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sábado, 1 de maio de 2010

A entrevista do prefeito Roberto Góes

“A população está fazendo Macapá cada vez mais forte”
Um dos mais jovens prefeitos a administrar a Capital do Amapá, goza de prestígio e altos índices de popularidade graças a um primeiro ano diferente de muitas administrações pelo país. É que al invés de lamentar pela situação encontrada nos cofres municipais, Roberto Góes debruçou-se sobre o planejamento das ações e decidiu enfrenta-los. Dono de um currículo que lhe projetou como parlamentar por mais de quinze anos, ele chegou ao Executivo Municipal demonstrando ter a exata noção da autoridade de que está investido, organizando a cidade em seus mais diferentes setores e dando ao contribuinte confiança para continuar recolhendo aos cofres municipais os tributos como o IPTU e Alvará. Mas o novo prefeito também reconhece que sem essa confiança seria difícil fazer frente a tantos problemas. Roberto Góes fala de como é feita a sua gestão e como pretende continuar contando com a ajuda da população para deixar a Capital ainda melhor do que ele encerrou seu primeiro ano à frente da Prefeitura de Macapá.

Diário do Amapá - Prefeito, como o senhor poderia definir o que representou seu primeiro ano de mandato?
Roberto Góes - Foi uma fase de apresentações. Isso mesmo, a nossa equipe se apresentando para os servidores, formando assim um novo governo; este novo governo se apresentando para a sociedade e a sociedade macapaense se apresentando ao novo governo, mostrando o que esperava dele e como poderia ajudar.
Diário - Vamos por parte então. Como foi a apresentação da sua equipe para os servidores?
Roberto - Olha, da mesma forma como enfrentamos outras situações da administração, estabelecemos o diálogo como base de tudo. Não foi editada nenhuma caça às bruxas, digamos assim, para dizer que fomos cautelosos, conhecendo a estrutura existente, os problemas, os passivos e chamando a todos a se motivarem. Aliás, em que pese os quadros da Prefeitura, encontramos gente valorosa, conhecedora dos problemas e disposta a enfreta-los junto conosco.
Diário - E como foi a apresentação desse novo governo à sociedade?
Roberto - Com muito trabalho. Independente das ações internas, nós determinamos ao nosso secretariado que saísse às ruas, com planejamento, é claro, mas sem perder tempo. No que era possível, avançamos mesmo, usando de criatividade para driblar a excassez de recursos e tratando de limpar a cidade, organizar o passeio público, o trânsito, retomando obras paralisadas, enfim, colocamos toda a estrutura disponível para dizer a que viemos.
Diário - E a a presentação da sociedade para o novo governo, conforme o senhor falou anteriormente? Explique melhor como foi isso?
Roberto - Na verdade todos desejam uma cidade melhor. Cabia ao poder público apenas se mostrar capaz de dar as respostas que as demandas geram. A população ao perceber isso, independentemente de ter votado na chapa encabeçada por mim e a Helena, a grande maioria decidiu ajudar.
Diário - Ajudar como prefeito?
Roberto - Tendo senso de limpeza, por exemplo, que é mais do que o simples ato de limpar, é não sujar. Mas a ajuda a que me refiro é basicamente em acreditar na administração municipal, respondendo positivamente com a arrecadação dos tributos municipais, por confiar de que assim poderiam vislumbrar o retorno desse investimento através dos serviços públicos.
Diário - Como foi essa arrecadação no primeiro ano?
Roberto - Para se ter uma idéia, o orçamento do município previa R$ 12 milhões em arrecadação do IPTU mas fechou o exercício de 2008 com pouco mais de R$ 1 milhão. Foi então que além de colocarmos a Prefeitura nas ruas, nós criamos incentivos, desde a redução da planta de valores como também criando facilidades para o pagamento em cota única e também para o parcelamento, bem como premiando a quitação de débitos anteriores.
Diário - Isso tudo no primeiro ano?
Roberto - Sim, mas para isso também contribuiu o bom relacionamento com a Câmara Municipal, através do diálogo com os nosso vereadores, que acataram os projetos de ajuste da legislação, apreciando e votando com celeridade os projetos enviados para aquela Casa.
Diário - E como foi o resultado da campanha de incentivos?
Roberto - Batizamos a campanha como IPTU Premiado, que além dos descontos possibilitou o sorteio de prêmios no final do ano, como eletrodomésticos, motos e até um carro. A arrecadação saltou da casa de R$ 1 milhão para algo próximo a R$ 9 milhões.
Diário - É um grande salto esse. Como isso se refletiu em maior oferta de serviços ao contribuinte?
Roberto - Foi mesmo. O retorno veio com uma ação firme no enfrentamento dos problemas. Nossa maior frente de trabalho foi na limpeza e organização da cidade, que estava muito suja. Nossos garis e colaboradores trabalham em três turnos, seja na capina, coleta do lixo domiciliar, pintura dos canteiros, podagem de árvores, na recuperação de praças e outros logradouros públicos, bem como na desobstrução do passeio público, na sinalização e organização do trânsito, só para citar alguns exemplos.
Diário - Aliás, sobre a sinalização do trânsito, seus opositores criticaram a entrega do primeiro semáforo, quando a imprensa esteve presente. Compararam com a Sucupira da novela...
Roberto - Faz parte do jogo a oposição levantar essas questões. É porque talvez não saibam que aquele primeiro de uma série de mais de 50 equipamentos novos, com tecnologia de ponta, em substituição a semáforos com mais de trinta anos de uso, que funcionavam com motor de geladeira. Aquele entrega foi simbólica, pois iniciávamos ali um novo ciclo de qualidade na sinalização do trânsito da cidade.
Diário - E para este ano, como sua administração pretende continuar motivando os contribuintes a continuarem recolhendo os impostos e assim ajudando a Prefeitura a trabalhar?
Roberto - Na verdade já começamos. Há cerca de uma semana, por exemplo, divulgamos que o pagamento dos alvarás de funcionamento teriam desconto promocional para quem optasse pela cota única. Demos um grande salto, saindo da casa dos R$ 200 mil para mais de R$ 1 milhão somente com a regularização do Alvará 2010 dos estabelecimentos comerciais. Já o IPTU mandamos para as ruas e a partir desta segunda-feira teremos a semana da cota única, que garante 10% de desconto que pode chagar a 30% com a apresentação dos quatro últimos carnês quitados.
Diário - E os prêmios, continuarão sendo sorteados este ano?
Roberto - Com certeza. Serão mais de 70 prêmios diversos, entre ele uma casa. O que se quer é continuar incentivando a adimplência, mas com a conscientização de que o município pode devolver o investimento que o contribuinte faz, em forma de obras e serviços. É como a mensalidade de um condomínio, por exemplo, onde o morador paga uma taxa para a manutenção do conjunto residencial ou do prédio, para os casos de apartamentos.
Diário - Pode-se dizer que é profissionalizar a relação da manutenção da cidade?
Roberto - Exatamente. Eu sempre disse que enfrentaria os problemas de Macapá através do gerenciamento da cidade. Ser prefeito é ser também o síndico da cidade. Mas o profissionalismo que a gente quer passa também pela modernização da máquina pública, substituindo os velhos arquivos e fichários pela digitalização dos processos e informatização das informações fiscais, da administração de pessoal, da contabilidade e dos serviços ao contribuinte. Estamos preparando também a publicação de nossas contas na internet e investindo na qualificação do pessoal para dinamizar o atendimento à população.
Diário - Isso vale também para as campanhas do IPTU e Alvará?
Roberto - Principalmente. A Prefeitura precisa dar tratamento humanizado e digno tanto para quem é servidor como para quem acessa nossos pontos de atendimento à população. Fizemos reformas e melhorias também no setor de arrecadação, de modo a facilitar e agilizar o recebimento dos tributos e não deixar ninguém de mau humor pela demora ou desconforto da ida até a Prefeitura.
Diário - O senhor também ganhou muita notoriedade por perseguir as metas e propostas apresentadas ainda na campanha para ser prefeito. Como isso é trabalhado no cotidiano de sua gestão?
Roberto - Não tem muito mistério não. Cada auxiliar nosso quando foi convidado a ser secretário, recebeu um kit contendo as nossas propostas de governo que haviam sido discutidas com a sociedade durante a disputa de 2008. Cada programa de televisão ou de rádio ganhava também uma versão impressa com seu conteúdo. As pessoas leram e muitas guardaram essas informações e agora podem comprovar que não se tratava de promessas eleitoreiras, eram sim compromissos assumidos por mim e pela Helena.
Diário - Mas daí a torná-las realidade, como isso tem sido viabilizado prefeito?
Roberto - Com muita disposição, criatividade, bom senso, parcerias como a da própria sociedade e especialmente economizando dinheiro. É na ponta do lápis mesmo. Reduzimos gastos de todos os tipos, seja com aluguel de carros, com combustível, telefones, vigilância, com energia elétrica, enfim, observando o que cada despesa a menos poderia ser revestida em obras e serviços, com a compra de alimentos para os estudantes, material escolar, uniformes, mais semáforos, mais tinta para a sinalização das ruas, mais remédios para os postos e centros de saúde, enfim, fazer com que os recursos fossem aproveitados da melhor forma possível.
Diário - E como está sua relação com o Governo do Estado depois da saída do governador Waldez Góes?
Roberto - Continua muito boa. O governador Waldez foi um grande parceiro de nossa administração no primeiro ano, pois conseguimos lançar várias ações em parceria, especialmente na retomada de obras paralisadas, na limpeza e no asfaltamento de Macapá. O doutor Pedro Paulo acompanhou tudo isso e sabe da importância de ajudar a Capital, onde mora 65% da população de todo o Estado. Ele já garantiu dar continuidade ao convênio do Shopping Popular, assim como na contrapartida para a ampliação do antigo Hospital do Câncer, que será transformado em um Hospital Metropolitano.
Diário - O senhor teme que a eleição deste ano possa influenciar diretamente nessa relação com o Governo, já que o senhor já manifestou ter compromisso com o deputado Jorge Amanajás?
Roberto - Não, porque o governador Pedro Paulo sabe que sou um homem de palavra. Reafirmo meu compromisso com o presidente Jorge, que sabe da única condição para que não conte com o meu apoio. Acredito que o doutor Pedro Paulo sabe e já declarou isso, separar o que é garantir a governabilidade do Amapá, da política partidária. Tudo há seu tempo. Ele está focado agora em governar o Estado e isso passa, necessariamente, pela ajuda ao município de Macapá.
Diário - A semana fechou com a absolvição do senhor e da vice-prefeita em dois processos que tramitavam na Justiça Eleitoral movidas pelo candidato derrotado em 2008. O que isso representa?
Roberto - Não podemos negar que o fato de termos que nos defender dessas acusações acaba tirando um pouco a concentração. Diz a regra que quem acusa tem que provar e quem é acusado tem que se defender. Isso a gente tem feito, através dos advogados do partido, que com a ajuda de Deus, a lucidez dos magistrados e pelos argumentos da defesa, têm caído por terra um a um. A fragilidade das acusações tem sido preponderante assim como o fato dos processos não dizerem respeito a nenhuma ação direta minha ou da Helena, que pudesse desequilibrar aquela eleição. Todos devem lembrar que antes da disputa, fomos a todos os agentes fiscalizadores do pleito, defender eleições limpas.
Diário - Dá para respirar aliviado agora?
Roberto - Nós sempre estivemos muito tranqüilos, pois tínhamos convicção de nossa inocência. O importante é que a eleição já passou e a sociedade macapaense sabe que hoje governamos para todos, independentemente de quem votou ou não em nossa chapa. Há muito ainda a ser feito e é nisso que estamos pensando agora. A população está fazendo de Macapá uma cidade cada vez mais forte.

Perfil do entrevistado
O atual prefeito de Macapá, Antônio Roberto Rodrigues Góes da Silva, tem 42 anos de idade, é casado e pai de quatro filhos. Nasceu na colônia agrícola de Matapi, no município de Porto Grande e tem origem humilde. A produção agrícola da família era comercializada nas feiras de Macapá, para onde todos se mudaram depois. Estudou em escolas públicas e o trabalho desde cedo o fizeram tornar-se bastante conhecido, tanto que foi um dos mais jovens vereadores da Capital, em 1992. Dois anos depois chegou à Assembleia Legislativa, tornando-se um combativo deputado estadual, detentor de quatro mandatos consecutivos. Tornou-se também carnavalesco e dirigente da Liga das Escolas de Samba do Amapá. Apaixonado por esportes, ajudou a manter clubes do amador e do profissional, chegando à Presidência da Federação Amapaense de Futebol. Sua gestão profissional o fez ser convidado a chefiar a delegação da Seleção Brasileira de Futebol em duas edições da Copa América. De tanto crescer como agente público, várias lideranças e partidos políticos o lançaram como candidato a prefeito de Macapá em 2008, sendo o vencedor no segundo turno da disputa daquele ano. Desde o dia seguinte à vitória nas urnas, decidiu percorrer as ruas da cidade para conhecer melhor os problemas e discutir com segmentos da sociedade as melhores alternativas. Esse período foi marcado pelo cumprimento de suas principais propostas de campanha, como a melhoria do trânsito, da limpeza, da organização da cidade e dos investimentos na melhoria da saúde e da educação municipal.

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