Página do jornalista amapaense Cleber Barbosa, voltada a difundir notícias, pensamentos, reflexões e atualidades sobre turismo, comportamento, economia, cultura, política e empreendedorismo.


segunda-feira, 12 de abril de 2010

A entrevista da Marília


A ex-primeira-dama do Amapá, dona Marília Goes, resolveu abrir o jogo e falar desde os últimos dias do governo do marido, Waldez, passando pela decisão dele em afastar-se do cargo para concorrer a senador e terminando sobre como foi a primeira semana da família fora do poder. Ela recebeu o Diário do Amapá em uma casa alugada para onde a numerosa família mudou-se desde então. Em tom de desabafo, fala dos dissabores que o Governo provoca mas também se mostra orgulhosa com os feitos do marido.



Diário do Amapá - Como estão sendo essas suas férias?

Marília Góes - Férias temporárias, né? Na verdade quando o Waldez decidiu pela desincompatibilização nós tivemos três dias para nos organizarmos, pois ele não abria mão de entregar a Residência (Oficial) naquele domingo, então eu e minha família nos organizamos e fizemos a mudança, que ainda estou organizando, a casa, os filhos que precisam da presença da mãe, da presença do pai e é isso o que nós estamos fazendo, dando mais atenção, ficando mais pró-ximo, porque anteriormente nossos afazeres eram infinitamente maiores.

Diário - E como é para a senhora, seu marido e sua família se despojarem daquele aparato todo que havia em torno de vocês, de uma se-mana para a outra?

Marília - Na verdade desde que o Waldez foi eleito governador do Estado, em 2002, demoramos cerca de nove meses para irmos para a Residência Oficial, porque não queríamos sair da nossa casa, mas por força das circunstâncias, até porque tínhamos que receber muitas autoridades e tínhamos que fazer vários eventos, acabamos indo para lá. Desde o início até para os nossos próprios filhos nós sempre colocamos que aquele não era o nosso lugar, aquela não era a nossa casa. Eu costumava dizer a eles que essa casa é do povo do Amapá. Waldez, eu e nossos filhos, graças a Deus não temos esse apego a cargos. Waldez já ficou sem mandato, nós já ficamos várias vezes vivendo só do nosso trabalho propriamente, então acho que essa falta de apego ao dito poder que fez com que nós com muita leveza saíssemos da Residência, do Palácio, ou da Secretaria a qual eu estava vinculada. Estamos muito bem, muito felizes.

Diário - Dá para sentir falta de alguma coisa daquela estrutura toda?

Marília - Existe certo acomodamento durante o período, afinal ficamos sete anos e três meses que é o fato de que naquelas horas mais difíceis, como levar os moleques na escola, para o médico, sair para o trabalho, enfim, tinha sempre alguém para nos dar aquele apoio para levar todo mundo. Agora a diferença é que não é mais institucionalizado, agora quem está me dando apoio é a minha família.

Diário - Esses são os bônus de ser a primeira-dama do Estado e o ônus do cargo, dona
Marília, qual era o fardo mais pesado de ser a esposa do governador?

Marília - Existiram momentos muito difíceis, porque quando você está num lugar como nós estávamos, é lógico, obviamente, que viramos alvos e nem sempre os comentários são os mais delicados, os mais gentis. Então houve momentos muito difíceis quando, de forma pequena, de forma mesquinha, pessoas tentaram invadir a nossa privacidade, tentaram denegrir a minha imagem enquanto ser humano, enquanto pessoa, mas graças a Deus isso foi uma minoria e que nós soubemos ultrapassar esses momentos e que nós soubemos principalmente, eu, Waldez e minha família, a família do meu marido, nos unir cada vez mais para ultrapassarmos, para construirmos, para a cada novo obstáculo conseguirmos nos fortalecer. Eu tenho um dito que gosto de usar, de que o que não nos mata nos fortalece, então acho que tudo isso me fortaleceu e me fez ser um ser humano melhor.

Diário - Ainda olhando para trás, nesse período de quase oito anos no poder, quando seu marido go-vernou o Amapá, o que lhe deu mais satisfação em ter realizado ao lado dele?

Marília - Foram tantas ações, tantos projetos, tantas mudanças para este Estado, que seria difícil eu identificar um ou dois pontos principais. No que diz respeito à questão estruturante do Estado, existem inúmeras estradas, rodovias, construção de escolas, espaços físicos inúmeros, mas o que mais me engrandeceu como pessoa, me sinto gratificada foi poder ter ido aos lugares mais longínquos como o Ajuruxi, como o Sucuriju, enfim, diversos locais onde sequer um governador tinha pisado ou sequer uma primeira-dama tinha estado, para ver de perto a necessidade das pessoas e poder de forma sensível mudar a realidade dessas pessoas. Então posso dizer que o melhor nesses quase oito anos foi poder fazer a dife-rença na vida de milhares e milhares de pessoas, para melhor.

Diário - O governador nessa demorada definição sobre seu futuro político deixou transparecer que não tinha certeza sobre qual o melhor caminho a seguir, pois queria a todo custo manter a coalizão unida. Foi assim mesmo?

Marília - Tanto é verdade que na sexta-feira passada foi que eu encontrei esta casa que estou morando e no sábado e domingo fizemos a mudança, porque Waldez ainda não havia decidido. Diferente do que algumas pessoas comentam, que ele estava escondendo a decisão, não é verdade. É que pela responsabilidade do Waldez, ele tinha que antes de tomar a decisão ouvir a base, ouvir os partidos aliados, ouvir as pessoas que o acompanham ao longo desses anos, para que ele pudesse tomar uma decisão. Ele esteve com o presidente Lula em Brasília, conversou o presidente Sarney, com lideranças políticas, mas acima de tudo esteve em quase todos os municípios do Estado conversando com a população propriamente dita. Porém, Waldez não pode ser irresponsável de pensar apenas nele, pois se pensasse apenas nele, a decisão seria rápida e fácil, mas ele tem que pensar num todo, no coletivo, pois esse projeto não é individual, é para o Estado do Amapá, é um projeto coletivo, é um projeto de pessoas, de coalizão, é um projeto principalmente visando a melhoria da nossa po-pulação, então tem que ser muito bem pensado e bem decidido por ele, lógico, a última decisão é a dele, de foro íntimo, com certeza a mais difícil, mas no momento em que ele tomou a decisão era sempre com a intenção de que os aliados que estiveram acompanhando esse projeto, construindo conosco, pudessem estar unidos em benefício de um projeto maior que é o bem-estar da população amapaense, com a garantia da estabilidade institucional.

Diário - Pelos rumos que as coisas começaram a tomar após a posse do governador Pedro Paulo, com as substituições gradativas na equipe de governo, pelo ambiente encontrado, a senhora diria que os objetivos iniciais de Waldez foram alcançados, para que a base aliada não se esfacele?

Marília - Nós esperamos que sim. O doutor Pedro Paulo, atual governador do Estado, ele nos acompa-nha desde o início deste projeto e enquanto vice-go-vernador ele conheceu a realidade do Estado e sabe que governar não é só bônus, é ônus, principalmente ônus. A gente costuma dizer que governar um Estado é acordar para resolver demandas e dormir sabendo que no dia seguinte teremos mais demandas para serem resolvidas. Mas faz parte do processo de go-vernar e o doutor Pedro Paulo com certeza absoluta, com muita cautela, está observando, está analisando todos os pormenores que fazem parte desta gestão para que possa garantir a estabilidade para a população amapaense.

Diário - Ficou definido a candidatura dele para o Senado e a sua para deputada estadual. Era isso o que a senhora realmente desejava?

Marília - Sempre achei que o Waldez tinha por obrigação ser candidato ao Senado, porque as pessoas esperavam isso dele, pelo trabalho que ele rea-lizou ao longo desses quase oito anos, que o credenciam a ser um excepcional senador, pelo conhecimento que tem, pela postura, pela segurança que se manifesta nos seus atos, então sempre acreditei nisso e porque nós temos que ter alguém lutando pelo Estado, pelos projetos, pelas instituições, principalmente pela população.

Diário - E quanto a sua candidatura, o que dizer dela?

Marília - Acho muito complicado familiarmente ter pai e mãe políticos com mandato, acho difícil, complicado por conta dos meus filhos, tenho filhos pequenos ainda, me preocupa muito isso. Meus filhos também se preocupam, com a mamãe também candidata, mas acredito muito em Deus, acredito que de acordo com as conduções das próximas semanas nós vamos saber realmente se eu devo vir candidata a deputada estadual. Agradeço imensamente as pessoas que me abordam na rua, rostos que passam, que muitas vezes nem conheço. Ontem mesmo fui abordada no Centro da cidade por pessoas pedindo que eu não parasse com o trabalho e que viesse a me lançar candidata. Eu compreendo que isso é resultado de um trabalho. Mandato significa representar verdadeiramente aquelas pessoas que confiam em você e aquelas pessoas que querem mudanças. Eu não acredito em mandato para resolver seus problemas pessoais. Fico muito feliz de ter conhecido a política pelos olhos do meu marido.

Diário - Como foi isso então, dá para explicar melhor?

Marília - Até conhecer o Waldez, há dezessete anos atrás, de me casar com ele, eu nunca havia participado de nenhum momento político. Eu nunca fiz parte de movimento estudantil, de projetos políticos, nunca tinha sido afiliada a nenhum partido e quando eu conheci o Waldez conheci a política verdadeira, comecei a ver que a política podia fazer a diferença na vida das pessoas, para o bem, para o lado positivo, mas para o bem coletivo, para o bem maior então comecei a me encantar com todas as possibilidades que um mandato oferece, de mudança propriamente dita de vida, de uma po-pulação inteira. Então eu só acredito num mandato se for dessa forma, se você usá-lo para fazer e fazer bem, fazendo bem feito. Eu me conheço, o temperamento da Marília, capricorniana, decidida, então não faço nada pela metade e se realmente Deus quiser que assim seja, tenho certeza absoluta que se o povo desejar que eu seja deputada esta-dual eu vou fazer como sempre fiz na minha vida: fazer sempre o melhor, não parar no primeiro obstáculo. Não é fácil, porque sem mandato você é mais livre de alguma forma. Com mandato você fica mais atrelado a situações partidárias, normais no dia a dia de um político, mas se tiver que ser e o meu grande condutor, meu grande maestro desse projeto, o meu marido Waldez Góes, então por ser ele o presidente do nosso partido, a palavra final, tenha certeza, juntamente com a vontade da po-pulação, vai ser de Antônio Waldez Góes da Silva.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Contribua conosco!

PUBLICIDADE