia como é viável ter essa relação".
Outra atriz mirim que tem destaque em Tainá 3 é Beatriz Santos Noskoski, que interpreta Laurinha, menina da cidade que contará com a ajuda de Tainá para salvar o avô das mãos de Vítor (Guilherme Berenguer). Beatriz também passou por seletivas, concorrendo com mais de três mil candidatas.


O filme é uma produção da Sincrocine Produções Cinematográficas e deve chegar às telas em janeiro do ano que vem.

domingo, 15 de agosto de 2010

Feira de Oiapoque termina hoje


Na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa acontece o primeiro de uma série de eventos voltados ao incremento do turismo

A Feira Internacional de Oiapoque (FIO) encerra neste domingo, 15, do lado Brasileiro na cidade de Oiapoque. O evento binacional iniciou no último dia 9 de agosto em Saint-Georges (Guiana) e atraiu milhares de turistas. Os sete dias de programação, no lado francês, foram marcados por apresentações de danças de grupos folclóricos, exposição e venda de produtos, rodada de negócios, apresentação de grandes artistas, shows musicais e degustação de comidas típicas da Guiana Francesa e do Brasil.
Do lado brasileiro, na cidade de Oiapoque, os estandes foram montados em toda extensão da principal rua do município. A feira ocupa 3.600 metros quadrados, em formato de L, tendo como porta de entrada a frente da Igreja Nossa Senhora das Graças. A programação lá inicia sempre às 16 horas e entra pela madrugada. Do lado francês a programação é pela manhã.
Já a praça de alimentação está próxima ao monumento que marca o início do Brasil. O palco de shows, em formato de concha acústica, está posicionado na orla de Oiapoque, em frente à Prefeitura.
De acordo com a secretária de Turismo do Estado, Ana Célia Brazão, a feira sem dúvida marca a aproximação das culturas francesa e brasileira. “Os laços entre Brasil e Guiana estão cada vez mais fortes. Esse é o primeiro passo de uma aproximação entre duas culturas tão diferentes. Com a inauguração da ponte daqui alguns meses, estaremos ainda mais próximos, isso significa o crescimento do Amapá”, destacou a secretária.
A titular da Setur explicou que o sucesso de público superou todas as expectativas dos organiadores, tanto que já há um movimento para tornar a FIO um evento bienal, ou seja, que ocorra a cada dois anos, pelo interesse de expositores e público.

Programação Oficial da FIO 2010
Domingo 15/08
Local: Oiapoque
08h – Provas de ciclismo e atletismo na BR-156 Km 07
10h – Torneio de canoagem do Rio Oiapoque. Local: Praia do Goiabal
16h – Abertura da Feira
16h - Estande do Governo do Amapá: Mostra de manifestações culturais – Dança do Marabaixo e Desfile Temático com Biojóias
17h – Missa de Encerramento da Programação Religiosa da Paróquia Nossa Senhora das Graças e Coroação de Nossa Senhora.
18h30 – Apresentação de Grupo de Toada
19h – Entrega das premiações esportivas
19h – Apresentação Hip-Hop
20h – Apresentação das Rainhas da Feira de Saint-Georges e Oiapoque
21h30 – Banda Gospel
22h – Banda Projeção Central
22h 30 – DJ Robson
00h – Forró Bom de Farra
02h – Encerramento



Turismo



OPORTUNIDADES - A realização de eventos como feiras e seminários envolvendo o Amapá e a Guiana podem incrementar o turismo regional

“O que mais admiro nos brasileiros é a cordialidade”


Morando há mais de 30 anos no Brasil, o cônsul honorário da França no Amapá, Jean-François Le Cornec, conhecido como “Jef”, acompanha o fortalecimento das relações diplomáticas entre o Brasil e a França com otimismo. Ele, que é casado com uma brasileira, fala com um despojamento e espirituosidade típicos de um brasileiro, sobre as principais diferenças existentes entre os dois povos. O diplomata enumera uma a uma as etapas a serem vencidas para que a ponte binacional que Brasil e França estão para inaugurar sobre o rio Oiapoque se torne de fato um elo de intercâmbio econômico, cultural e turístico entre o Amapá e a Guiana Francesa. Para ele, é preciso que autoridades, empresários e as comunidades do Amapá e da Guiana se movimentem para serem as maiores beneficiárias do futuro que poderá advir assim que a ponte estiver pronta.

"A ponte foi fruto primeiro da mudança de visão que o Brasil, e estou falando de Brasil visto de Brasília, e que a França tinha também, por serem duas regiões longínquas, mas que viram que possuem uma fronteira que pode servir para alguma coisa, então essa ponte é muito simbólica, em primeiro lugar, agora temos que ver onde poderemos chegar com essas conversas."

Diário do Amapá - Há quanto tempo você está morando no Brasil?

Jean-François - No Brasil eu tenho trinta anos, inclusive todo esse tempo morando na Amazônia mesmo.

Diário - Como aconteceu para você vir servir em uma missão no Brasil?

Jean - É preciso explicar que eu sou cônsul honorário e não fui designado para um posto, é diferente de um cônsul de carreira. No Brasil tem três consulados de carreira, que funcionam de pleno direito, que é em Brasília, Rio (de Janeiro) e São Paulo. Existem outros lugares com algumas atividades, como em Recife, mas essas outras pessoas como eu já estão no local e são escolhidas para prestar serviços ao Consulado, que não são nomeadas para ir para um lugar, mas sim já moram lá e são aproveitadas para interligar ao Consulado.

Diário - Mas quando você decidiu vir para o Brasil foi para desempenhar que tipo de trabalho?

Jean - Bem a Amazônia me fascina desde muito cedo, acho que com quinze anos eu li um livro que ajudou também, pois cheguei aqui muito cedo, com vinte e poucos anos.

Diário - E nesses mais de trinta anos no Brasil você assimilou ou foi contagiado por qual característica do povo brasileiro?

Jean - Bom, infelizmente eu não fui contagiado... (risos) mas a coisa que mais aprecio com certeza é a cordialidade do povo brasileiro, o que chama a atenção mesmo, que é a capacidade de se relacionar com as pessoas, mas infelizmente não fui contagiado o suficiente... (mais risos). Bem mas a facilidade de relacionamento com as pessoas é o que mais chama a atenção mesmo, é algo marcante mesmo, principalmente quando você viaja pelo mundo e vê como o brasileiro tem essa reputação, de ser um país muito simpático mesmo.

Diário - Fazendo um contraponto, que característica francesa sua foi mais difícil para os brasileiros daqui assi-milarem no relacionamento com você?

Jean - Acho que os franceses têm uma tendência de serem muito quadrados... (risos) Mas são coisas simples mesmo, como uma determinada coisa acontece mesmo sem ter muita importância e a gente di "ah, mais ainda não está na hora", sabe? Essa é a característica mais difícil, de sermos muito exigentes quanto às coisas que foram determinadas, horários, às vezes exageradamente.

Diário - Você com essa experiência toda já viu vários governos do Brasil e da França colocarem um tijolinho por vê nessa questão da diplomacia, que avançaram bastante nos últimos anos. Qual a sua avaliação sobre o futuro dessas relações?

Jean - Primeiro é preciso dizer que nesse tempo todo em que vivo no Brasil a metade pelo menos não estive envolvido nessa questão diplomática, pois estava cuidado apenas da minha vida pessoal. Agora depois que assumi essa função aqui no Amapá tenho acompanhado de perto o que aconteceu e vi uma mudança muito grande, pois o Amapá e a Guiana Francesa eram dois estados conside-rados o fim de dois países, um fundo fechado, sem nada depois, uma fronteira intransponível praticamente, pelo menos falando do ponto de vista diplomático.

Diário - O que mudou agora, no seu entendimento?

Jean - O que mudou foi a abertura. Na verdade a fronteira sempre esteve aberta para quem queria ir lá mas não eram abertas para conversações, para a cooperação, isso é que mudou na última década ou um pouco mais até, acho que quine anos.

Diário - E essa cooperação tende a ser ampliada agora com a inauguração da ponte binacional sobre o Rio Oiapoque, não é mesmo?

Jean - A ponte foi fruto primeiro da mudança de visão que o Brasil, e estou falando de Brasil visto de Brasília, e que a França tinha também, por serem duas regiões longínquas, mas que viram que possuem uma fronteira que pode servir para alguma coisa, então essa ponte é muito simbólica, em primeiro lugar, agora temos que ver onde pode-remos chegar com essas conversas que precisamos ter os seis parceiros que precisarão se envolver: Guiana e Amapá; França e Brasil; União Européia e Mercosul. Isso é muito complicado, sabemos, mas a ponte vai forçar a que isso aconteça, pois ela vai permitir o trânsito de pessoas, de mercadorias e o intercâmbio. Tanto a Guiana Francesa quanto o Amapá estão um pouco longe, na periferia de suas respectivas metrópoles, então eles tem que conseguir aproveitar dessa estratégia. Além disso, existe ainda a estrada que significa também a integração dos municípios, do Amapá e da Guiana Francesa.

Diário - São outros a serem beneficiados, o senhor diria isso?

Jean - Exatamente. A estrada liga dois países, mas também ela permite fazer tráfego conjunto, fazendo a interligação interna de duas regiões que têm municípios afastados, então ela tem o benefício tanto externo como interno.

Diário - As pessoas também têm a expectativa de trocas comerciais entre o Amapá e a Guiana Francesa, mas estes são dois Estados que possuem uma produção ainda pequena, que mal daria para abastecer o consumo interno. É nesse sentido que o senhor diz que a parceria tem que ser mais ampla, do Mercosul com a União Europeia?

Jean - Diria que os dois lados têm que descobrir as complemantalidades. Esse é o grande problema e se definir. Primeiro porque na Guiana eles têm medo dos brasileiros, com a ponte, o que é injustificável. É preciso saber o que podem trazer os brasileiros para o lado francês e o que podem trazer os franceses para o lado brasileiro. A Guiana é muito carente de muitos gêneros que são importados de muito longe, da França. Seria muito mais lógico levar daqui. Mas o Amapá, de seu lado, não produz nem a metade do que consome, portanto não está em condições de exportar alimentos, a não ser alimentos que transitem pelo Amapá, vindos de outras regiões do Brasil.

Diário - Há quem defenda que essa é a verdadeira vocação do Amapá nessa nova realidade que se avizinha, de fazer navegação ou mesmo o transporte terrestre por cabotagem, não é mesmo?

Jean - É preciso se concentrar as discussões sobre o que o Amapá é capaz de produzirpela Guiana Francesa e talvez para o mercado europeu, juntos, ou mesmo o Caribe, que é um mercado até mais próximo, mais importante. É por isso que a Câmara de Comércio e Indústria da Guiana Francesa se instalou aqui (no Amapá), eu acho que para refletir sobre isso, conhecer os empreendedores e fazer se conhecer as pessoas de um lado e de outro. Eu acho que é isso o que temos que construir a partir da ponte, pois tem que transitar mercadorias, tem que se produzir no Amapá, tem que colocar também as normas européias na Guiana Francesa, enfim, tem muita coisa para se fazer. O importante é que tem que ser empresários da Guiana Francesa e do Amapá e não outros que venham de outras partes do Brasil e da França, antes que eles possam descobrir e ficar com todo o lucro disso.

Diário - Recentemente o Congresso Nacional do Brasil aprovou medidas para aumentar os poderes das Forças Armadas na fronteira e muita gente acredita que os conflitos na região de Oiapoque contribuíram para isso. O se-nhor diria que apesar de impopulares as medidas contra a clandestinidade deva ser uma ação conjunta?

Jean - Quando se fala em clandestinidade na Guiana Francesa existem duas vertentes a serem consideradas. Tem as pessoas que vão para lá trabalhar, na construção civil, geralmente, que mesmo clandestinas buscam me-lhores condições de vida porque lá os salários são mais atraentes. Para esses casos eu acredito que existe mercado e que deva haver possibilidade de regularizá-los, pois se os empresários precisam de mão de obra eles têm que fazer tudo para que essas pessoas entrem legalizadas.

Diário - E qual a outra vertente da clandestinidade a ser considerada, cônsul?

Jean - É outra muito mais complicada... (risos) É o garimpo de ouro, porque feito na clandestinidade provoca também uma grande poluição ambiental além de muitos outros problemas relacionados à questão do tráfico de drogas, prostituição, enfim, é um problema que vai muito mais além que somente a questão de empregar a mão de obra brasileira. É um problema muito maior e que requer realmente a colaboração e a boa vontade dos dois países.

Diário - O senhor enumerou algumas providências que precisam ser tomadas para que depois de pronta a ponte possa de fato escoar o trânsito de pessoas e de cargas. Agora mesmo já existe uma ponderação do lado brasileiro sobre a travessia de veículos de um lado para o outro, a chamada reciprocidade, que ainda não existe?

Jean - Bem, o trânsito de caminhões já está sendo discutido e está para ser resolvido. O problema que ainda existe é a questão dos seguros, mas isto é do âmbito privado. Certamente vão ter seguradoras interessadas. Esse é um problema que não é menor, mas que não cabe aos governos discutirem, mas sim outras questões como o peso sobre cada eixo de caminhão, pois cada país tem uma legislação própria. São assuntos que precisam ser discutidos para não ter nenhum impedimento para o tráfego entre a Guiana e o Amapá.

Diário - O Brasil e a França preparam uma nova reunião da Comissão Mista Transfronteiriça para o próximo mês e especula-se que entre outros assuntos deva ser anunciada a implantação de vôos regulares entre Macapá e Caiena. O que há de concreto sobre esse assunto?

Jean - Eu também espero muito sobre esse assunto... (risos), pois tem empresários que acham que a rota é interessante e há interesse sim de operar voos para cá. Eu pessoalmente consegui que fosse convidada para essa reunião em Caiena a empresa Puma (Puma Air), que voltou a Macapá depois de alguns anos e que me parece uma companhia bem estruturada pois me parece que acaba de abrir um vôo internacional entre Belém e Luanda. Então essa me parece ser a empresa mais próxima de fazer a ligação entre Macapá e Caiena, apesar de que existem pessoas na Guiana muito interessadas e ainda há conversações com eles, então espero que tenhamos novidades nesse sentido logo.



Perfil


O francês Jean-François Le Cornec tem 59 anos de idade, nasceu na cidade de Rennes, na região de Bretagne, no noroeste da França. É formado em Letras e em Inglês, pela Universidade de Haute-Bretagne. Mudou-se para o Brasil em 1976, para atuar na Aliança Francesa, em Belém (PA), onde lecionou, foi auxiliar de direção e produtor de atividades culturais. Em 1996 mudou-se por interesse próprio para o Amapá, onde montou um empreendimento da área de hotelaria, a Pousada Ekinox, bem como passou a tocar a administração de uma Reserva de Proteção Particular. Pouco depois recebeu a honrosa missão de ser o Cônsul Honorário da França no Amapá.




coluna.argumentos@yahoo.com.br


Quem são?
Eles estão bronzeados, roucos, eufóricos, nervosos, preocupados, articulados, endividados, estudiosos, midiáticos, cansados mas motivados. Este turbilhão de emoções serve para definir como estão os candidatos às eleições deste ano. Agora parece que a coisa esquentou mesmo, pois as bandeiras estão nas ruas. Mas e as propostas?

Onde vê-los
Bem, se você, como eu está preocupado em saber mais sobre as principais propostas dos candidatos a governador, senador e deputado (estadual e federal) e está sem tempo para ir aos eventos de rua deles, uma boa pedida é assistir aos programas eleitorais gratuitos que começam a ser exibidos na próxima terça-feira no rádio e na televisão. Não desligue.

Atenção na pista
Operários e máquinas estão realiazando serviços de manutenção na BR-210, à altura do quilômetro 100. Aliás, por lá a velha capa de asfalto foi retirada num trecho de dois quilômetros, forçando os motoristas a tomar um desvio. Então a coluna alerta para quem vai pegar a via que redobrem a atenção e evitem acidentes.

Ops! A coluna errou
Devido a uma visita da minha filha caçula, a Bruna Valentine ao meu escritório, foram “estraviadas” duas teclas do leptop usado diariamente para escrever esta coluna. Um remendo de última hora foi providenciado mas a tecla do “z” insiste em não funcionar, daí a edição de ontem ter saído com alguns erros de digitação, para os quais pedimos nossas desculpas.

PELO INTERIOR

Todos os candidatos a governador e senador este ano não deixam de incluir em suas agendas de campanha as visitas a municípios do interior do Estado. Ontem, o tucano Jorge Amanajás (PSDB) fez carreata e comício em Porto Grande, simplesmente um entreposto entre as principais cidades do interior do Amapá. Ele reuniu muita gente e neste domingo estará em Mazagão.

Comunicação
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), fez um elogio oficial a 87 servidores da Casa pela formulação do Plano Estratégico a ser desenvolvido pela Secretaria Especial de Comunicação Social – SECS. O Plano prevê projetos e ações para os próximos 8 anos e definiu a Comunicação para a Cidadania, como o principal foco - o negócio - da SECS.

Companheiro
Lucas Barreto começou o sábado concedendo mais uma entrevista e depois caiu em campo atrás de votos. Da zona norte de Macapá ao Igarapé da Fortaleza, em Santana, ele caminhou e suou bastante a camisa. Teve sempre a compa-nhia do candidato a senador Randolfe Rodrigues (P-Sol) que algumas pessoas pensavam ser o vice de Lucas. O vice de fato, Jaime Nunes, não foi visto ao lado do petebista ontem.

Cidade cortejada
Já o progressista Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, está repetindo o que sempre fez desde que assumiu o Governo do Estado, dedicando atenção mais que especial a municípios onde seu partido governa, como Oiapoque. Lá uma boa estrutura foi montada para o I Festival Internacional de Oiapoque. Assim quer ir amealhando mais adeptos.

Apelando à tecnologia
O candidato a governador Camilo Capiberibe (PSB) tem tirado um tempo bem razoá-vel em sua agenda de campanha para responder a internautas. Ontem, por exemplo, sua assessoria divulgou que das 12h30 até às 15 horas ele teria como único compromisso navegar na web para fazer campanha junto a internautas. Depois trancou-se no estúdio da propaganda de tv.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Coluna Argumentos (Cleber Barbosa)





Novidade

Os direitos do consumidor no Brasil possuem uma legislação muito elogiada. Agora a novidade é que os brasileiros dispõem de uma lei que obriga todos os estabelecimentos comerciais, inclusive bancos, a manter um Código de Defesa do Consumidor para acesso ao público. A lei entrou em vigor no dia 28 e prevê multa de R$ 1.064,10 para quem não cumprir.

Justiça Eleitoral

Desde ontem que a Casa da Cidadania tem novo horário atendimento ao público. Na verdade o expediente especial é exclusivo para atender demandas dos mesários que irão grabalhar nas Eleições 2010. Antes o atendimento era feito apenas no turno da tarde e agora vai das 8 horas da manhã até às 6 horas da tarde. Finais de semana pela manhã.

Inclusão também

Pode-se chamar de inclusão cultural, se é que isso existe. Mas que o projeto Sonora Brasil, forma ouvintes musicais isso sim. Agora será pela obra de Cláudio Santoro e Guerra Peixe, que trazem o “Quarteto de Brasília”, com música erudita contemporânea. No auditório da Escola SESC, às 20 horas. A entrada é franca.

Acabou

Assinada ontem em Brasília Projeto de Lei que cria a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Ela proíbe a criação de “lixões”, onde os resíduos são lançados a céu aberto. Também determina que fabricantes, importadores, distribuidores e vendedores realizem o recolhimento de embalagens usadas. Dá para ganhar dinheiro com lixo.

No freio

Gente, o que está acontecendo com essa campanha eleitoral? O troço está muito frio. Não foi para a rua, como se costuma dizer. Dizem que é falta de dinheiro. Será? Então como é que se assume um compromisso como uma candidatura majoritária então? Sei não, está mais para estratégia mesmo. Estão economizando. Quando terá um comício?

Empresários

Empresários locais estariam divididos em três “frentes” de ajuda a candidatos este ano. O vice de Lucas Barreto (PTD) é do meio; Jorge Amanajás (PSDB) é do agronegócio; Pedro Paulo (PP) é o atual governador; só resta saber se Camilo Capiberibe (PSB) vai conseguir amealhar ajuda também, pois há resistências históricas com o empreariado. Mas o socielista está se encontrando com representantes do setor, dizem.

Eleição não
vai atrapalhar

A realização de uma sessão extraordinária marcou o retorno das atividades na Assembleia Legislativa ontem. Após o recesso do mês de julho, os deputados retomaram os trabalhos parlamentares sob o comando do vice-presidente, deputado Dalto Martins (PMDB). Ele disse que o se-mestre será tão produtivo quanto o anterior com o andamento normal dos trabalhos.

Sessões
às segundas

Mas nessa volta ao trabalho dos deputados estaduais está valendo a regra do regime reduzido, com apenas uma sessão plenária semanal. Mesmo assim, Dalto Martins disse que “as atividades na Assembléia Legislativa não serão prejudicadas e não haverá nenhum transtorno. Os trabalhos acontecerão normalmente”, frisou o atual vice-presidente da AL.

SORTUDA E CIDADÃ


Tudo bem que o Brasil é um país tido como um dos lugares onde mais de paga imposto. Mas existem cidadãos como esta se-nhora da foto, dona Maria da Conceição Guedes de Azevedo, que têm a atitude de pagar seu IPTU como uma obrigação. Além de ver o retorno em serviços, ela ainda foi a grande vencedora de um carro na promoção IPTU Premiado da Prefeitura de Macapá.

Dinheiro na conta

Nesta terça-feira o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) paga os beneficios de aposentados, pensionistas e demais segurados que ganham mais de um salário mínimo e têm cartão com finais 2 e 7, desconsiderando-se o dígito. Também nesta serão pagos os beneficiários que recebem até o mínimo e têm cartão com final 7. Acima do piso previdenciário virá com a diferença do reajuste de 7,72% .

Sarney reafirma otimismo sobre futuro do Amapá


O presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP) passou o final de semana em reuniões políticas e visitas a amigos em Macapá, curtindo a folga do pequeno recesso parlamentar que se permitiu fazer, uma rara pausa nos trabalhos no Senado. Nessa entrevista, ele faz questão de enumerar os principais avanços alcançados no primeiro semestre, como as reformas do Código de Processo Penal e o novo Código Civil. Sarney recebeu em casa o Diário do Amapá e falou sobre as expectativas também que ele tem com relação às mudanças que estão sendo propostas para o Código Eleitoral. Para o ex-presidente da República e decano do Senado, está mais do que na hora de acabar com as edições de novas regras a cada eleição que se tem no Brasil, para definir uma regra única e assim definir o regulamento dos pleitos.

Diário do Amapá - Desde que iniciou o recesso parlamentar esta é sua primeira folga para vir ao Amapá então como o senhor está vivendo esse período?
José Sarney - Nós estamos num ano eleitoral e as perspectivas são de que a eleição será uma das mais democráticas que o Brasil já atravessou, pois somos a segunda democracia no mundo ocidental. Agora mesmo eu estou chegando de Montevidéu, onde fui participar da festa dos 25 anos de democracia no Uruguai, data muito cara para mim, pois eu participei com o Sanguinetti dos episódios que levaram aquele país à democracia juntamente com o Alfonsín.
Diário - E no Amapá especificamente, como o senhor reencontrou o Estado?
Sarney - Vejo que o clima aqui da eleição no Amapá está acontecendo com muita civilidade, de muita compreensão sobre o processo democrático e se desenvolvendo de uma maneira que podemos dizer todos ficamos satisfeitos.
Diário - Já que o senhor está chegando de viagem pode falar dessa certa discrição das campanhas pelo país, pois em várias capitais e até aqui no Amapá há certa timidez neste início de pleito. O senhor diria que todos estão se adaptando às novas regras da eleição?
Sarney - É, mas nós estamos também com uma eleição atípica porque pela primeira vez nós temos uma nova legislação eleitoral, uma legislação que impõe muitas restrições e que ao mesmo tempo ela também modificou o tempo da campanha eleitoral, que ficou muito restrita. É bom também lembrar que aqui no Amapá as novas regras determinadas pelo Tribunal Superior Eleitoral dizem que o eleitor desta vez não leva somente o título, ele tem que levar também um documento de identidade com foto. Isso é uma coisa que todo mundo deve estar sabendo para que possa providenciar para o dia da eleição, senão nós vamos ter uma grande abstenção porque muita gente não tem ainda esse documento e deve tirá-lo. Evidentemente os órgãos públicos encarregados disso devem recrudescer o seu trabalho para que todo o povo tenha acesso e exercer o seu voto escolhendo os seus candidatos.
Diário - O primeiro semestre chegou ao fim no Congresso Nacional em clima de esforço concentrado para vencer a pauta, já que de agosto em diante já é campanha eleitoral, então qual a avaliação o senhor faz destes primeiros seis meses?
Sarney - Nós tivemos o encerramento do primeiro semestre com matérias muito importantes sendo votadas, como o projeto que estabeleceu a punição dos torcedores que se excedem provocando violência no esporte. Nós também tivemos oportunidade de votar leis que dizem respeito ao benefício do povo como a Lei dos Aposentados que nós terminamos, votamos a lei que prorroga a Zona Franca de Manaus, também a relativa aos funcionários de Rondônia o que me dá condições de na reunião da próxima semana encerrar no Senado a última discussão e votação da lei que também estabelece para o Estado do Amapá as mesmas condições que foram estabelecidas para o Estado de Rondônia no que se refere aos seus funcionários civis e militares, que passam a gozar das mesmas vantagens dos funcionários federais de outros lugares.
Diário - Nesse período também foram votadas legislações importantes como o novo Código Civil, assim como iniciados os ritos para reformas maiores como a eleitoral. Como o senhor tem acompanhado tudo isso?
Sarney - Também é minha função provocar uma mudança e atualização da legislação brasileira. Fizemos uma comissão de juristas que prepararam o novo Código de Processo Penal, que já apresentamos, tramitou e está numa fase de votação que só não foi concluída porque o Supremo Tribunal Federal pediu um prazo de trinta dias para que eles pudessem fazer ainda um último estudo e revisão. Evidentemente que nós estamos prontos para receber essa contribuição dos juristas. Ao mesmo tempo eu constituí uma outra comissão para o Código Civil, que foi apresentada e que já tramita dentro do Senado para que tenhamos um novo Código Civil. Criamos ainda outra comissão para rever a legislação eleitoral, atualizando o Código Eleitoral, que já está totalmente desatualizado e essa legislação que é feita todo ano de eleição perturba muito a vida política do país, daí a necessidade de termos um Código que estabeleça definitivamente aquilo que se obedeça em qualquer eleição e não para cada pleito várias leis. O Montesquieur (filósofo) já dizia: quando nós temos muitas leis nós não temos lei nenhuma. Na realidade é isso que nós estamos fazendo. Essa comissão eu instalei há umas duas semanas, sob a presidência do ministro Tófoli (STF) e com os maiores juristas do país que entendem de direito eleitoral.
Diário - Pela sua experiência, presidente, uma vez iniciado esse processo de reforma eleitoral, o senhor diria que na próxima eleição daqui a dois anos será possível disputar já com essas regras em vigor?
Sarney - Eu acho que sim, porque nós vamos correr, pois o prazo que foi dado a essa comissão foi de seis meses, de maneira que acredito que nesse período nós tenhamos um anteprojeto do Código (Eleitoral) já entregue ao Senado Federal para início de discussão e votação.
Diário - Independente das questões político-partidárias a bancada federal do Amapá tem se colocado à disposição do Estado e de municípios amapaenses para tocar obras de infraestrutura a partir de recursos federais. Como isso está se concretizando?
Sarney - Eu acho que neste segundo semestre nós estamos assistindo o término do governo do presidente Lula, que foi um extraordinário governo. Durante esse tempo em que ele exerceu a presidência o Brasil aumentou as suas reservas externas para cerca de U$ 250 bilhões (de dólares), ao mesmo tempo em que uma grande parte da classe pobre saiu da pobreza. A classe média também aumentou a sua faixa e as classes mais privilegiadas, vamos dizer assim, elas também tiveram a oportunidade de se desenvolver e de ter bastante lucro. Também as classes mais desassistidas tiveram acesso ao Bolsa Família, criou-se um mercado interno, o comércio teve um crescimento muito grande, a indústria da mesma maneira, a parte de serviços e o Brasil internacionalmente ascendeu a um patamar muito grande e hoje entre os países emergentes ele se destaca com um lugar no mundo participando do Conselho dos 20, o que significa que foi um ano muito importante para o nosso país.
Diário - E também para o Amapá, o senhor diria?
Sarney - Sim, pois o Amapá cresceu bastante também nesse semestre, graças, sobretudo, ao dinamismo da classe empresarial amapaense que tem tido uma grande participação não apenas no desenvolvimento do volume dos negócios como também na criação de empregos. Basta citar um índice: o crescimento mensal de cerca de 10% no consumo de energia elétrica, que é um índice que mostra o crescimento do Amapá, da indústria amapaense, do comércio local e que significa que nós também vamos ter oportunidade de trabalhar bastante para fornecer a energia necessária ao Estado do Amapá.
Diário - É aí que o senhor entra, não é mesmo, pois todos sabem da sua articulação junto ao setor elétrico nacional, não é mesmo?
Sarney - Todos sabem da minha preocupação com a infraestrutura, a energia, sobretudo, que foi a minha primeira preocupação no Amapá. Eu já estou na segunda parte do meu mandato, mas com a certeza de que duas coisas importantes estão chegando nessa área de energia, que é o Linhão do Tucuruí e também o início da construção da Usina de Santo Antônio, além das usinas do Araguari, suplementando a usina de Paredão. Isso é uma nova etapa na vida do Amapá.
Diário - Que outros indicadores lhes dão essa condição de otimismo, presidente?
Sarney - A transferência das terras para o Estado do Amapá que nós conseguimos com o presidente Lula representou um avanço no setor agrícola. Agora mesmo eu estou sabendo da Feira de Tartarugalzinho, onde grandes negócios foram feitos lá na pecuária e também empréstimos à agricultura. Tudo isso é resultado da transferência das terras para cá, pois agora vão ser legalizadas e naturalmente dando acesso à propriedade para todos aqueles que trabalham na terra. Nós também devemos lembrar que o Lula fez uma lei que deu acesso ao crédito para não somente aqueles que já tinham os títulos, mas àqueles que efetivamente moram e têm a posse no seu lugar e ao mesmo tempo estão cultivando e têm direito a acesso ao crédito bancário.

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