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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sarney: Brasil deve ser cada vez mais duro contra armas nucleares



O presidente do Senado, José Sarney, apoiou nesta quarta-feira (28) a pressão que países ocidentais, como os Estados Unidos e a Alemanha, estão fazendo para que o Irã e a Coreia do Norte desistam do desenvolvimento, assumido ou não, de armas nucleares. A declaração de Sarney foi dada em discurso durante o qual anunciou a resolução do InterAction Council, conselho de ex-presidentes de vários países, aprovada no dia 20 deste mês, em Hiroshima, Japão.
Sarney observou que a Coreia do Norte já deixou clara a intenção de possuir armas nucleares como recurso para se tornar uma potência nuclear. Quanto ao Irã, apesar de rotular seu programa nuclear como "para fins pacíficos", até hoje tem se recusado a dar as garantias às agências internacionais de que realmente não pretende construir a bomba.
- Por isso acho que a posição dos países ocidentais em relação ao que ocorre na Coreia do Norte ou no Irã necessária - afirmou o presidente do Senado.
Sarney foi além, e recomendou que o Brasil acompanhe esses esforços:
- A posição do Brasil, que está na Constituição, que é pela paz, deve ser cada vez mais dura, mais enérgica a esse respeito. Isso deve ser uma causa de consciência mundial e pessoal de cada um de nós - pregou.
O fim das armas nucleares defendido pelo conselho de ex-presidentes, entretanto, ainda depende em grande medida da redução e, eventualmente, da eliminação dos arsenais da Rússia e dos Estados Unidos, detentores dos maiores estoques.
- Não podemos, jamais, deixar que o mundo possa caminhar sendo negligente em relação ao controle das armas nucleares. O mundo não pode ser negligente nem fraco, tem que ser duro realmente em relação a qualquer núcleo que possa desenvolver armas nucleares - reiterou Sarney, que não pôde ir à reunião de Hiroshima em função de compromissos no Senado.

Brasil e Argentina

Ele recordou as jornadas que empreendeu como presidente da República (1985-1989) para evitar uma corrida nuclear na América do Sul, juntamente com o então presidente argentino Raul Alfonsin. Por meio dos acordos de Foz do Iguaçu (1985) e das declarações de Iperó e Ezeiza (1988), os dois países eliminaram quase por completo a possibilidade do desenvolvimento de arsenais atômicos.
- O Presidente Alfonsin me convidou a mim e aos técnicos brasileiros para visitarmos a usina de Pilcaniyeu. Isso significava que a Argentina abria ao nosso conhecimento tudo aquilo que eles estavam fazendo, desaparecendo, portanto, qualquer programa secreto. E eu convidei o Presidente Raúl Alfonsin, e também todos os técnicos argentinos, para que visitassem as nossas instalações secretas (a fábrica de Aramar), para que então a confiança entre os dois países fosse absoluta em relação a esse setor - relembrou Sarney em seu discurso.
O presidente do Senado recordou ainda que, durante sua gestão, o Brasil assinou o Tratado de Tlatelolco, pelo qual foram banidas as armas nucleares na América do Sul e no Caribe. E por iniciativa do próprio Sarney a ONU aprovou moção tornando o Atlântico Sul zona de paz, na qual não podem transitar armas nucleares a bordo de qualquer navio ou de qualquer outro meio.
Agora, na reunião de Hiroshima, salientou Sarney, o conselho de ex-presidentes recomendou a remoção para território nacional e a eliminação de todas as armas nucleares não estratégicas. Todas as potências nucleares devem remover suas armas atômicas da posição de lançamento imediato e aumentar o tempo de aviso e decisão. Já os Estados devem substituir a filosofia de detenção nuclear pelo conceito de segurança comum. E o Conselho de Segurança da ONU deve fazer do desarmamento nuclear parte central da sua missão.

Israel x Palestina

Outro perigo mencionado na reunião do InterAction Council é o da comercialização de materiais de uso nuclear. Cerca de 500 pequenos fatos dessa natureza - negociação de projetos ou materiais que podem ser usados em armas nucleares - já foram constatados no mundo. E podem cair em mãos de terroristas, ameaçando a humanidade, segundo alerta dos ex-presidentes.
Em seu documento final, o InterAction Council ainda firmou apoio ao presidente norte-americano, Barack Obama, na sua oposição à construção de novos assentamentos em território palestino. O conselho aprovou igualmente recomendação no sentido de que Israel interrompa a construção e a ampliação de novos assentamentos e levante o bloqueio a Gaza.
Participam do conselho, fundado em 1983, ex-chefes de Estado e ex-primeiros-ministros como Yasuo Fukuda, do Japão; Helmut Schmidt, da Alemanha; Jimmy Carter e Bill Clinton, dos Estados Unidos; Giscard d'Estaing, da França; Felipe González, da Espanha; e Miguel de la Madrid, do México.

Da Redação / Agência Senado

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