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domingo, 25 de abril de 2010

Lucas: "O Amapá perdeu R$ 300 milhões"

O que para muitos era uma sumida da mídia, para ele faz parte deuma estratégia para estar perto da população. O fato é que ele está de volta ao olho do furacão, por assim dizer, já que o pré-candidato a governador Lucas Barreto (PTB) resolveu falar. E falar muito. Mais que isso, atirar mesmo. Sem mandato há mais de oito anos, é franco atirador mesmo. Em entrevista ao programa Luiz Melo Entrevista da última sexta-feira, deu o tom do que poderá acontecer na campanha pela sucessão estadual deste ano. Disparou críticas ao modelo de desenvolvimento do Amapá nos últimos governos e disse que não pretende adotar nenhum programa de governo, pois acredita que isso está fadado ao insucesso. Pretende aproveitar tudo o que colheu nas suas andanças pelo interior para elaborar políticas públicas baseadas na definição de metas a serem alcançadas pela administração pública estadual.

Diário do Amapá - O pessoal que acompanha a política no dia a dia estranhou o fato de que o senhor após a campanha para prefeito ter sumido da mídia. Foi uma questão de estratégia mesmo?
Lucas Barreto - Também, mas o que aconteceu na verdade é que nós estávamos revendo as pessoas, os amigos, em todas as localidades do Estado que nós conhecemos, principalmente ouvindo as suas angústias e as suas esperanças. Esse foi o motivo dessa caminhada em todo o Estado, para que nós pudéssemos ter a verdadeira noção do que pensa a população, o que ela entende sobre o que deve ser feito e o que precisa ser feito.
Diário - O que mais tem sensibilizado o senhor no contato com essa população interiorana?
Lucas - A questão saúde.
Diário - Não vai bem, é isso?
Lucas - Não vai bem, vai muito mal. Nós pudemos observar que é um setor que precisa ser olhado com muito carinho, principalmente porque saúde é vida e vida é prioridade. Nós observamos a desesperança, a falta de trabalho, de estar na feira do Novo Horizonte e ouvir "O Estado cresceu, mas não desenvolveu".
Diário - Ainda com relação à vida interiorana, a rotina do caboclo amapaense, que mora na beira do rio ainda é aquela de sair de casa, pescar o da comida do dia e voltar para a rede e dormir?
Lucas - Sim, mas ele pode pescar e dormir, mas tem filhos para criar, para educar e ele não tem acesso principalmente à educação e à saúde. Qualquer problema nessa área ele tem que vir para Macapá.
Diário - Aliás, a saúde parece que será o grande tema da campanha eleitoral deste ano pelo país inteiro. Em sua opinião onde estaria o erro, no sistema do SUS ou na operacionalização do SUS, particularmente aqui na região Norte?
Lucas - Eu penso que está na falta de integração com a saúde básica, porque nós temos baixa. média e alta complexidade. A baixa complexidade é de responsabilidade das prefeituras e isso até está sendo feito, mas aí eu pergunto, no Hospital Geral, é possível fazer uma cirurgia programada? Quanto tempo faz que não se realiza uma cirurgia programada lá? Para se fazer um exame de patologia, quanto tempo leva para se saber o resultado? Estou dando exemplos, de coisas que ouço da população, é isso que a gente sente, então precisa integrar, precisa juntar essa saúde que está faltando lá na ponta, onde falta remédio, faltam equipamentos, enfim, isso tem um sentido muito grande porque há a determinação dos funcionários da saúde em fazer, mas o que fazer? Os médicos, fazer o que quando faltam equipamentos e remédios?
Diário - E o senhor diria que isso ocorre mais com a pessoa menos instruída, a pessoas carentes, têm mais dificuldades de acessar o SUS?
Lucas - Sim, com certeza. Você já imaginou, por exemplo, uma pessoa que vem do Bailique para marcar uma consulta, que tanto se propagou que iria ser marcado pelo telefone e que não funcionou. O único hospital que nós temos existe há setenta anos, é da época do Janary (Nunes), então nós temos essa deficiência de leitos, de estrutura física por assim dizer, na área da saúde. E isso precisa ser olhado com carinho, precisamos ter uma política pública que se consolide a cada dia a melhora do sistema de saúde. As várias especialidades que nós temos também estão com problemas sobre onde fazer a consulta, onde fazer a clínica geral que direciona para as especialidades, aí nós não temos condições de fazer uma cirurgia, estão lotados os leitos, a estrutura é deficiente para receber essa demanda que todo dia cresce.
Diário - E com relação à política para o meio ambiente, como o senhor planeja trabalhar essa questão que o Amapá já tem tradição e até moral?
Lucas - Nós queremos mostrar à população que chega de plano de governo, é possível montar um plano de metas de políticas públicas que se consolidem, porque nós vemos a coisa se iniciar aqui e não termina, ou seja, não se consolida. Esse é o viés.
Diário - Mas não seria apagar o fogo, ou seja, dar uma de bombeiro, e não evitar o incêndio?
Lucas - Mas claro, no caso da saúde, por exemplo, a prevenção tem que ser feita, assim como a medicina curativa também. Se você não tiver uma política pública que tenha visão de futuro, que veja que a população vai crescer, que nós vamos precisar de um hospital grande na zona norte, que entre Macapá e Santana nós precisaremos ter um hospital metropolitano, pois as duas cidades estão sofrendo, tem conseqüências isso, pois se nós não objetivarmos unir essas duas cidades, que hoje andam uma de costas para a outra, nós temos que fazer com que andem uma de encontro a outra. Entre Macapá e Santana dá para construir uma cidade de 200 mil pessoas, tem espaço para isso, tem área física. Nós temos um déficit de 30 mil habitações, além de outras questões como a retirada de mais de 300 pessoas ali da APA (área de proteção ambiental), então são questões sociais que se nós não tivermos políticas públicas que se consolidem... Me diga aqui em Macapá nos últimos dez anos onde foi feita uma casa popular? Onde se instalou uma moradia nos últimos dez, quinze anos? Não tem. O que tem é o Boné Azul, da época do Barcellos e o Hospital de Base.
Diário - Além dessas questões, que outras prioridades o senhor apontaria em seu plano de ação como candidato?
Lucas - Hoje a segurança e a geração de trabalho, principalmente a geração de trabalho. Estive lendo o livro do Charles Chelala, onde diz que a metade da população economicamente ativa, ou seja, as pessoas que estão em condição de trabalho, metade estão desempregadas. E isso é possível notar na cidade, onde metade dos pais de família está desempregada, imagine o que isso causa de problema social. A cidade cresceu, mas de forma desordenada. Houve uma ocupação das regiões de baixada e as pessoas não querem sair dali porque estão no centro, não houve um direcionamento sobre para onde a cidade iria crescer, onde seria ampliado, onde seria feito o hospital da cidade que iria crescer, os terminais de ônibus, quais são as linhas, quais são as linhas principais onde vai ter o transporte coletivo, enfim, são preocupações que nós ouvimos todo dia na rua quando nós andamos.
Diário - O senhor diria que faltou planejamento, lá atrás, para se evitar que isso tudo ocorresse?
Lucas - O que precisa é que todos nós, é uma união que tem que haver nesse Estado para que nós tenhamos políticas públicas que se consolidem. Tem que se escolher, chamar os melhores técnicos que nós temos, pois temos excelentes técnicos, para se discutir o Estado porque essa questão dessa inadimplência crônica que tem hoje no Amapá está assustando a todo mundo. Nós não conseguimos acessar recurso federal. Entre 2008 e 2009 voltaram mais de R$ 300 milhões que a bancada federal colocou em emendas e não houve contrapartida, ou seja, nem tiraram o Estado da inadimplência e nem deram a contrapartida. Os municípios também têm sofrido muito com isso, pois há uma contrapartida do Poder Executivo para que se acesse e aqui eu faço justiça com todos os deputados e senadores da bancada federal. Houve empenho da bancada, todos, todos os deputados e prefiro nem citar nomes, todos os deputados federais e senadores se empenharam para que viessem recursos.
Diário - Faltaram projetos, o senhor diria?
Lucas - Faltaram projetos sim e penso até que é certa incapacidade do Estado de se fazer projetos. Eu penso que precisa ser feita uma grande central de projetos e, claro, uma equipe de primeira linha.
Diário - Mas não existe a Agência de Desenvolvimento do Amapá (ADAP) realizando esse trabalho?
Lucas - Mas não acessou. No ano passado nós tivemos dez dias adimplentes, ou seja, isso é inadimplência crônica, porque passa dois três dias fora e já volta para a inadimplência, como se aplicasse um Voltarem para dor em uma pessoa que depois que passa o efeito a dor volta novamente. Além disso, ainda tem a incapacidade de prestar contas dos recursos federais, que são fiscalizadíssimos entendeu? Tem que haver uma junção do Ministério Público, federal e estadual, para que esses recursos possam vir e ser fiscalizados para que possam chegar até a população em forma de investimentos, em obras e serviços que tanto o povo precisa.
Diário - O senhor passou por várias áreas da administração pública tendo uma visão negativa de tudo o que está em curso. Caso o senhor seja eleito governador, qual o modelo de desenvolvimento que pretende adotar para mitigar essas precariedades todas?
Lucas - Em primeiro lugar, é obrigação de qualquer gestor que sente na cadeira de governador mostrar à população o que o Estado deve, ou seja, os números. Coisa que nós não ouvimos até agora. Quanto o Estado deve? Quanto o Estado tem capacidade de arrecadar? Quanto o Estado pode melhorar a arrecadação? Como o Estado pode fazer um choque de gestão para que os recursos não sejam mais gastos e sim investidos de forma correta? Nós não temos noção dessa situação, apenas sabemos que deve o INSS, deve a Amprev, deve consignações, sabemos que o transporte escolar já vai completar parece três meses atrasado, aquelas Kombis, aqueles barcos, enfim, está tudo atrasado. Então precisa tomar conta, pois a arrecadação aumentou de 6,7% a nível federal, não sabemos aqui quanto pode melhorar a arrecadação do estado, mas o certo é que precisamos ter noção disso e mostrar à sociedade para que nós tenhamos conhecimento da capacidade de investimento do estado e a sua capacidade de endividamento. Por exemplo, hoje o Estado quer fazer um empréstimo, ótimo, empréstimo para investimento, mas como vai pagar? Por que o empréstimo não está saindo? Porque nós não temos capacidade de pagar a Amprev, os impostos. Isso é condição sinequanon para que o empréstimo seja liberado.
Diário - Há quem defenda que nesse processo de sucessão o nome do vice-governador na chapa seja definido na reta final, mas no seu caso o que se sabe é que já está fechado quem será o seu, é verdade?
Lucas - Todos sabem que nós desde o ano passado estamos construindo essa pré-candidatura e fomos buscar primeiro o vice, que seria a composição da chapa, pois sem chapa formada você não consegue. Nós já tínhamos definido isso, devido ao que ocorreu na eleição passada, quando ficamos conversando, conversando que no final tivemos que sair sozinhos. Então hoje, o Jaime Nunes só não é o vice se ele não quiser.

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